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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Domingo, Abril 29, 2007
se eu digo nao, você sabe do que estou falando
dentro da concha a gente se protege de pessoa doida. que liga e nao questiona. se pergunta "tudo bem?", nao quer resposta, nao se iluda! acha que você é um ponto no ibope. ou uma orelha aberta, apenas. entao na verdade nao liga, nao conta. quem conta a gente sabe, mas nao conta. e no fim é tudo um grande faz-de-conta. somos todos sozinhos desde a placenta. tanto faz se ninguém se importa. pois nao se pode esperar que haja interesse ou resposta. as interrogaçoes povoam o interior do casulo de pedra, tomam conta. vira sempre um empurra-empurra, até que se explode, enche o céu, cai por terra e machuca. olha pra trás e nao se encontra. nada explica. nada mais emociona. nao acredita. cuidado, nao se exponha! mostrar-se é quase pedir me mate, se nao tiver amor. e nao tem, nao, nao tem. nao é assim que se conquista, lembra?, as pessoas sao doidas. e você também, sua mae amém, terapia tá caro, fala com a parede e questiona. quem sabe surge um ponto no meio do branco do nada que sugere um jeito de se acertar as contas? debater sozinho é se bater sem porrada, e sem porrada inês é viva. se há vida há soluçao -- quem arrisca duvidar? o último que o fez está na constelaçao de libra, trocando lâmpada. tá melhor que a gente... que tá na concha já sufocando, querendo sair fora, puxar o carro, se jogar nesse mundo-zona. nao te contaram que você é da vida? aceita migalha por um servicinho, o cliente que manda! nao vem dizer que nao sabia. nao faz essa cara de "eu sou diferente, eu tô em outra". satisfaction, babe, a eterna busca. nem vem com esse papo de amor que nao cola. ame-se e seja feliz com o espelho, ele te basta. poupe-nos de todo egoísmo, prepotência, arrogância. passei batido pra nao sentar a mao na sua cara. disse oi quando queria dizer se foda. nao, nao, nao. nao preciso de ajuda. nem todos os naos deste texto precisam de til para que você entenda.
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7:18 PM
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Sexta-feira, Abril 27, 2007
Momento patati-patatá
Se você quer rir...
Tente ler em papiamento, idioma que mistura português, espanhol, holandês e inglês e é a língua oficial de Curaçao, parte das Antilhas Holandesas e onde, por isso mesmo, também se usa o holandês. Pode-se papiar, ainda, em Aruba e Bonaire - todas as três ilhotas estão pertinho da Venezuela. Mas, enfim, o mais engraçado é que dá para entender! Já imaginei minhas próximas férias, eu na praia de Curaçao, drink numa mão, na outra um exemplar do jornal local, o La Prensa, dando muuuita risada! Quem me acompanha nessa viagem?
Quer ler já o La Prensa?
E quer saber mais sobre papiamento?
Se você quer sorrir e chorar...
Veja o filme italiano Vermelho como o céu, do diretor Cristiano Bortone. Daquelas histórias que fazem ficar mais leve. Foi eleito melhor filme de ficção na 30ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, no voto do público. E uma confissão: lá pelas tantas, enquanto assistia ao filme, me peguei pensando "Que horas é que vai rolar uma tragédia mais forte?"... Mas logo constatei que nem sempre a ficção precisa ter maldade das grossas para ser válida. Ufa!
Em SP está em cartaz no Reserva Cultural (Av. Paulista) e no Cinesesc (Rua Augusta).
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7:29 PM
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Quarta-feira, Abril 25, 2007
Uma capital com 'jeitim' de pequena
-- Gostei demais de Belo Horizonte, gente! - voltei dizendo, com sotaque adquirido em apenas três dias de estada e muito passeio na capital mineira.
Fui ao Mercado Central - onde se vende de animais vivos a especialidades culinárias de Minas, panelas de ferro, artefatos esotéricos e suplementos vitamínicos, e onde também se pode fazer uma produção na cabeleira, em um dos salões de beleza locais - e saí com sacola de queijo de Araxá, pinga Segredo do Patriarca e uma linda passadeira para o chão da minha cozinha.
Caminhei pelas ruas da Savassi, o Jardins deles, charmoso idem e, a diferença, cheio de cafés e livrarias, muitas vezes combinados, e lojas menos pomposas e mais interessantes. As árvores são outro destaque: totalizam mais de 2 milhões, quantidade que é o dobro da área verde recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMC) por habitante.
Achei o povo bonito e bem vestido, salvo alguns exageros femininos, como é de se esperar. E comprovei que uma capital menos pilhada que Sampa ou Rio ganha a vantagem do olhos-nos-olhos das pessoas que passam e se cruzam, porque não correm tanto e porque têm menos medo, estresse, neura.
Assisti ao show do Grupo Uakti, três músicos com M, que inventam seus próprios instrumentos e tocam os convencionais de forma não-convencional. Fazem som com o barulho da água, inclusive. Fazem um som forte e leve. Incrível.
Conheci o Palácio das Artes e seu Grande Teatro, o mais belo de Belo Horizonte.
