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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Quarta-feira, Maio 31, 2006
Dia Mundial de Combate ao Tabagismo
Riminha pra entoar no fumódromo
Queima o banco do carro
Deixa o ambiente empesteado
Faz a garganta coçar
Mas, lá atrás, um homem num cavalo
Acendeu seu belo cigarro
E fez o mundo viciar
Ainda que a gente tenha alguma coisa em comum
Eu preferia nunca ter visto aquele comercial
Muito menos aprendido a tragar
Se conselho fosse bom
Eu diria hoje e sempre aos não-iniciados
Não comecem, se não querem ter de parar
Porque depois não é que você não larga
Parece que é a tal fumaça
que te persegue
e não quer te largar.
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11:17 AM
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Sexta-feira, Maio 26, 2006
+ feliz! Aumentaram as chances!
Geeente, pára tudo, olha como eu sou passada: tinha esquecido que inscrevi 3 minicontos no concurso, e não 2! E o melhor é que o terceiro também foi selecionado!
Fui dar uma olhada no email de inscrição e me certifiquei de que mandei 3 - era o número-limite de textos por autor... Ou seja, entre esses 396 escolhidos, 3 são meus!
Continuem na torcida que eu garanto apito e bandeirinha! Ah, e muita festa caso eu chegue lá! ;)
Abaixo, o tal "terceiro elemento":
Estranho
Essa mania, desde menina, de abrir a porta para estranhos. Pra fazer sala, já bota a visita pra sentar, serve cafezinho, puxa conversa - "Você é de onde?" Assim que tem a resposta, se sente à vontade para ir se contando - "Minha família blá, eu estudei blá, meu trabalho blá, um dia quem sabe blá." Pronto. Lá se foram passado, presente e planos. Nada de panos quentes. Ou máscaras, ou meias-palavras, ou jogo. Tudo se fala, se mostra, nada se esconde. De repente se vê como nua, desprotegida, entregue ao cúmulo. O bendito acúmulo de fé na boa-vizinhança, na bondade, no puro. Exposta, enxerga só os pés do outro, os sapatos estão sujos, há pegadas no caminho, mas não se sabe a origem nem o destino. Já é tarde e está escuro. Não é de bom-tom mandar visitante embora, põe a vassoura atrás da porta, mesmo não acreditando. Não pode crer que mais uma vez errou no prognóstico. É sempre uma aposta, varia o lance. Nessas de querer ver pra crer, viciou-se. Não consegue ser imparcial, não é do seu feitio. Tem horror ao que é neutro, superficial, morno. "Se faço o tipo blasé, pode saber que sou um corpo morto." Mas o fato é que morre um pouquinho a cada passo em falso. E continua caminhando.
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3:00 PM
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Quinta-feira, Maio 25, 2006
Feliz!
Gente, este blog está, como diria o "seu" Silvio, em ritmo de festa. Me inscrevi caladinha num concurso de minicontos de uma editora fluminense e descobri hoje que meus dois textos enviados estão entre os 396 classificados - de um total de 1.112.
Republico os meus queridos abaixo. :)
Pra quem quiser ver a lista dos pré-selecionados, clique aqui e torça por esta mocinha escrivinhante!!!
Quem olha
Perguntou ao companheiro onde ele havia estado durante todo esse tempo. Porque, por mais que tivesse certeza de que ele seguiria sempre ao seu lado, vira e mexe se sentia falando sozinha, ainda que obtivesse algumas respostas.
Ele sempre esteve ali, de fato. Do seu jeito, é verdade. Que outra maneira de se dedicar à amada senão dando a ela aquilo que se julga ser o melhor? Essa pequena é fogo, ele costumava pensar. Impossível não hesitar antes do próximo passo quando a direção é o coração dela.
Você parece que está nas nuvens, no seu universo paralelo, ela repetia feito um papagaio amalucado. Será que, na cabeça dele, meia dúzia de agrados distribuídos pela semana eram suficientes para satisfazê-la? Entender o que realmente fazia falta nessa relação teria virado um enigma indecifrável.
As mulheres e suas nóias... Por mais que se esforçasse, suas investidas erravam o alvo. Mesmo olhando com toda atenção do mundo pra ela, só via interrogações na testa. A boca, que tanto gostava de beijar, se mexia nervosa. E ele, que se apaixonou pelo sorriso fácil da menina, agora se perdia em palavras desconexas.
