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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Quarta-feira, Novembro 29, 2006


Todo se transforma



Jorge Drexler

Tu beso se hizo calor,
Luego el calor, movimiento,
Luego gota de sudor
Que se hizo vapor, luego viento
Que en un rincón de la rioja
Movió el aspa de un molino
Mientras se pisaba el vino
Que bebió tu boca roja.

Tu boca roja en la mía,
La copa que gira en mi mano,
Y mientras el vino caía
Supe que de algún lejano
Rincón de otra galaxia,
El amor que me darías,
Transformado, volvería
Un día a darte las gracias.

Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.


El vino que pagué yo,
Con aquel euro italiano
Que había estado en un vagón
Antes de estar en mi mano,
Y antes de eso en torino,
Y antes de torino, en prato,
Donde hicieron mi zapato
Sobre el que caería el vino.

Zapato que en unas horas
Buscaré bajo tu cama
Con las luces de la aurora,
Junto a tus sandalias planas
Que compraste aquella vez
En salvador de bahía,
Donde a otro diste el amor
Que hoy yo te devolvería

Cada uno da lo que recibe
Y luego recibe lo que da,
Nada es más simple,
No hay otra norma:
Nada se pierde,
Todo se transforma.




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Sexta-feira, Novembro 24, 2006


"The world is yours." Você acredita?



Scarface é daqueles filmes de fazer grudar os olhos na tela e cair o queixo logo nas primeiras cenas. A razão inicial e maior é Al Pacino versão 1983, mais charmoso na medida da sua juventude e no papel do melhor vilão de sua carreira, Tony Montana. Ao mesmo tempo carismático e truculento, o Montana de Pacino é quase caricato na ficção, mas representa com fidelidade atual crime e sociedade. Sua trajetória é uma lição de como o poder pode subir à cabeça e cegar o mais concentrado dos homens.

Indo aos pormenores nem um pouco menores: Michelle Pfeiffer está deslumbrantemente magra e sexy como namorada-junkie-de-bandido; os cenários over são um retrato divertido da cafonice que reinou nos anos 80; Mary Elizabeth Mastrantonio, em sua estréia no cinema, está fofa de tão soltinha como a irmã de Montana (apesar de que ficaria mais apresentável sem o cabelo Poodle, hehe); e o melhor amigo e parceiro, o ator grandão Steven Bauer, convence e arranca boas risadas xavecando as garotas na avenida da praia. Ah, sim, o pano-de-fundo da trama não poderia ser mais apropriado: Miami Beach, como todos os excessos que a cidade e seus néons comportam.

Agora a ficha técnica, a parte dela que vale o ingresso - a locação, no caso:
Direção de Brian de Palma!!!
Roteiro de Oliver Stone!!!!!!
Música de Giorgio Moroder!!!!!!!!

E não me cansarei de repetir que Al Pacino está incrível, perfeito, o máximo!!!!!!!!!!

Quem ainda não viu, corra! Aposto um teco (Hahaha, credo! Vejam bem, só pegando carona na história!) que este será um dos melhores filmes da sua lista.

Curiosidade! A palavra "fuck" é usada 206 vezes em Scarface, um recorde para a época. Até hoje, apenas dois outros filmes ultrapassaram este número: Os Bons Companheiros (246 vezes) e Pulp Fiction - Tempo de Violência, 257 vezes. F***!

Coincidência! Um dia depois que vi o filme, o G1, portal de notícias da Globo, publica em seu canal de Tecnologia: Jogo muda a história de Tony Montana em 'Scarface'. E uma dica: não leia a matéria sobre o game antes de ver o filme, porque, pra não variar no jornalismo de cinema, o texto entrega cenas cruciais e tira uma boa parte da graça de assisti-lo sabendo quase nada!


Que cicatriiiz, ufa!



