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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Sexta-feira, Junho 30, 2006
Algumas idéias atrás...
tive uma idéia no banho, enquanto me ensaboava. de tanto que me empolgou, até perdi a conta de quantas vezes já tinha lavado as partes. fiquei rodopiando no box, deixando a água cair, lavando a alma. mas saí do chuveiro e não anotei o click. a idéia foi pro ralo.
pensei numa história que tinha começo, meio e fim. me distraí com alguma música, ou mosquito, ou o celular. a historinha não começou, pulou o recheio e acabou, sem tchau, choro ou vela. fui traída por mim, que às vezes fico me chamando e vou, sem destino... e me largo.
tive um estalo antes de pegar no sono, quando o cérebro estava entre ativo e desligado. quase levantei e fui pegar bloco e caneta. mas antes peguei no sono, assim que virei pro lado. acordei e não lembrava nem do que tinha jantado. o estalo fugiu, não o encontrei nos sonhos nem na realidade. o pesadelo roubou aquela inspiração, a sugou pros arquivos inacessíveis do meu cérebro. não deixou nem rastro.
um pensamento antigo é sábio e deve ser respeitado: nunca confie na sua memória. nem na minha. (os neurônios mandam dizer "obrigado".)
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3:22 PM
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Quarta-feira, Junho 28, 2006
vazão
quer
saber
onde
estou
nunca
viu
não
achou
fora de mim
fuga em ti
longe'aqui
po
ta
queo
pa
riiiiiillllll...
meninafalapalavrão?
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4:57 PM
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Sexta-feira, Junho 23, 2006
Sampacaos
No dia 15 de junho de 2006, 3 milhões de fiéis estiveram na Avenida Paulista, São Paulo, para marchar por Jesus.
Algumas centenas de garis passaram o dia seguinte inteiro limpando algumas boas toneladas de lixo que restaram na via símbolo do paulistano, palco de toda e qualquer manifestação popular na metrópole,
para que mais 2,5 milhões de gays e lésbicas se manifestassem no sábado, dia 17, em meio a trios elétricos, alegorias e glitter.
Sampa é de todos.
***
Novamente São Paulo, 23 de junho. Um vazamento de gás de um caminhão que tombou na Marginal Pinheiros faz a cidade acordar com a sensação de que c****** no mundo ou, depois de saber a causa do mau-cheiro insuportável, isso aqui não tá virando Auschwitz: já virou, já era.
Sampa não é pra qualquer um, mermão.
*São 9 e poucos da manhã e eu estou no carro, cruzando a Avenida Brasil, quando vejo um mendigo na calçada com cara de não-tô-entendendo-nada. Imagino seus pensamentos... "Meu Deus, eu devia ter tomado mais banhos naquele abrigo... Acho que agora eu tô fedido de podre mesmo, ferrou de vez, tô me decompondo..."
Ser mendigo não é pra qualquer um, não...
**E eu quero a minha parte numa passagem pra algum lugar que tenha muitos jardins floridos!
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6:24 PM
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Quinta-feira, Junho 08, 2006
Viva Carpinejar
Pra quem não conhece, apresento o escritor Fabrício Carpinejar. Gravei esse nome desde que li seus textos pela primeira vez.
E não vou esconder ou fazer rodeios: me deixa feliz saber que há um pedaço de mim em Car.pin.ejar. Besteira? Pequenas coincidências me alegram! :)
Há tempos queria indicá-lo aqui, mestre que é. Sem nome, texto publicado domingo (4/6) no jornal Zero Hora e republicado no blog dele, é o meu último eleito e a dica da vez.
Deleitem-se!
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4:48 PM
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Terça-feira, Junho 06, 2006
A felicidade cadê?
Dizer se um filme é bom ou ruim, salvo quando se fala em obras-primas ou tosquices absolutas e evidentes, é tão arriscado quanto apontar qualquer outra preferência - opinião cada um tem a sua. Mas isso não me impede de vir escrevendo sobre os filmes a que assisto, elogiando ou gongando. Pois fui pesquisar no senhor Google sobre A janela da frente e me surpreendi: a maioria das críticas considera o filme melado demais. É verdade, pode ser. E eu arrisco: vi, veria de novo, adorei. Lasquem-se os críticos. (Sempre achei que muitos deles são cineastas frustrados, contando em seus textos a história inteira - e estragando a surpresa - dos filmes, em sites que ninguém lê! Ou melhor: eu lia! Porque tinha de pesquisar pra escrever minhas matérias no ex-trabalho, textos sobre lançamentos em dvd...)
