.pin.k lens.
corner



HOME

ARCHIVES


Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Sexta-feira, Julho 21, 2006


O realejo


de Carlos Felipe Moisés

O realejo
lembra alguma coisa,
uns braços nus,
o rosto alheio,
jamais tocado.

(...)

O realejo
não lembra nada.

(...)

O realejo lembra,
sim, alguma coisa
que não vale
ser lembrada.





Comments:

Quinta-feira, Julho 20, 2006


A guerra nossa de cada dia



*Publicado, tempos atrás, no site Morfina. E que tanto tem a ver com os tempos atuais, de gente que vive a guerra querendo (e alguém quer?) ou não querendo, de noite e de dia.

O despertador toca e Angélica acorda num susto. Pensa, ainda de olhos colados: "Mais um dia se inicia, lá vou eu para a batalha."

Depara com o espelho, antes de entrar no chuveiro, e conclui que só sendo lavado seu cabelo ficará apresentável. O choque da água fria na cabeça que faz todos os pêlos ficarem de pé serve pra espantar o mau humor matinal.

Pronta a toque de caixa, sai cinco minutos atrasada, iogurte e colher de plástico na bolsa e, assim que desponta da garagem, um pedestre desatento quase tromba com seu carro. Ele faz um gesto mal educado, ela xinga em pensamento: "Vá se catar!".

Já no trabalho, é telefone, é o chefe que cobra, são os colegas que atrapalham sua concentração, a Internet que é lenta, o Word que trava. Na proteção de tela, a foto daquela praia paradisíaca, Angélica olha e suspira: "Ê vida de gado, até quando vou suportar...".

Hora do almoço, pede chinês pra não perder tempo, vários projetos inacabados com prazo apertado pra entregar. Enquanto come o yakisoba requentado no microondas, abre um site de notícias pra ver as últimas fofocas do mundo das celebridades. Mas assaltam o seu olhar: "Tropas do Exército ocupam Morro da Mangueira, no Rio"; "Garoto vê carro-bomba após explosão em bairro de Bagdá". Sente pena da situação da humanidade, mas logo se desvia, põe pasta na escova de dentes e levanta pra escovar.

Acaba o expediente, a rotina no trabalho, como sempre, foi quente, discussões de idéias, gente que preferia distância na cadeira ao lado, cliente que só sabe reclamar.
Antes de voltar pra casa, lembra de devolver o dvd na locadora, atrasou dois dias na entrega e mesmo assim não conseguiu ver o Almodóvar. "Raio de multa, paga à toa..."

Está na calçada de uma avenida agitada, ainda terá de passar na farmácia, um moço de prancheta em punho pára Angélica, se colocando na sua frente, feito estátua. Tentando desviar, o salto do sapato apertado vai direto num buraco, a moça, muito irritada, quase despenca, solta um palavrão dos mais sujos, e, como já odeia pesquisas de rua, olha pro rapaz com cara de "Vou te matar!". Num disparo, ele pergunta: "A senhora é contra o desarmamento?" Angélica, instantânea, com jeito de fofa, faz uma pombinha com as mãos bem diante do peito e responde "Magina! Eu sou da paz!".



Comments:

Segunda-feira, Julho 17, 2006


Ai de nós que somos estranhos



Eu, você e todos nós é daqueles filmes que se ama ou se odeia. Eu fico no primeiro grupo - gostaria de ter a sensibilidade e a audácia de fazer uma história aparentemente sem pé nem cabeça e banal mas que leva, com naturalidade - e ainda com humor, personagens muito reais, histórias palpáveis (apesar de a princípio parecerem um tanto absurdas) e imagens ímpares -, a refletir sobre as estranhezas de cada um (ou melhor, de todos nós) e, de forma ampla, sobre a condição humana. Quem nunca pensou coisas patéticas e horríveis? Quem não tem tiques estranhos a ponto de só ser capaz de reproduzi-los entre quatro paredes? Quem não se sente, menos ou mais, mesmo que só às vezes, completamente sozinho e incompreendido? Quem nunca agiu de maneira incoerente, teve vontade de dizer as primeiras e maiores bobagens que vieram à cabeça, agarrou (ou quase) um estranho? Conclui-se o óbvio: quem acha que não é estranho é que é estranho, muito estranho. Estranho, no dicionário: desconhecido, obscuro, misterioso. Numa tradução livre, o que é do outro. Logo, se não é próprio, é estranho. E o "todos nós" do título inclui eu e você, sim senhor, por mais que você rejeite a idéia, por mais que você me ache estranha.

*Uma surpresa incrível (que tive): a atriz principal com jeito e cara de fofa é também a diretora e, mais ainda, é artista plástica assim como sua personagem. Estamos falando da americana Miranda July, que pode ter seu trabalho conhecido no acervo permanente de museus de peso como MoMa e Guggenheim, em Nova York, ou no seu site: www.mirandajuly.com. Além disso, nas telas, claro!

