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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008


Andarilha



Por mais bagagem que se reúna, é difícil prever o que se encontrará pelo caminho e, mais ainda, o que se verá no fim. Por isso, nosso kit de primeiros socorros pode não dar conta de fechar as feridas e as queimaduras -- elas são de segundo grau, terceiro... O jeito é colaborar com a cicatriz. Nossa reza tem de ser firme, mesmo quando pareça sem sentido, porque o sentimento é mais forte do que a razão no momento do ferir. Quem machuca quem? Não importa, a cura vem de si.

Ao caminhar, nunca sei o que teria sido se tivesse seguido outras placas, outros passos. Não tenho como saber. Tenho de me concentrar, agradecer por ter alternativa, por enxergar, realmente ver. Porque mesmo vendo o que está à minha frente, lados, costas, cima e baixo, muitas vezes não entendo, não lembro.

Minha memória carrega meus anseios, é seletiva, me deduz. Lembro-me do que ainda quero ter, de outro modo, por outro meio. Tenho um baú e mil braços, um para cada alça. Mas eles se entrelaçam, me abraçam, me sufocam às vezes. Se estou aquecida, uso-os para tocar alheios, será que eles querem?, será que eles se sentem bem? Fico caminhando pelo túnel, apalpando as paredes, tentando não olhar reto demais, para que a luz não me tire a possibilidade de olhar para dentro, em volta, o céu e o chão também.

Eu poderia andar para sempre, andarilha. Me sinto viva neste túnel, ele é transparente, nele a chuva entra e faz flores crescerem. Pura vegetação, a poda a cada não pelo não, o adubo a cada sim querendo bem de mim.



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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008


Por que gosto de Clarice



Estou lendo A descoberta do mundo, livro de Clarice Lispector que reúne as crônicas que escreveu para o Jornal do Brasil entre agosto de 1967 e dezembro de 1973. Em sua coluna semanal, a escritora falava com seus leitores alternando a intimidade de uma boa amiga e o estranhamento, a distância de alguém que não queria se revelar totalmente com sua escrita, mesmo que suas palavras fossem as mais profundas e pessoais.

Gosto de Clarice porque ela é intensa e leve, misteriosa e totalmente compreensível, uma mulher que, com todas as suas "feminices", era forte e valente. Me identifico mais e mais a cada texto, quando são explícitos e também quando quase não se entende do que tratam. Por mais vagas que suas frases possam parecer, ela está sempre ali de corpo inteiro, em sentimento, sofrimento, alegria, poesia, pensamento.

Outra característica que admiro é a naturalidade com que Clarice falava das coisas corriqueiras. Não se esforçava, ao escolher um assunto, para parecer uma mente privilegiada -- isso ficava claro durante o texto, mesmo que numa única pinçada de gênio. Era mestre em construir frases inesquecíveis. Teve uma vida interessante, viveu plenamente. Me faz ter vontade de voltar ao seu tempo, só para quem sabe ter uma carta comentada em seu espaço aos sábados no JB.

Obrigada, Clarice.



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Sexta-feira, Fevereiro 22, 2008


Festa da uva


por Flavia Perin, publicada no Diário do Comércio/SP

Região da Serra Gaúcha onde os parreirais dão um charme especial à paisagem bucólica, o Vale dos Vinhedos, localizado entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, vive agora a melhor fase para receber visitantes: a vindima, época da colheita da uva. Até meados de março, algumas vinícolas abrem suas portas para os turistas que buscam saber mais sobre a arte do vinho e, claro, degustá-lo em seus diversos rótulos. É possível pisar em uvas, entender os processos de elaboração, provar a culinária local, tipicamente italiana, e até ficar hospedado em meio aos parreirais.

Um ótimo exemplo é a tradicional Casa Valduga, que comemora a nova safra aos sábados até 8 de março. A R$ 180 por pessoa, as atividades começam com a colazione – café da manhã servido antes do trabalho na plantação, em que são degustados pão, salame, copa, queijo, suco de uva, água, grostoli e torta tirolesa – e duram o dia todo. Depois do café é feita a distribuição de avental e chapéu e os turistas seguem para a colheita. A programação prevê, ainda, almoço na adega, com harmonização de vinhos incluída, visita à Capela das Neves, para conhecer um pouco da história da imigração italiana, o ritual de esmagamento das uvas com os pés e um jantar típico sob os parreirais.

A Cordelier também vem investindo no chamado enoturismo com um programa que se estende o ano inteiro, mas que na época da vindima dá a chance única ao visitante de saborear as uvas diretamente nos parreirais que cercam a vinícola. A R$ 10 por pessoa, tem-se acesso também a toda a parte industrial da cantina, às caves e à loja, sempre na companhia de um enólogo, que se dispõe a acompanhar a degustação e a escolha dos vinhos, caso se pretenda fazer compras. No Ristorante Don Ziero – gasto extra, é claro –, a sugestão da casa é El Piatto de Don Ziero, feito à base de cordeiro.

Além das vinícolas que têm visita guiada e atrações especiais na vindima, muitas permitem visitação e compra de vinhos com desconto e oferecem refeições mediante agendamento prévio. A Vallontano inaugurou, em 2007, um café com cardápio de refeições e lanches, aberto das 10h às 19h, de terça-feira a domingo. Já a familiar Don Laurindo – que produz até vinagre balsâmico e grappa – oferece visitação e degustação dos artigos produzidos, e não cobra a entrada (de R$ 15 por pessoa) se algo for comprado.

