.pin.k lens.
corner



HOME

ARCHIVES


Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Segunda-feira, Agosto 28, 2006


"Menina, isso é rock'n'roll!"



Não costumo pagar de tiete, mas é que me movem pra frente e pra cima pessoas que gostam do que fazem.
E dá pra notar, em um único show, que o negócio da banda Motores é mesmo rock.

Bem-vindo ao caos

Bem-vindo ao caos
Bem-vindo ao mundo real
Bem-vindo ao caos
Bem-vindo ao lixo industrial
Bem-vindo ao caos
Bem-vindo à era espacial
Bem-vindo ao caos

Bem-vindo ao chão
Que às vezes foge dos meus pés
Bem-vindo ao chão
Que vc insiste em dividir
Bem-vindo ao chão
Em que pisamos toda vez
Bem-vindo ao chão

(refrão)

Bem-vindo ao mundo que te fez
Bem-vindo ao mundo
Que vc poderá fazer

+...
e +!



Comments:

Quinta-feira, Agosto 24, 2006


Minha última matéria escrita para o jornal Cultura News, da Livraria Cultura, publicada na edição deste mês:

Sobre camelos e homens

:)



Comments:

Quarta-feira, Agosto 23, 2006


Voluntariado é troca
De graça
O voluntário atinge
o que se chama por aí
de estado de graça


As crianças estavam sentadas em fileira, olhos atentos à professora, quando dois voluntários de camiseta verde entraram na sala de aula. Dava para ouvir a euforia com a visita do lado de fora da classe. O meu papel era simplesmente acompanhar a ação: cerca de duas dezenas de pessoas vão à mesma escola durante um ano, uma vez por mês, ensinar a crianças de 1ª a 4ª série a como respeitar e colaborar com a preservação da natureza.

Os voluntários apresentam aos alunos atividades lúdicas, filmes e peças de teatro sobre temas como água e reciclagem. Mas descobrem que é preciso mais para conquistá-los: vontade sincera de estar ali, junto deles, e contato, contato de verdade - o que inclui colo, beijos e abraços.

Passei de sala em sala, eu e outras duas pessoas que se encarregavam de fotografar e filmar tudo, e em cada uma delas dezenas de pequenos me olhavam sem ressalva. Olhares diretos, curiosos, capazes de me deixar um tanto sem graça. Alguém já passou pela experiência de ser o único foco, mesmo que por instantes, de um monte de crianças? Eu nunca havia passado, e talvez isso explique a minha sensação de invasão diante desses olhos.

Mas, que fique claro, falo de uma invasão boa! Diante de uma criança atenta, todo adulto que se preze tenta fazer o seu melhor. E quem pensou em esforço, num movimento mecânico e programado do adulto em questão, está enganado, sinto dizer. O mérito é todo delas, que conseguem sim arrancar com graça o mais verdadeiro dos gestos: um sorriso, um abraço, um beijo, uma palavra de alegria ou carinho, tanto faz. Não há como não responder na mesma espontaneidade a uma criança que pede um beijinho de tchau e agradecimento pelas poucas horas divididas.

E foi isso mesmo que aconteceu. Eu, que nem vestia camiseta verde de "tia", de repente senti alguém puxar a minha blusa: era uma garota de uns 6, 7 anos, que me pedia um beijo. Numa situação dessa, pode-se pensar em recusar? Me senti importante como poucas vezes havia me sentido. Importante no sentido de querida, admirada, respeitada. Quantos adultos têm a capacidade de provocar sentimentos tão gostosos e sinceros numa desconhecida?

Quis contar isso antes, mas achei que meu relato poderia parecer batido, piegas. Só me convenci a escrever depois que me peguei com saudades, muitas saudades de estar perto daquelas crianças da Escola Estadual Carlos Drummond de Andrade, em Mauá, São Paulo.