Eu, você e todos nós, de Miranda July
Estados Unidos / Reino Unido, 2005
Ganhador da Câmera de Ouro em Cannes
Com Miranda July, Brad William Henke, Brandon Ratcliff,
Carlie Westerman, Hector Elias, John Hawkes,
Miles Thompson, Najarra Townsend, Natasha Slayton e Tracy Wright.





Comments:

Sexta-feira, Julho 14, 2006


I love Tommy!


ou O melhor amigo nem depois do enterro abandona

Sim, Três enterros tem um quê de morbidez, como o título sugere, mas isso, neste caso, é um detalhe (importante, mas não mais do que outros aspectos do filme). A quem ainda não o viu, as apresentações: Tommy Lee Jones segue impecável como protagonista (sua atuação foi premiada em Cannes e eu digo que é a melhor de sua carreira), e também assina a direção com maestria. Barry Pepper, que fez o pouco assistido "Desafio no Ártico", não deixa por menos na interpretação do patrulheiro grosseirão, convincente a ponto de arrancar do espectador, com naturalidade, sentimentos como ódio e pena. As duas mulheres que compõem a trama provam, através de suas personagens, que nem tudo é o que parece - ou que, melhor dizendo, parecer frágil ou forte nem sempre diz tudo sobre uma pessoa. Ah, claro: há Melquíades Estrada, personagem central do roteiro premiado em Cannes - o roteirista é Guillermo Arriaga, dos ótimos "21 gramas" e "Amores brutos" -, um mexicano que... Bem, se eu disser mais corro o risco de estragar a surpresa e parecer sinopse dos guia das Folhas e dos Estados da vida.

Prefiro ir mais fundo. A fotografia e os cenários, meu Deus, fazem quem já foi ao México ter saudades - e quem não foi ainda pensar na possibilidade. A história é forte e o tom, sutil - mais um paradoxo do longa -, apesar de algumas cenas conterem certa violência e crueldade. (Nada, porém, que já não se tenha visto no Cidade Alerta.) Esse é um daqueles filmes que alternam tapas na consciência com momentos de contemplação e tempo para refletir sobre questões como amizade, o valor da palavra, preconceito, solidão, amor... E não estranhe se, lá pro final, deixar escorrer uma lágrima. Sensibilidade é outro ponto alto da filmagem, refletida nas escolhas certas de linguagem, forma etc.

Ah, e quem for ver e sair do cinema perguntando "cadê um dos enterros?", volte aqui e leia isso: o primeiro deles não é mostrado, ou é mostrado rapidamente, mas ocorreu - pensando um pouco se conclui isso com facilidade. E se não chegar à resposta me diga e eu conto! (Tive de procurar na net essa informação, ou seja, nem sou tão perspicaz assim, hehe!)

Três enterros
EUA/França, 2005
Direção: Tommy Lee Jones
Com Tommy Lee Jones, Barry Pepper, January Jones



Comments:

Sexta-feira, Julho 07, 2006


Poesia de bootkin


para Mabizinha Cacaca



Ipê roxo

rosa



Lua crescente

luminosa



Botas estalando

No caminho de volta



Mostra-a-mim

Simplesassim



Funk não é bossa nova.





Comments:

Terça-feira, Julho 04, 2006


A palavra é...



Sarau Festa ou concerto noturno, em casa particular, clube ou teatro. Noite dessas estive em um evento literário que se dizia um "não-sarau". Logo no começo da explanação de uma escritora/organizadora foi levantada novamente a questão: "Este é um não-sarau, um sarau envergonhado." Com a reação da platéia, foi além dizendo que se tratava de um sarau "f.d.p.". Como se fosse vergonhoso organizar/participar de um sarau, como se a proposta original não fosse boa - até onde sei, promover a arte sob qualquer forma, mais usualmente a literatura. Se hoje essa palavra tem caráter vexaminoso, juro que eu perdi a origem da má-fama. (E aceito quem me explique o fenômeno!)

Trânsito Movimento, circulação, afluência de pessoas e/ou veículos. Alguém disse que uma pesquisa deu conta de que o paulistano está entre os mais agressivos motoristas. Quem tem carro e mora na cidade acredita sem nem ver números ou dados concretos, só pela experiência no dia-a-dia. Pois eu acho (e não sei se já existe alguma iniciativa do gênero) que é mais que hora de pensar numa ampla campanha de reeducação no trânsito, antes que testemunhar pessoas descendo de seus carros em plena rua e se esmurrando (pra não falar se matando) seja cena corriqueira. Lembro que quando era pequena fui ao Detran e participei de atividades divertidas e construtivas, mas confesso que, hoje em dia, mesmo com o melhor dos humores e a música mais agradável no toca-fitas, é difícil controlar o ímpeto de querer passar por cima de outros carros, motos e as respectivas pessoas ao volante!

Copa Não recorri ao dicionário neste caso porque todos nós estamos carecas de saber o que significa! Eu poderia dizer tudo o que penso e sinto em relação ao desempenho do Brasil na Copa do Mundo, mas diante do artigo de Arnaldo Jabor no Estadão de hoje, prefiro somente recomendar a leitura. Está tudo lá, do jeito que gostaria de ter escrito!



Comments:



This page is powered by Blogger. Site Meter