Almocei muito bem no Lemos Café e no Maria de Lourdes Botequim, deixei café e sobremesa para o badaladinho Ah Bon!, provei o famoso financier (bolinho de amêndoas com nome e pinta de francês) do Graciliano e estive no animado bar Redentor - para não dizer que fui à cidade brasileira que ostenta mais bares no País e desperdicei a chance. E, apesar de satisfeita, ainda volto para testar o pastel de angu, de que nunca tinha tido notícia e agora sei, ufa, que o angu não é recheio, é massa mesmo.
Também comi algodão doce na Praça da Liberdade, conjunto paisagístico e arquitetônico que é o retrato da evolução da cidade: reúne os estilos neoclássico, art déco, moderno e pós-moderno. Sentei num banco da praça para ver não só os prédios históricos em volta (dentre eles o Palácio da Liberdade, sede do governo estadual), mas o cair da tarde e o jeito mineiro de aproveitar um sábado.
O 'jeitim', aliás, foi o que mais marcou a minha viagem. As pessoas falam mesmo daquele modo que faz parecer que você está na roça, entre amigos, num papo maneiro, gostoso como um típico pão de queijo.
Vista da Praça da Liberdade
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11:17 AM
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Quarta-feira, Abril 11, 2007
Nothing But Green Lights
Tom Vek
I can see your eyes from here
I can't see anything imbetween
Everything i thought i ought to know about you has vanished
Like the snow when the sun comes out
There's nothing but green lights from here
Nothing but empty roads
You and i gonna drive ourselves outta this town
In a 1989 black mercedes benz
I can hear your voice from here, girl
And i cant hear no other sound
No need to spend anymore time apart
That's it
I'm not being left out anymore
I gotta hold on whats going on
I've got my foot in the door, so to speak
There's nothing but green light from here
There's nothing but green light from here
From here
...
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11:42 PM
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Terça-feira, Abril 03, 2007
Casos recentes de tietagem explícita
Fui ver 300 só para prestigiar Rodrigo Santoro, sem esperar muita coisa além de vê-lo na tela do cinema internacional. E também para entender o que faz alguns colegas de profissão terem a audácia de alfinetar um ator como ele (inclusive durante a coletiva de lançamento do longa-metragem), levando em conta que ele tem todo o mérito só por ter chegado a tamanha visibilidade, única e exclusivamente por sua competência - lugar a que, alías, poucos brasileiros chegaram. Nem todo o sangue jorrado em câmera lenta me incomodou - muito pelo contrário. Saí chocada, no bom sentido, com a beleza desta produção. E fui espiar o que outros colegas, mais aptos a falar de cinema, tinham a dizer sobre o longa. Recorri ao Merten, crítico do Estadão que sabe tudo do tema, e achei no seu blog a explicação para o que me causou o filme sobre a batalha das Termópolis, quando os 300 melhores guerreiros de Esparta, comandados por Leônidas, derrotaram o exército mil vezes mais numeroso do imperador persa Xerxes, interpretado por Santoro. Aspas: "O filme adaptado dos quadrinhos de Frank Miller é uma das mais extraordinárias experiências visuais a que tive acesso ultimamente. Saí do cinema atordoado com o que havia visto, em termos de imagem e som, e pensando com meus botões que '300' pode ser o limite das novas tecnologias digitalizadas no cinema atual - pelo menos até que surja outra obra limítrofe." Só tenho a acrescentar, sobre a atuação de Santoro - que não atuou em momento algum com outros atores, mas sempre com aquele fundo azul, o croma-key -, que é muita ingenuidade achar que a homossexualidade atribuída a seu rei Xerxes, um gigante de três metros de altura e voz deformada, assim foi representado por descuido ou falta de qualquer coisa. Aliás, arrisco dizer que sua escolha para o papel deve-se justamente a isso: à capacidade dele de viver um tipo como Xerxes - basta lembrar do travesti que tão bem encarnou em Carandiru, a que Zach Snyder, diretor de 300, com certeza assistiu, e onde conheceu a capacidade de atuação do nosso bom garoto superstar.
Quer ler mais sobre 300?
E mais?
O cheiro do ralo fui ver pelo roteiro de Marçal Aquino e por Selton Mello, de quem sou fã. Saí igualmente surpreendida, e até com um certo mal-estar de quem teria sentido o mau cheiro que vem dos esgotos. Adorei o texto, como já esperava, pela força e sonoridade (soa poético até, em algumas partes); os personagens, tão reais que chegam a fazer doer; a direção de arte, impecável; a fotografia; a música; o elenco, com velhos e novos talentos superalinhados. Como já se diz por aí, virou cult. E a gente sabe que não se faz um filme cult todos os dias, ainda mais no Brasil, cuja indústria cinematográfica ainda engatinha.
De Pequena Miss Sunshine se poderia dizer um bando de coisas legais, mas acho que tudo ou quase já foi dito e só reforço que é um show, uma linda história com toda a simplicidade inerente às boas histórias universais, porque nos faz entender que família é mesmo "tudo igual", como os mais velhos falam. A ilustra abaixo, para quem viu este filme, tá explicada. (E quem não viu veja!)
posted by .pin.
7:08 PM
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