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Quinta-feira, Novembro 23, 2006


Poesia na calçada



A moça loira
Cabelos desarrumados
do vento e da pressa

Um rapaz negro
Camiseta vermelha
No colo, um maltês

Direções opostas
Olhares cruzados
Passam lado a lado

A moça vira para trás
O rapaz faz o mesmo
Os dois se olham
E seguem

Pela calçada ensolarada
da cidade que não anda, corre
Bastou a curiosidade dupla
E a poesia se fez



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Terça-feira, Novembro 14, 2006


A arte de "Como viver junto"



A 27ª Bienal de São Paulo tem este tema aí do título, entre aspas. Afinal, é possível viver junto num mundo de preconceito, racismo, violência, guerra, desigualdade, segregação, ignorância? Já gostei de cara da proposta; pergunta mais recorrente e atual impossível. Os 118 artistas tiveram suas obras distribuídas em duas partes: de um lado quem acredita no viver-junto; de outro, quem está desiludido com o rumo do mundo. O resultado, se é que se pode falar de forma abrangente de uma exposição desse porte, são trabalhos que instigam, chocam, revelam e provocam. Programa imperdível para quem se interessa pelo andar da carruagem mundial (essa desgovernada).

Uma lista de alguns artistas que me impressionaram e eu destaco:
*Apesar de que ficou faltando o 3º andar; não consegui visitar tudo em 3 horas!

Helio Melo, Acre, Brasil
Suas pinturas retratam o cotidiano nos seringais de forma bem-humorada e singela. Em seus quadros, muitos deles pintados a lápis e tinta extraída de uma planta nativa, cavalos têm capacidades humanas e convivem com o homem quase em pé de igualdade. História e crítica social retratados de maneira quase inocente, por um artista que só foi estudar o ofício com mais de 50 anos de idade, mas já pintava nas horas vagas de seringueiro, catraieiro, barbeiro e vigia - funções que desempenhou antes de e durante sua arte.

Antoni Miralda, Espanha
São dele os pratos recheados dos mais engraçados e bizarros conteúdos. Gente de várias partes foi convidada a participar de sua obra - Cidade do México, Caracas, Lima, Bogotá e Havana, mais as brasileiras Belém, Rio, Brasília e Salvador. As fotos sobre o tema "Sabores e Línguas" também são ótimas. Miralda criou o Food Pavilion da Expo 2000 de Hannover, de onde surgiu o FoodCulturaMuseum, sediado em Barcelona.

Susan Turcot, Canadá
Para a Bienal, fez residência artística no Acre, o que resultou em desenhos que contrapõem a condição indígena e a construção da Transamazônica. Eu diria: traço minimalista e profundo (ai, que medo de falar bobagem maquiada de papo-cabeça!).

María Galindo, Bolívia
É fundadora do coletivo feminista "Mujeres Creando", em suas palavras "uma estratégia de luta que tem como núcleo a criatividade". Escreveu relatos fortíssimos - denúncias de violência e abuso contra mulheres - pelas paredes da sala da Bienal dedicada às suas obras, que incluem fotos das pessoas a que dizem respeito os textos em formato de carta.

Simon Evans, Inglaterra
Evans faz mapas enormes e detalhados usando papel picado, fita adesiva, caneta e liquid paper. Mas são mapas beeem diferentes, verdadeiras viagens sobre a sua forma de ver o mundo. O mapa-múndi, por exemplo, virou uma ilha levemente parecida com São Francisco, e que tem bairros como o Purgatório, "Bohemian Poor" e "Lip Service".

Narda Alvarado, Bolívia
Esta foi a artista com quem eu mais me identifiquei! Desenhos coloridos, meio infantis e super bem-humorados apresentam idéias boas, não tão boas e ruins para o mundo. Tudo com um toque sutil de ironia. Também há, na sua terceira e última sala, maquete, plantas e uma apresentação em 3D da "Construção para morar só e se tornar sensível (como um poeta)". Segundo Narda, um lugar triste. Mais um banho de criatividade e doce sarcasmo.