Você nunca olha nos meus olhos, se quer mesmo saber a maior das minhas queixas, ela diria de modo confessional.
Ele ficou calado, de costas. Não sabia qual poderia ser a alternativa correta pra questão do olhar.
Nem me encarar você pode?, a garota cativante de outrora deixaria escapar em tom de ameaça.
Era o que ele teria feito antes, não tivesse ela disparado suas falas carregadas de uma dor emprestada de alguma novela melodramática.
Estou falando com você, vire-se e me responda!, Mas o que é que está acontecendo conosco?, Onde é que isso vai dar, meu Deus!? seriam seus impropérios seguintes, estavam prontos para uma pronúncia árdua.
Ele foi mais rápido, colocando-se firme feito um sentinela diante dela. Permaneceram em silêncio. Antes de fitá-la, enxugou, sem que ela notasse, as lágrimas que se formavam em momentos de conflito, mas que ele jamais permitira que escorressem pelo rosto além da metade.
tododiaelafaztudosempreigual
Ro era tímida.
Tina lhe ensinou que desinibição pode ser alcançada com fraude e treino.
Ro começou a se soltar mais e a se sentir bem na fita. Mas ficava ruborizada cada vez que fazia algo que não combinava com sua maneira.
Tina lhe emprestou uma base para passar na cara e disfarçar a vermelhidão involuntária.
Ro, livre e leve que só, agora sempre maquiada, reclamava da vida e do trabalho, aquela mesmice que não dava vontade de levantar da cama.
Tina lhe passou uns truques engana-chefe, tipo fingir que está produzindo quando se está lixando a unha debaixo da mesa, e no fim de semana convidou prum samba com muita cerveja e xiboquinha.
Ro agora ria alto, tinha o rosto sempre pintado, dava calote no trampo e fazia show diante de uma cuíca.
Tina ouviu de um empresário do carnaval que a garota levava jeito pra madrinha da bateria e resolveu ser sua manager.
Ro concordou (já se via de fantasia, rainha) e foi pra avenida. Seus pés chegaram a sangrar mas a escola foi rebaixada.
Tina sumiu do mapa.
Ro estava, então, desempregada.
Tina, que não havia voltado, ainda levara embora consigo o aparelho celular que tinha dado de presente de Natal a Rosaninha.
Ro, tempos depois, esqueceu de quem foi um dia. Apesar de consultar o espelho todas as manhãs e ver sempre os mesmos olhos. (Só o brilho que se perdia, dia a dia.)
Tina mandou avisar que se mudou pra Alfenas. Mas dizem que se lançou na estrada. Usou o dom do tarô e hoje vive de paragem em paragem, à procura de outras companhias como Ro, de quem nunca mais quis saber notícia. Só não podia deixar de lembrar da amiga porque toda vez que ia passar rímel se dava conta de que ele tinha ficado nas coisas dela, especificamente naquela bolsinha. E repetia: -- Ela vai ver... Rosana... Maldita...
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6:42 PM
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Lagartixa
Carlos Felipe Moisés
O peito é de vidro.
Os olhos, porcelana
delicada e astuta.
Da língua escorre
o néctar sutil.
As patas são de estanho,
mas sabem se mover
imóveis: mal flutuam.
O ventre é quase nada,
pura transparência
onde se escondem
o dorso e seus andaimes.
Não tem entranhas.
A pele
de tão fina já não é:
limita
semovente
o nada de fora
e o quase nada de dentro.
O peito é de vidro
mas às vezes se desmancha
em pétalas.
Dentro
pulsa um coração
que imobiliza tudo em torno.
O rabo, sim,
é feito de algo insuspeitado:
nuvem
algas
milhares de roldanas
e desejos
enrodilhados na engrenagem
que espaneja o chão
e foge
para o céu aberto.
(do livro Subsolo, São Paulo, 1989)
* CFM é, por uma sorte gigante, meu mestre de Criação Literária, a sábia voz que me guia nas noites de Qu4rta-feira.
