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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Terça-feira, Janeiro 31, 2006
Música clássica e berinjela
Entrevistamos, eu e minha editora, o crítico de música clássica Lauro Machado Coelho, para uma matéria do Cultura News que pretende desvendar a dita música erudita, tão distante dos ouvidos leigos. Algo como "tudo o que você gostaria de saber sobre música clássica mas nunca teve a chance de perguntar". Pois bem: além de termos aprendido o bê-á-bá necessário a quem não quer pagar mico num concerto ou numa ópera, pudemos estender nosso aprendizado para outras áreas - já que a arte, afinal, dizem ser a imitação da vida (ou será o contrário?!).
Quem imaginou o entrevistado como um sujeito muito sério e formal - como eu teria imaginado, se não já o conhecesse - engana-se. A princípio, ele pode parecer meio fechado, mas basta a conversa começar e logo mostra a simpatia que seu rosto redondo sugere. Com a sensibilidade aguçada natural de alguém como ele, Lauro usa exemplos superdidáticos quando fala de música clássica. É um privilégio escutar uma pessoa com a sua propriedade - basta ler seus textos no Estadão e ver as paredes de seu apartamento, forradas de livros, CDs e DVDs, para ter certeza de que se trata de um amor verdadeiro dele pelo tema. Outra surpresa foi testemunhar a sua disposição para se locomover na cadeira de rodas, assim que pedimos que "fizesse pose" em lugares diversos para tirarmos algumas fotos.
Ligado o gravador, a primeira frase que ele pronuncia já faz qualquer ser de bom senso ter vontade de abrir um sorriso. Pergunta: É preciso entender de música clássica para apreciá-la? Ao que ele responde: "De jeito nenhum. O equipamento básico para gostar de música são duas orelhas e um coração. Se tiver um pouco de miolo no meio também ajuda, mas não é indispensável." Bravo! Adiante, ele garante que é natural achar esse tipo de música esquisita num primeiro contato, afinal, trata-se de uma linguagem nova, a qual não se está habituado. E compara: "Eu acredito que na primeira vez em que você comeu berinjela, quando era menino, não tenha gostado. Assim como a gente educa o gosto a gente educa o ouvido, e aprende. Isso se refere a todas as artes: é preciso aprender a gostar de música, literatura, artes plásticas..."
Finalmente, a nosso pedido, ele indica clássicos, os chamados básicos, que servem para abrir a mente e o coração dos ouvidos não-iniciados:
* Mozart - "O concerto n° 21 é uma maravilha!"
* Beethoven - "A Sonata ao Luar e a 5ª sinfonia entram como injeção na veia."
* Chopin - "Não tem como não gostar de Chopin!"
* Tchaikovski
Uma última dica, simples e sábia, a quem quer se familiarizar com a música clássica: "Tente reproduzi-la assobiando, cantarolando. É uma boa maneira de 'adquirir' a música, botá-la dentro de você. Ela passa a lhe pertencer."
Quem quiser mais, aguarde a íntegra, em março no site da Livraria Cultura! ;)
posted by .pin.
5:59 PM
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Terça-feira, Janeiro 10, 2006
Fala Leminski!*
Donna mi priega 88
se amor é troca
ou entrega louca
discutem os sábios
entre os pequenos
e os grandes lábios
no primeiro caso
onde começa o acaso
e onde acaba o propósito
se tudo o que fazemos
é menos que amor
mas ainda não é ódio?
a tese segunda
evapora em pergunta
que entrega é tão louca
que toda espera é pouca?
qual dos cinco mil sentidos
está livre de mal-entendidos?
Paulo Leminski
*o título é uma homenagem ao meu colega de blog (que por sinal anda sumido) Bera, que já deixou muita gente boa falar no seu espaço. :)
posted by .pin.
12:23 PM
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Terça-feira, Janeiro 03, 2006
E que venham mais 365 dias!
Ontem, no fim do dia, aprontei um post para este blog e surpresa! A página expirou e engoliu meu texto. :-S
Eu havia escrito sobre o ano que se acabou e o que começa, sobre a minha lista de resoluções para 2006, que dessa vez não fiz por falta de tempo e, mais ainda, esquecimento, e do que aprendi a esse respeito: a "virada" de cada um acontece numa hora e de uma maneira diferente, e não necessariamente à meia-noite de 31 de dezembro ou com o estourar dos fogos e das garrafas de champanhe.
Hoje, ouvi o trecho de uma palestra com um psiquiatra que acho ter a ver com esse papo. Ele fala do que é ser companheiro em tempos de crise (numa relação a dois). Sua explanação começa com uma constatação que, apesar de parecer óbvia, vale ser relembrada, pois é interessante e valiosa - e volta e meia nos esquecemos de coisas que são básicas e importantes. Ele diz que a visão que geralmente se tem de crise é romântica, como algo ligado apenas a sofrimento.
E aí, quando ele, eu imagino, ia começar a explicar que considera positiva, de certo modo, uma crise entre duas pessoas, a gravação foi interrompida - na verdade foram disponibilizados apenas 3 minutos da apresentação.
Sem poder ouvir o resto do seu discurso, me pus a imaginar o que ele diria... Crises são parte do processo de conhecimento do outro e vice-versa? Problemas nos fazem crescer, repensar atitudes, mudar velhos hábitos? Sim, sim e sim, acho que todos concordam. Mas pensei também, de novo, em 2005. Se houve um ano de tragédias e verdades sujas reveladas, esse ano foi o que acabamos de abandonar. Vide tsunamis, furacões, guerras que continuam, mensalão, a corrupção de sempre finalmente exposta. Foi um ano de provações de todo o tipo, por todas as partes do mundo. Isso me faz acreditar que agora, pra esses próximos 365 dias, estamos mais espertos, melhores. Falo de alguns de nós, claro. E são estes seres, que reconhecem seus erros, seus defeitos, que aprendem com eles, e que se deixam ensinar pelos outros, são estes seres que levam o meu voto de confiança e merecem a minha aposta.
Excelente ano pra gente! :-)
posted by .pin.
6:21 PM
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