Espero vir com mais depois da minha 2ª visita! ;)

Serviço A 27ª Bienal vai até o dia 17/12; fds e feriados das 10h às 22h, e de graça! [www.bienalsaopaulo.org] Corra!!!



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Sexta-feira, Novembro 10, 2006


O mestre Rosa & pinlogismos



Faz algum tempo, muito tempo, gosto de inventar palavras. Sem pretensão de nada, só o mínimo: que uns 5 ou 6 amigos entendam o que falo. Mas, confesso, se ouvisse alguém usando invenção minha no ponto de ônibus não acharia nada mau! Ahaha! Enfim, o barato é mesmo exercitar a cabeça, brincar de língua do pê e poder falar coisas em qualquer lugar sem que intrusos captem a mensagem. Nenhuma novidade.

(Bem, ontem mesmo criei duas novas que quero divulgar. Este espaço não é campeão de audiência, ok, mas não custa tentar por esta via.)

A graça da história é que hoje abro a Superinteressante e está lá, na seção "Superfetiche", uma materinha falando justamente de criar palavras. O mote da reportagem é ninguém menos que Guimarães Rosa e seu Grande Sertão: Veredas, "um livro tão importante para o Brasil quanto Dom Quixote para a Espanha e Crime e Castigo para os russos", tá dito. "Para reproduzir o jeito sertanejo de falar, Guimarães Rosa, fluente em 6 idiomas, inventou uma língua própria." Agora a novidade, pelo menos para mim: o livro guarda a maioria das mais de 2 mil palavras criadas pelo autor. Duas mil? Ufa! E eu que inventei meia dúzia e tava me gabando! Hahaha. Gênio é gênio e ponto final.

Ah, e antes que eu me esqueça, algumas de minhas criações suuuperinteressantes: (hahaha!)

Pitibasi Alguém tem uma reação inesperada e pouco coerente diante de uma ação ou fato. Nada de grave, só auê de descarrego. Esse é o momento-chave: "Ah, não liga pra Fulano! É só um pitibasi!" *O método usado para esse neologismo é o "Corte e cole", abordado pela revista e atribuído ao mestre Rosa; logo, pitibasi = piti + básico.

Boragora Você convida o amigo pra dar uma volta, ir a uma festa, mas a pessoa enrola, tá indecisa e o tempo passa. Palavras de ordem como "vamos" ou "já" não surtem efeito, bobagem repeti-las. Experimente, então, chegar bem perto do ouvido esquerdo do ser atrasante e dizer num tom um bocadinho mais alto "Siclano, é boragora!". Ele irá com você aonde for ou desistirá na hora.

Umblablá Conversa nem mole nem séria, apenas jogada fora e sem compromisso com nada. Muito útil para explicar algo que não se quer ver (às vezes por pura preguiça) explicado. Exemplo: "O que vocês conversaram, afinal?" / "Ah, nada não. Foi umblablá e só."

Oblablá Papo importante, daquele com data e hora marcadas. Geralmente é o que resolverá as coisas, esclarecerá tintim por tintim, colocará os pingos onde se deve. A utilidade da nova palavra é dar um ar menos pesado a conversas muito temidas. Ex.: "Mas o que você quer comigo?" / "Fica frio, cara. Depois d'oblablá tudo vai estar melhor e a gente pode até tomar uma cerveja!"

Quem adota? :P





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Quinta-feira, Novembro 09, 2006


Amor fati



"...não querer nada de diferente, nem para frente, nem para trás, por toda a
eternidade... Não apenas suportar aquilo que é necessário, muito menos
dissimulá-lo - todo o idealismo é falsidade diante daquilo que é necessário
-, mas sim amá-lo..."

Nietzsche e sua fórmula para a grandeza do homem



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Quarta-feira, Novembro 01, 2006


A sabedoria de Calvin!





Ha ha ha!



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