** Feliz aniversário (1 dia atrasado), professor! Abracíssimos, como você fala! **
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6:02 PM
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Terça-feira, Maio 23, 2006
Jogo de esconde-pensa
Num mundo descartável, poucas coisas vistas e/ou sentidas fazem pensar por muito tempo. Hoje, é comum não se lembrar de detalhes de um passado recente, perder-se numa enxurrada de informações e novidades. Nas salas de cinema, dominam os filmes de entretenimento, cujo objetivo não é outro senão fazer o espectador esquecer de tudo "lá fora" enquanto estiver na poltrona. Pois aí está o maior problema: são produções capazes de tirar o público de órbita por cerca de duas horas, mas que, depois dos créditos, já não têm muita (ou nenhuma) relevância para um ser pensante. Fico com as histórias que vão embora comigo da sala de projeção, que me acompanham por horas, dias, a vida toda.
Assim é o francês Caché. Daqueles que viram chavinhas no cérebro, enchem de interrogações, intrigam, perduram na memória. Tanto é que, ao menos na sessão em que o assisti, a sala unânime permaneceu sentada, imóvel, depois que a trama foi encerrada.
Muitos disseram e dirão "não entendi". Pior, irão embora com a sensação de "quero meu dinheiro de volta". Mas somente aqueles que não se abrirem ao formato de Caché, que difere do convencional, convida a encontrar as peças que faltam, traz incômodo aos que estão acostumados a este mundo onde tudo vem pronto para consumir, às vezes já digerido.
Nota 10 para tudo que faz pensar, sentir, testar-se, autoconhecer, olhar a realidade de um jeito diferente - e aqui no fim desta frase caberia um etc.
Nota 10 para Caché.
Caché, de Michael Haneke
França/Áustria/Alemanha/Itália, 2005
Com Juliette Binoche, Daniel Auteuil e Anne Girardot
*Caché: em português, escondido.
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7:04 PM
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Segunda-feira, Maio 22, 2006
De biquíni na neve
Obra da Ju, que idealizou este modelito outono-inverno pra mim, feito especialmente pra um encontro com meus amigos biquineiros!
Hahahaha!
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6:50 PM
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Quinta-feira, Maio 18, 2006
Da série "As máximas revisitadas"
Em boca fechada não entra mosca.
Como não se pode ficar de boca fechada o tempo inteiro, há de se engolir muita mosca e muito sapo nesta vida.
Pero sin perder la ternura jamás.
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6:21 PM
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Terça-feira, Maio 16, 2006
...mas o que foi que aconteceu?
Quando eu era pequena e ouvi as primeiras notícias sobre o surgimento de uma nova doença chamada aids, fiquei apavorada porque entendi, na minha doce inocência, que a realidade era ainda mais amarga. Para mim, todas as pessoas que fizessem sexo a partir de então adquiririam o terrível vírus, fossem elas portadoras ou saudáveis. Ou seja: fazer sexo é que provocava aids! E não é difícil imaginar a maior razão do meu desespero... "Meus pais, acho eu, fazem isso todas as noites... Oh, meu Deus! Será que eles já têm aids e nem sabem?!" Entrei em pânico, fui à minha mãe aos prantos. Uma conversa esclarecedora e o medo foi embora (eu ainda não sabia que devia temer não só por mim, minha família e meus colegas de escola, mas pela humanidade). No entanto, como nem tudo é perfeito, o tal medo voltaria mais tarde, quando atingi a maioridade sexual e, com ela, passei a pertencer ao grupo dos que têm que ter a camisinha sempre em pronta espera.
Hoje, diante das rebeliões e dos ataques violentos em São Paulo - me recuso a digitar neste espaço aquelas três malditas letras, pois acho que seria dar crédito ou, que seja, alguma visibilidade a seres que não merecem o menor dos créditos -, fico observando tudo isso estarrecida, e tento imaginar como estes fatos estão sendo assimilados pelas crianças. O olhar de uma pessoa que não entende o mundo direito, que não sabe da missa a metade, que de certa forma teme (eu pelo menos temi algum dia) o futuro que a espera. Eu não saberia o que dizer aos meus filhos, assim como não sei exatamente o efeito dessa situação de caos na cabeça do meu irmão de 13 anos de idade. Até porque, por mais que a gente grande do presente teime em lançar opiniões, explicações e teorias, eu prefiro me restringir à humildade de uma menina e reconhecer que não entendo nada ou muito pouco do que tem se passado entre os habitantes não só da minha cidade natal, mas de todo o planeta Terra.
