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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
pensamentos difusos
(num mundo cada vez + confuso)
> diante da tragédia com o avião da tam, fico pensando se é realmente possível que tenha havido descuido nas obras na pista de congonhas, o mais importante aeroporto do país. porque, caramba, não se trata de não fazer direito um estacionamento para cavalos, ou charretes. são aviões, equipamentos de alta tecnologia e que precisam de estrutura idem. e que carregam em média 150, 200 humanos de uma vez!!! estará claro para o mundo inteiro, agora, que este não é o paraíso tropical porra nenhuma, e que aqui as coisas fedem, por mais que as belezas naturais estonteantes façam esquecer, por mais que o brasileiro exxxperrrto tente esconder. quem caiu do cavalo nessa fomos nós, povo do brasil. e que Deus abençoe os parentes das vítimas, amém.
> falando do que vale a pena: o amor. fui ver semana passada uma comedinha francesa chamada Quatro estrelas. nos primeiros minutos fiquei com medo de que fosse mais um filme francês de diálogos intermináveis (e que não levam a lugar nenhum, quase sempre), mas aí o clima amenizou, pasteurizou, e eu até que ri, até que embarquei na idéia de um par que só se encontra de fato no fim, e até que gostei. está provado que histórias de casais que são felizes no final importam, preenchem a gente. o cinema inteiro riu -- estávamos no bombril, platéia mais cabeça --, e todo mundo saiu com um sorriso meio besta da sessão. em meio ao caos da realidade, precisamos de historinhas bobas sim, e que elas nos convençam, amém.
> voltando a assuntos chatos, pero no mucho: buzina nas ruas de SP. venho pensando em escrever um ensaio sobre a buzina, e falar do fascínio que as pessoas têm pelo poder de fazer bi-bi, ou bééé, de seus veículos, do efeito terapêutico que a buzina tem para as pessoas que buzinam -- elas estão descarregando sua raiva, descontando seu ódio em alguém -- e do efeito inverso em que a ouve, a buzina, e no estresse que se provoca em vários seres que são obrigados a ouvir as buzinas sem nem estarem no trânsito! do meu escritório, ouço isso todo dia, o dia inteiro: esse som insuportável, desnecessário. a questão é: vale a pena buzinar? resolve alguma coisa? ou não será que basta disso e as pessoas têm de melhorar, tentar ter bom senso, educação, respeito pelo próximo? digo mais uma vez que uma campanha para reeducar os motoristas paulistanos se faz urgente. e que nossos ouvidos e mentes relevem esse povo que buzina sem critério. assim seja.
> chega, né? até eu me canso de me ler às vezes, imagino você...
:-|
posted by .pin.
7:30 PM
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Segunda-feira, Julho 09, 2007
Ioga para quem não está nem aí
Este é o título do livro que estou lendo e adorando, escrito pelo inglês Geoff Dyer. E esta é a segunda vez que escolho um livro pelo nome e pela capa, sem nunca antes ter ouvido falar no escritor muito menos na obra. O primeiro foi The Buenos Aires affair, do argentino Manuel Puig, de quem virei fã e li outros dois: O beijo da mulher aranha e Boquinhas pintadas. Bem, e daí? Isso prova que sim, podemos escolher (e de fato escolhemos) o que lemos pela primeira impressão, pela capa, pelo título, pela resenha (ou pela orelha). E isso se estende a tudo na vida. Qual a novidade?
No caso do Ioga, fui atraída primeiro pela capa, composta de cores psicodélicas — quando o mais comum no mercado editorial é não ousar demais nas capas. Depois, gostei do título. Me identifiquei na hora! Simpatizei também com o nome do autor. Achei sonoro. E finalmente decidi a compra ao ler a orelha e a contracapa, cheia de argumentos elogiosos, e ver a foto de Geoff Dyer, um tremendo boa praça.
Vamos ao livro. Para quem imaginou um manual de convencimento de não-praticantes a se tornarem iogues, aviso que não tem nada de incentivo ou crítica à prática nestas páginas. Mas o que, afinal, há sobre ioga na história? O autor simplesmente registra, lá pelas tantas da ficção, que nunca fez ioga, apesar de até achar e reconhecer que poderia ser bacana.
(...) “Havia muita gente que gostava de jogar xadrez, e mais gente ainda que gostava de jogar gamão, no qual Jake era igualmente bom. Uma vez ele me perguntou se eu queria jogar e expliquei que não gostava de nada que demandasse muita concentração. Eu nem mesmo praticava ioga. E era praticamente a única pessoa que não praticava. Muita gente praticava, embora não estivesse na verdade praticando. Estavam sempre se alongando e se curvando, ou simplesmente sentados em posições difíceis. Todo mundo tinha uma postura perfeita e andava como se a gravidade fosse opcional, e não uma lei. Eu desejava já vir praticando ioga havia muitos anos — na verdade, fazia anos que eu desejava vir praticando ioga havia muitos anos —, mas eu era incapaz de começar.” (...)
Só esse parágrafo já fez valer o meu investimento — que, afinal, nem foi tão alto. Porque, além de estar adorando a leitura e me identificando com muitas outras visões e experiências de Dyer, tive a comprovação de que sim, é possível não fazer algo que se acha legal sem grandes motivos, mas com toda a confiança de que é válida a decisão tomada. E também, graças aos céus, é mais possível ainda mudar de idéia, quantas vezes forem necessárias. (O protagonista de Ioga faz isso várias vezes, e se sente bem à vontade vivendo dessa forma.)
Por fim, esse livro foi o estímulo que faltava para que eu revisasse minha decisão de não fazer ioga. Tinha que parar com essa bobagem de atribuir só a palavra a um episódio mal resolvido, até porque ele já foi resolvido há algum tempo, e não faz sentido ficar se privando de algo por causa de uma ex-neurose. (Esse seria um outro relato, que quem sabe um dia vira post deste blog.)
Voltando à ioga, se é algo que relaxa, estica, faz você se conhecer melhor, por que não? Agora, então, ainda seria parte do pacote, já que as aulas estão previstas no plano da academia. Para completar, depois de três meses fazendo academia uma pessoa finalmente vem puxar conversa comigo (sim, sou tímida em salas de musculação) e me diz exatamente que “as aulas de ioga começam às 9 da noite, então dá tempo de chegar, às segundas, quartas e sextas. E são muito gostosas”. Gostei da maneira como aquela moça simpática e meio desajeitada (ela vestia a roupa de ginástica enquanto conversávamos) argumentou, em poucas linhas, o quanto seria fácil e prazeroso começar ioga.
Na semana seguinte, lá estava eu, peixe fora d’água, esticando braços e pernas ao som de música zen em plena segunda-feira.
(Mas isso é assunto para outra história...)
posted by .pin.
3:36 PM
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Segunda-feira, Julho 02, 2007
Momento ufa
É muito mais fácil manter um relacionamento quando o sexo não participa, defende Gore Vidal, chamado de "Oscar Wilde americano".
Ok, a gente concorda, mas quando participa tem muito mais graça, né? :P
posted by .pin.
1:02 PM
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