Comments:

Segunda-feira, Agosto 21, 2006


Derretendo satélites


Herbert Vianna / Paula Toller

Abro com as mãos, te deixo olhar
Te levo pra dentro devagar
Sempre venho aqui nesse lugar
Tomar xerez da tua boca
Provar o sal do mar, mostrar um verso
Provar um amor eterno

Onde a sua mão está agora
A minha você sabe bem
Quanto mais tempo demora
Mais violento vem

Falando absurdos
Virando a noite
Perdendo o senso
Derretendo satélites

Falando tudo
Voando à noite
Ouvindo estrelas
Derretendo satélites

Uma vez, dez, quinze, vinte, tanto faz
Não tenho mais nada pra fazer
Estou aqui pensando em você
Deixando a água correr
Provei o mar, mostrei um outro verso
Provei um amor eterno

Onde a sua mão está agora
A minha você sabe bem
Quanto mais tempo demora
Mais violento vem, meu bem...



Comments:

Quinta-feira, Agosto 17, 2006


Guarda-toda



Ficou horas e dias pensando num lugar para guardar aquela preciosidade toda. Precisava ser um local seguro, limpo e grande, bem grande. Prateleiras e adesivos eram dispensáveis, já que classificar coisa por coisa daria um trabalho enorme e poderia pôr tudo a perder se fossem, por exemplo, dados os nomes certos aos bois errados - e vice-versa.

-- Bote aqui mesmo, no meio da sua sala, mas tome o cuidado de cobrir com um lençol branco, para proteger da poeira e dos raios de Sol que invadem pela janela e fazem desbotar as cores. - disse sua consciência.

-- Sim, pode ser, mas eu estou de saída, o mundo me chama lá fora. Não é arriscado deixar tudo aqui sem poder trancar a porta? - respondeu Joana, com o semblante caído dos que se preocupam.

-- Que nada, você não tem a cópia dessa relíquia? Eu sei que sim, e onde ela está não há como a roubarem, ou a levarem embora. Nem que tentem seguir as pistas mais óbvias, nem que descubram seu esconderijo e ameacem arrombá-lo.

Neste momento, o sorriso da moça se esticou numa medida que cobriria de Erechim a Bahia.

-- Mas, o que estou dizendo, disso você já sabe. Ao menos deveria. - complementou a consciência no costumeiro tom de professora.

A moça concordou com os olhos e começou a juntar cada detalhe na caixa transparente que sua casa acomoda. Apesar de respeitar as opiniões de sua consciência, sentiu uma vontade trêmula de dispensar qualquer tipo de proteção e oferecer seus pertences a quem interessa. Restava saber se seria doação ou troca. Num suspiro, ela mesma obteve a resposta: "Não importa."



Comments:

Quarta-feira, Agosto 09, 2006


As palavras que vão e vêm


para Mabizinha Cacaca (sim, again)



As palavras erram
quando as letras
de um mesmo texto
não se conhecem
entre si.
Só estão juntas, ali,
porque uma cabeça quente
deixou
que sentimentos confusos
escapassem
de um coração triste
tão solitário
que quis fugir pela boca nervosa
e pelo dedo em riste.

As palavras se perdem
se não seguem o bem.
Aquele abraço gordo.
O sorriso doce.
Um olhar que pisca...
Pisca.
Jato de ar quente
saindo do peito ardente
até os buracos do nariz.

As palavras ferem
se não aceitam porém.
Porque
por mais que contenham verdade,
sempre existem outros lados.
Dois,
quatro,
dez,
cem.

As palavras
às vezes esquecem
o poder que elas têm.
Vão tropeçando
em pequenezas
de uma alma que pesa
e,
desesperada,
necessita
descarregar-se em alguém.



Comments:

Sexta-feira, Agosto 04, 2006


Salpicão de idéias



Junte palavras soltas na cabeça e no espaço.
Bata tudo e bote pra ferver.
Tire da fôrma sem se preocupar com a forma.
Deixe a massa cinzenta espalhar.
Adicione uma pitada de absurdo e um punhado de nonsense.
Decore com ironia.
Acrescente umas lascas de múltiplos sentidos.
Sirva a quem tiver fome de pensar.