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7:22 PM
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Quinta-feira, Maio 11, 2006
Wop art e ócio criativo
Por mais que eu tente, é difícil desacreditar na máxima de que no universo tudo gira em sintonia e, salvo exceções azedas e amargas, a nosso favor. Comprovo isso, cada vez mais, em minhas investidas googleanas. Uma nova palavra ou termo ou qualquer coisa surge na minha frente para que logo eu sinta o impulso incontrolável da curiosidade, que faz com que eu me lance da www para fazer mais uma - muitas vezes incrível, noutras infértil - descoberta. E aproveito para dizer, em tom confessional, que o que me move a seguir nesta profissão é a oportunidade de estar em contato com o novo o tempo todo, e ainda ser paga pra isso! Hoje, num bota-cá-chega-lá no são-salvador-pai-de-todos Google, pesquisando sobre a professora de Comunicação e Semiótica da pós-graduação da PUC-SP Giselle Beiguelman, cheguei ao site abaixo, de autoria da professora, e gostaria de recomendá-lo:
Wop art
Visita feita - e opinião formada, a qual eu agradeço se deixarem registrada nos comments desta .pin.talgada página -, amarro o que até agora foi dito com outra constatação feliz do dia. Faço a checagem habitual (que a nova função exige) da Gazeta Mercantil e encontro, muy contenta, uma entrevista com o sociólogo italiano Domenico De Masi, criador da teoria do ócio criativo, o qual já admirava. Entre outras pérolas, De Masi revela à repórter da Gazeta que o Brasil é o único país com todos os elementos para ser feliz e, ainda, que os intelectuais é que são os verdadeiros explorados atualmente. Bem, eu listaria outras várias teorias geniais do italiano - como a de que hoje a divisão do mundo se dá entre produtores de bens, produtores de idéias e produtores de coisa alguma, que acabam se submetendo a estas duas classes -, mas prefiro voltar ao site acima recomendado, já sem culpa alguma, visto que, como defende este santo homem, o tempo livre é a parte principal da vida.
Bons vôos a todos!
@Observatório da Imprensa
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6:51 PM
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Quarta-feira, Maio 10, 2006
Direito de defesa futebolística*
*por Gabriel El'Bredy
Está certo que todos os pontos de vista devem ser respeitados. Ninguém é igual a ninguém e os gostos mudam de pessoa para pessoa. O texto abaixo levantou algumas questões sobre gostos, paixões e suas características. Que gosto não se discute é a mais pura verdade... mas espero dar, nestas linhas, inúmeras razões lógicas e lançar outras perguntas mais lógicas ainda, que podem fazer o leitor criar o seu próprio ponto de vista sobre o assunto.
Vamos, primeiro, explicar as razões que levam o brasileiro (e o mundo todo) a cultivar esta verdadeira paixão pelo futebol: este bando de homens se pegando, se batendo e correndo atrás de uma bola já fez guerras serem interrompidas e uniu povos extremamente rivais - como palestinos e israelenses -, fazendo-os freqüentar o mesmo estádio, sem uma única ocorrência de violência.
Violência esta que vem por motivos mais sociais do que qualquer outra coisa. Que é um fruto da falta de planejamento que o futebol brasileiro, melhor do mundo, diga-se de passagem, possui em não proporcionar segurança aos torcedores. Pela falta de educação, de oportunidades, de lazer, de condições financeiras e de cultura que os brasileiros, na maioria favelados, freqüentadores de estádios estão submetidos.
O vírus que faz uma pessoa (geralmente homens) venerar uma partida de futebol é o mesmo que faz uma pessoa (geralmente uma mulher) venerar um capítulo de novela (uma ou mais novelas, diga-se).
O futebol proporciona fidelidade incondicional. Um homem pode trocar de mulher várias vezes na vida, mas nunca troca o time do seu coração. Pode não reconhecer a paternidade de um filho, mas nunca fala que não torce mais, que não gosta mais do esporte, independente da posição de seu time na tabela do campeonato.
Diferente das novelas, o futebol é realidade. Lesões, contratações milionárias, parcerias com empresas, patrocínios e taças levantadas são as atrações deste esporte que já perdura por mais de 100 anos. Uma seleção campeã do mundo, mesmo 56 anos depois (como é o caso do Uruguai, que venceu o Brasil em pleno Maracanã na Copa de 1950), ainda é lembrada pelo seu feito. Diferente das novelas, os "atores" dos gramados podem ser considerados como fonte de inspiração para outros aspirantes a "atores". O futebol tira pessoas da criminalidade, também diferente das novelas repletas de assassinatos e cenas vulgares.
