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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006


tododiaelafaztudosempreigual



Ro era tímida.
Tina lhe ensinou que desinibição pode ser alcançada com fraude e treino.

Ro começou a se soltar mais e a se sentir bem na fita. Mas ficava ruborizada cada vez que fazia algo que não combinava com sua maneira.
Tina lhe emprestou uma base para passar na cara e disfarçar a vermelhidão involuntária.

Ro, livre e leve que só, agora sempre maquiada, reclamava da vida e do trabalho, aquela mesmice que não dava vontade de levantar da cama.
Tina lhe passou uns truques engana-chefe, tipo fingir que está produzindo quando se está lixando a unha debaixo da mesa, e no fim de semana convidou prum samba com muita cerveja e xiboquinha.

Ro agora ria alto, tinha o rosto sempre pintado, dava calote no trampo e fazia show diante de uma cuíca.
Tina ouviu de um empresário do carnaval que a garota levava jeito pra madrinha da bateria e resolveu ser sua manager.

Ro concordou (já se via de fantasia, rainha) e foi pra avenida. Seus pés chegaram a sangrar mas a escola foi rebaixada.
Tina sumiu do mapa.

Ro estava, então, desempregada.
Tina, que não havia voltado, ainda levara embora consigo o aparelho celular que tinha dado de presente de Natal a Rosaninha.

Ro, tempos depois, esqueceu de quem foi um dia. Apesar de consultar o espelho todas as manhãs e ver sempre os mesmos olhos. (Só o brilho que se perdia, dia a dia.)
Tina mandou avisar que se mudou pra Alfenas. Mas dizem que se lançou na estrada. Usou o dom do tarô e hoje vive de paragem em paragem, à procura de outras companhias como Ro, de quem nunca mais quis saber notícia. Só não podia deixar de lembrar da amiga porque toda vez que ia passar rímel se dava conta de que ele tinha ficado nas coisas dela, especificamente naquela bolsinha. E repetia: -- Ela vai ver... Rosana... Maldita...



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Sexta-feira, Fevereiro 17, 2006


*Momento cri-cri

Quantos metros de esparadrapo são necessários para tapar uma boca maior do que o cérebro?

Que a Daniela Cicarelli enterrou a carreira na lama tentando escalar a montanha de dólares do Ronaldinho e querendo se abrigar no Castelo de Chantilly qualquer ser menos informado sabe, nem precisa ser leitor de Caras. E que a voz dela é o ó do borogodó até um deficiente auditivo acha - será que a rouquidão é diretamente proporcional ao tamanho da boca? Bocarra que, inclusive, já virou sinônimo de cerveja que vem naquela garrafa que não se pode tomar no bico, com o risco de babar a camisa.

Pois estou eu tentando dormir com os últimos minutos de TV ligada antes que o timer fizesse sua parte, MTV sintonizada, e entra no ar o novo programa da modelo-e-apresentadora.

Descrição em tópicos para dimensionar pouco a pouco o choque (pra não falar decepção) com a novidade da programação deste canal que eu achava (não sei mais!) criativo, inovador e original - não exatamente nessa ordem:

* Daniela está no que parece ser um banheiro público, de certo das instalações da Emetevê, como muito bem define a Rita Lee, com um papel na mão lendo uma carta de uma espectadora que pede um clipe. 1. Banheiro só é cenário pro povo dessa emissora, que acha que até o cinzeiro deles é mais cool que qualquer coisa no planeta Terra; 2. A moça mais parece estar na chamada oral da escola, com dificuldades claras para ler um texto com grau de elaboração mínimo; 3. Trata-se de um texto com grau de elaboração mínimo - então por que não resumi-lo, poupando o público de algumas linhas?; 4. Ah, sim! Daniela re-al-men-te precisa tratar as cordas vocais - li numa entrevista com uma fonoaudióloga que não é charme, é doença séria nas cordas mesmo.

* O clipe pedido - Freedom, de George Michael - entra no ar e o espectador (eu, no caso), que não tem nada contra o rapazola sexy/cool, suspira aliviado: "Ufa, o clipe, sim, sim, me livrei por alguns minutos dela!". Eis que surge, entre uma cena e outra de provocação visual georgemichaeliana, Daniela, ela de novo, fazendo uma dança que mais a faz parecer uma galinha d'Angola bêbada, rodopiando feito uma tonta. Ela está num parque, com uma roupa qualquer (se ainda estivesse vestida de algum jeito que remetesse ao clipe, vá lá), parecendo uma atriz iniciante sem diretor, sem palco, sem talento nem charme. Ah, e sem fala! (Pelo menos isso! Ufa!). O clipe segue, e vale notar que estão nele, em poses sensuais, top models de verdade (notem!), como a quase-brazuca Naomi, Linda Evangelista e Cindy Crawford. Portanto, um time da pesada. E, quando os olhos estão atentos para as beldades, pá! De novo a bocuda! Desta vez, com um guarda-sol colorido em punho, girando o objeto pro alto, em volta da cabeça - e paro a descrição da "coreografia" aqui pois me reservo o direito de não ter de lembrar de imagem tão patética...

O timer me presenteia com uma contagem regressiva, eu não termino de ver o clipe - que me pareceu ótimo para lembrar daqueles ares erótico-inocentes super80 - e vou dormir inconformada por darem espaço a alguém que não tem mérito nenhum nem para figurar numa propaganda de guaraná Dolly. O contrário: a moça em questão não deve nem ao menos fazer esforço para entender a sabedoria chinesa, que diz que temos dois (2) ouvidos e só uma (1) boca para ouvir mais do que falar. Eu acrescentaria: e não importa o tamanho da boca!

*A autora sofre de mau-humor, TPM, visão-crítica-além-do-alcance (ok, às vezes incomoda...) e excesso de vontade de ver o bom-senso virar lei nesse patropi com tanto mais do que se vê por aí de inteligência. Ou seja, aguardem textos futuros que, como este, refletem não um estado de espírito atual, mas permanente. (Sim, sou crica!) E ufa! Parei, juro.

:~D

Bom fim de semana!



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Quarta-feira, Fevereiro 08, 2006


Looping





Perdi a balada. Tudo bem, eu não ia mesmo, era em Londres.
Minha amiga-flor estaria (na balada) e está (em Londres).
Lu.
Eu fico aqui cada dia querendo mais dar um pulo lá.
Pin.
Uma hora se está aqui, noutra acolá.
Palavras fazem sentido num momento, no outro são só um amontoado de letras.
Quem disse que o que está feito feito está?
Pra que entender em vez de só ler e não ter opinião formada?
O caminho que eu pego todas as manhãs é o mesmo mas numa manhã qualquer pode mudar.
Eu pretendo chegar ao mesmo ponto. Adiante. Mais pra frente, segue reto toda vida.
Na esquina das lembranças te espero pra um abraço e um café.
E tudo recomeça. Assim será.

*it's a kind of magic!* ;-)



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