*Comer de boca aberta.*

"Huuummm, delííícia! Uh-lalá!"

Dica da chef: Depois, tome um chá pra acalmar a barriga e fazer o cérebro devagarinho sossegar.



Comments:


Mestre Quintana



No último dia 30, Mario Quintana teria completado 100 anos de vida e de belas palavras...

O poeta gaúcho costumava dizer que a contradição era necessária ao poeta. Amava e odiava o mundo. Acreditava e desacreditava em Deus. Via o tempo como uma invenção da morte, mas escreveu que, na vida, basta um momento de poesia para garantir a eternidade.

Salve, mestre!

"Os poetas
jogam os poemas
sobre as águas do mar.
Na praia do Mar do Tempo,
que versos irão chegar?"


E sobre o amor...

Bilhete

"Se tu me amas,
Ama-me baixinho
Não o grites de cima
dos telhados,
Deixa em paz os passarinhos.
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
Enfim,
Tem de ser bem devagarinho,
...amada,
...que a vida é breve,
...e o amor
...mais breve ainda."




Comments:

Quarta-feira, Agosto 02, 2006


Além-olhar



Cena 1
Uma mulher, de perfil para a câmera, traga seu cigarro lentamente, e faz um semicírculo com a fumaça, baixando a mão da boca até a altura da cintura num movimento vagaroso e delicado.
Duração: alguns segundos, ou minutos - mas no máximo 2.

Cena 2
Uma mulher tem seus olhos focados pela câmera e eles estão tão próximos e ampliados na tela que é possível ver com exatidão o tom de azul claro, a sua expressão, as rugas, o rímel carregado.
Duração: alguns segundos, ou minutos - mas no máximo 2.

As duas cenas descritas têm em comum, como fica claro, o tempo, o ritmo, o foco no detalhe (que, como todo e qualquer detalhe, normalmente passaria "batido"). Em ambas, o ato de fumar e o olhar dessas mulheres são postos em primeiro plano de modo a causar estranheza ao espectador mais ansioso ou desavisado. Mas as cenas, é bom frisar, pertencem a filmes diferentes: 2046 (1) e Bubble (2).

Sim, são filmes diferentes, bem diferentes, a começar pela origem - China e Estados Unidos. As histórias também são bem diferentes e levam a caminhos que pouco provalmente poderiam se cruzar. Mas a forma como as duas tramas são captadas fazem com que as duas obras possam ser comparadas e "cruzadas" - na audácia desta análise, de alguém que gosta de cinema, mas está longe de ser uma especialista.

Quem se lembra com exatidão, em cada detalhe, d-i-r-e-i-t-i-n-h-o como é o tragar ou o olhar de alguém - não vale citar namorado/marido/amante! Por quantas vezes se tem a oportunidade de analisar um gesto, um movimento, uma reação de maneira minuciosa. Quantas conversas hoje em dia são marcadas por períodos de silêncio, de reflexão, de apenas sentir a vibração de uma respiração ou a batida do coração, sejam as suas ou as do outro? Vivemos tempos de PRESSA (em caixa alta pra destacar mesmo!), em que um atropela a fala do outro, não há tempo para se pensar antes de proferir a melhor resposta, não se repara que muitas vezes a boca diz algo que os próprios olhos (ou mãos, ou o corpo todo) desmentem. Não temos tempo para detalhes pequenos de nós dois, muito menos de outrem. Estamos numa época em que pouco se olha, pouco se espera, pouco se pensa antes da próxima frase ou passo.

É por isso que 2046 e Bubble são como treinos de outra forma de ver a vida. É por isso que eu os considero necessários. E é por isso também - e infelizmente - que muitos se levantam no meio da exibição na sessão de cinema.

2046, de Wong Kar-Wai
China, 2004
Com Toni Leung, Gong Li, Faye Wong, Maggie Cheung

Bubble, de Steven Soderbergh
Estados Unidos, 2005
Com Dustin James Ashley, Debbie Doebereiner, K. Smith, Misty Dawn Wilkins



Comments:



This page is powered by Blogger. Site Meter