Voltando: eu adorei La finestra di fronte (título em italiano, idioma original do longa-metragem) pelos personagens, pessoas bem reais, pela sutileza dos movimentos, e porque ele me prendeu, emocionou e fez pensar - mérito que eu mais busco e admiro na literatura e no cinema. É bacana ser espectador, ver a vida dos outros e tirar lições para si. É incrível como se constata, neste filme, que temos a mania, todos nós, de achar que o que é dos outros é melhor do que o que é da gente. Uns mais, outros menos, mas todos já se pegaram com esse pensamento, que pode ter sido mais presente na infância, ok. É algo humano, certo? O fato é que Giovanna, a protagonista, nos ensina, entre outras coisas, que tentar achar a solução (leia-se felicidade) da nossa vida na casa do vizinho pode ser um erro e um acerto. E que nem sempre há respostas pras nossas dúvidas, pros nossos anseios - o que não impede que sigamos as buscando, dentro de nós mesmos ou olhando através de janelas.
A janela da frente, de Ferzan Ozpetek
Itália/Inglaterra/Turquia/Portugal, 2003
Com Giovana Mezzogiorno, Massimo Girotti, Raoul Bova e Filippo Nigro
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6:00 PM
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Quinta-feira, Junho 01, 2006
O galo da Bela Vista
*Este conto é baseado em fatos reais.
Ele canta de dia, no meio da madrugada, às vezes no cair da tarde. Desde que chegou à grande cidade, perdeu seu timing. Quem lhe ensinou a palavra estrangeira, aliás, foi um cão de raça, freqüentador do parque onde vive o galo Nono Garibaldi desde que deixou a roça.
Mal aportou na metrópole - e este é outro termo que aprendeu na nova fase -, o galináceo já mudou de hábitos. (Tanto é que ampliou o vocabulário.) Aprendeu, na marra, alguns macetes para garantir a sobrevivência. Acostumou-se à dura realidade: num mundo tão competitivo, é preciso matar um leão por dia, como os mais civilizados falam. E ele, que sempre acreditou ser o mais forte na sua sociedade, agora tinha de provar sua majestade a cada minuto nessas novas paragens.
"Como era feliz a vida no campo, naquele sítio em Monte Alegre...", suspirava Garibaldi. Tudo aconteceu muito rápido. Uma hora estava cuidando da família (esposas, filhos, netos), papeando com os amigos. De repente, não via nada - era uma caixa escura, apertada, e do lado de fora parecia ocorrer um terremoto. Quando voltou à luz, estava num lugar barulhento e movimentado. O ar cheirava mal. No céu, só se via cinza. Seu teto havia virado uma ponte. Ele mora, então, no Parque localizado debaixo do Viaduto da Nove de Julho, uma importante avenida da capital, logo lhe contaram. Soube que o bairro se chama Bela Vista, e achou uma piada.
Seu dono atual, que lhe tirou do seu hábitat, é o zelador do tal parque. E, por mais perverso que tenha sido em retirar alguém de sua própria casa, não é exatamente uma pessoa perversa. Nas primeiras vezes em que conversou com Nono, explicou-se dizendo que havia feito o que fez porque sentia muita falta da época da infância - o homem nascera na zona rural, e a abandonou muitas décadas atrás. Por isso, numa visita à terra natal (por coincidência, a mesma de Garibaldi), teve a idéia de raptá-lo. Viu naquele bom galo a oportunidade de relembrar e reviver os tempos calmos, áureos.
Construíram uma relação sem mágoas. Viraram amigos, companheiros de melancolia. O zelador e o galo passaram a partilhar os colegas de bocha e dominó que freqüentavam o espaço. Havia ainda a animação dos grupos de capoeira e de ginástica taissô... O caminhar dos esportistas, de certa forma sincronizado com os ônibus e os carros apressados... A inocência da criançada a brincar no playground...
O único problema são mesmo as cordas vocais de Nono Garibaldi, que agora parecem ter vontade própria, teimosas. A voz foge ao seu controle, e se solta sem hora marcada. Uma espécie de distúrbio, talvez estresse, disse um veterinário. No entanto, há um único momento em que, é certo, ele sempre canta: assim que o Sol nasce. (Parece que está no sangue anunciar o dia.) Mas é um canto estranho, choroso. Um canto de saudade.
posted by .pin.
11:58 AM
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