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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Sexta-feira, Março 31, 2006




ié-ié-ié-ié!




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Quinta-feira, Março 23, 2006


letra-poesia-beleza



Fernanda Porto / Edu Ruiz

A luz elétrica vai embora as dez horas da noite em minha aldeia
Vai também o desejo dos meus olhos em persistirem abertos
Entro então na fabricação de frágeis pecados em tua honra
Sobe feito planta parasita pelo meu cérebro...

O contorno dos teus lábios pelos meus imaginares
Frases tuas de insuportável beleza
nesse escuro que vem sempre, e eu aguardo confessadamente
Em temperaturas descontroladas nesse breu...

Quando levam embora a claridade do mundo lá fora, eu te guardo
Como uma fêmea prenha no trêmulo fosso, do meu umbigo rosado
apenas prometa-me amor discreto e agudo
quando novamente voltarem as luzes.

...musicada e ao vivo, é de arrancar lágrimas... :'-)



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Quinta-feira, Março 09, 2006


Com a palavra, Pessoa



(...)
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

trecho de Tabacaria, Fernando Pessoa



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