O futebol (e qualquer outro esporte) proporciona hombridade, respeito ao próximo, sentido de coletividade e ajuda mútua. Na verdade, estas são algumas das principais virtudes da humanidade, não?
As novelas não passam de ficção. De histórias criadas que não nos acrescentam muita coisa. Alguém, por favor, pode me explicar como as revistas que contam os finais das novelas vendem algum exemplar??? Eu sei que vendem... mas esta idéia me faz querer criar uma revista especializada em finais de filmes e vendê-la nas portas dos cinemas. Não é a mesma coisa?
Gabriel El'Bredy é jornalista e, nem é preciso dizer, fanááático por futebol.
Nota da redação A autora deste blog reforça que não é noveleira, apesar de adorar fazer menção a personagens como Heleninha Roittman e Nazaré, e tampouco é senhora do destino dos textos aqui publicados e das opiniões que os mesmos levantam. ;)
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4:49 PM
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Sexta-feira, Maio 05, 2006
E por falar em Copa...
É sempre assim: ou a tevê ou um grito do lado de fora da janela de casa anunciam que é dia de futebol. Nunca sei quando haverá partida, a não ser que algum homem me traga de bandeja a notícia. Diante da euforia masculina em torno da questão, invariavelmente me pego perplexa. "Por que catzo eles gostam tanto de correr ou ver correr atrás de uma bola?"
Ok, em tempos de Copa, devo confessar, entro na torcida de camisa e bandeirola. Se é jogo do Brasil, até choro. Mas, vamos lá, a empolgação (a minha) é mais pelo clima de nacionalismo, pela cerveja, pela festa, pela propaganda, que deita e rola em cima do tema. E ouvir o hino nacional sempre me emocionou, desde os tempos de escola.
Voltando aos campeonatos menores, aos campos locais, torcida que invade o campo, briga, xinga, mata, morre: como é que se explica? Muita coisa boa - e que faz total sentido - já foi escrita sobre o futebol (abaixo, uma amostra), entretanto, ainda me faltam argumentos claros pra esse lance de um bando de homem se pegando, se batendo, gritando, seja lá qual for o motivo. Não quero com isso insinuar nada - quem sou eu pra teorizar e tentar encontrar a raiz do "problema". Só gostaria mesmo é de pedir aos meus vizinhos que não fiquem trocando insultos da varanda, porque o meu ouvido não é igual ao de juiz, que tudo suporta!
Como escreveu o crítico Luiz Zanin Oricchio, em reportagem recente do Caderno 2 sobre literatura e futebol, esse esporte "não é exatamente um jogo como tantos outros, mas uma rica armação dramática que reproduz os percalços e as alegrias da vida humana. É um laboratório da existência, no qual você pode ser valente, covarde, omisso ou participativo. Solidário ou egoísta. Feliz, desastrado, herói, vilão. Acontece de tudo entre as quatro linhas do gramado e, no espaço de tempo de 90 minutos, cabe a eternidade. Como num palco, pode-se estar a um palmo entre a comédia, a tragédia, a glória ou a desgraça. Por isso, o jogo encanta, fanatiza e fascina até a quem não entende a fundo as suas regras. E, por isso mesmo, os escritores fazem muito bem em se servir dele, como se servem da matéria da vida em geral."
(tirado do site estadao.com.br)
posted by .pin.
6:31 PM
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Quarta-feira, Maio 03, 2006
Adivinha o quê
A gente vive de tentar adivinhar. O que o outro estará pensando; o que será que vai acontecer; para que, afinal, a gente nasce. O certo é que nunca se vai ter certeza. Errado é não reconhecer que, por mais que não se seja bidu, sempre é bom arriscar um palpite. As idéias, porém, muitas vezes nascem para serem nossas, e somente. Projeções negativas ou pessimistas principalmente. Não há nada que não possa ir pra frente. É comum optar pelas coisas as quais não se entende.
Por mais que eu ache isso, ou aquilo, procuro não me perder em achismos. Quem me garante que é isso que vai ser?
Não deixo de imaginar e criar a realidade. Não posso me ausentar dos fatos e das evidências.
Eu sou o que eu gostaria, o que eu quero, o que tenho que ser? Eu invento regras ou cumpro ordens? Adivinhe você.
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6:24 PM
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