Boa safra – A projeção da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale) é de que mais de 30 mil turistas passem pela região no período da vindima, o que representa um aumento de 30% em relação à mesma fase do ano passado. De acordo com a Aprovale, em 2007 foram registrados cerca de 24 mil visitantes nos meses de janeiro, fevereiro e março, um acréscimo de 30% em relação ao trimestre de 2006, que somou em torno de 18 mil turistas. Em 2007, o Vale dos Vinhedos atraiu quase 121 mil visitantes no total, um aumento de 14% em relação a 2006, que chegou a aproximadamente 105 mil turistas.

Somente até este mês de março, as 31 vinícolas associadas à Aprovale processarão mais de 10,5 milhões de quilos de uvas viníferas, o que resultará na elaboração de aproximadamente 7,5 milhões de litros de vinhos finos e espumantes, ou seja, cerca de 10 milhões de garrafas.

Segundo os especialistas, se o clima no Vale dos Vinhedos continuar favorecendo o cultivo da uva, esta deverá ser uma das melhores safras dos últimos tempos. Um brinde à produção nacional!

Miolo dedica um dia aos amantes da bebida


Com roupas especiais, participantes do curso Wine Day, da Miolo, percorrem as cantinas.
(foto de Flavia Perin)

Uma das vinícolas brasileiras mais respeitadas no País e no exterior, a Miolo presenteia os adoradores do vinho com um disputado Wine Day, curso de iniciação à elaboração da bebida. Conduzido pelo diretor técnico da empresa, o enólogo Adriano Miolo, o Wine Day se divide em duas etapas (cada uma a R$ 115 por pessoa). A primeira, sobre brancos e espumantes, foi em 16/2; a segunda será em 22 de março, sobre tintos. Trata-se de uma excelente oportunidade para acompanhar in loco o processo completo de produção de vinhos – da colheita ao envelhecimento.
Antes de partir para a prática, assiste-se a uma aula teórica, com direito a projeção de gráficos e material didático. Em seguida, os participantes vão aos parreirais, onde, após mais informações técnicas, põem a mão na massa, ou melhor, na uva. Com alicate em punho, pode-se colher cachos e degustar a fruta. Certamente uma das partes mais animadas do trajeto!

Tour – Depois da colheita, todos vestem roupas especiais (que garantem a higiene na fábrica) e percorrem as cantinas, ouvindo explicações detalhadas sobre todo o procedimento necessário até se chegar à garrafa – transporte, seleção e esmagamento das uvas, fermentação, só para citar alguns estágios. Ao final, chega-se às caves de envelhecimento e, dali, resta a melhor tarefa: a degustação. Para que se sinta a evolução da bebida, as provas vão do mosto (sumo da uva antes de terminada a fermentação) aos vinhos mais elaborados.

Quem pensou que acabaria por aí a "bebedeira" se engana. A maratona se encerra na Osteria Mamma Miolo, onde a fartura toma conta em receitas aprendidas com os imigrantes da Itália, harmonizadas com vinhos, tudo no embalo de um divertido coral. No encerramento, um certificado é a prova de que se está no caminho certo para, quem sabe, se tornar um sommelier.

Seja um winemaker

A partir de julho, a Miolo, em parceria com o Hotel Villa Europa & SPA do Vinho Caudalie Vinothérapie, promoverá o Programa Winemaker, com duração de um ano, pelo qual é possível criar o seu próprio vinho. O criador acompanha desde a maturação até o envelhecimento de sua bebida, que é produzida em dez caixas e tem rótulo personalizado. O pacote custa R$ 6 mil, que dá direito a três visitas à sede da Miolo, com hospedagem, refeições, transporte, palestras e degustações. Mais informações pelo e-mail escoladovinho@miolo.com.br.

A viagem foi oferecida pela Miolo



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Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008


Curta (nota) sobre longas



Faz tempo que não me empenho em contar aqui do que tenho visto (e gostado) no cinema, então lá vai, em dose rápida!

Só posso estar feliz com as boas novas: dois dos meus atores prediletos estão nas telas, Daniel Day-Lewis em Sangue Negro (There will be blood, no título original), que já entrou na minha lista de filmes que me prendem na cadeira mesmo depois que acabam e para o qual eu lanço a pergunta "Quem é o vilão?" (Ah! A trilha sonora de Jonny Greenwood, do Radiohead, é de acelerar os batimentos cardíacos!); e o novo Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal que está por vir (estréia em maio), com Harrison Ford em plena forma, interaço mesmo sessentão.

> Sangue Negro: veja o trailer alternativo e entrevistas com Day-Lewis e Paul Dano (tão bom quanto na atuação).

> Indiana Jones: assista ao trailer e espere a estréia!

E que venha o Oscar! 8-)



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Domingo, Fevereiro 17, 2008


Sobre tamanho e distância



Sempre acreditei que pequenos gestos mostram muito de uma pessoa. E que pequenos passos podem levar longe. Mas a visão turva dos dias nublados faz com que tudo pareça menos óbvio, que o dia seja comprido demais para pouca expectativa. Porque esperar, já nos disseram, não leva a nada. Se não abre a porta, meu espírito velho se renova a tapa, dói.



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