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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Quem olha
Perguntou ao companheiro onde ele havia estado durante todo esse tempo. Porque, por mais que tivesse certeza de que ele seguiria sempre ao seu lado, vira e mexe se sentia falando sozinha, ainda que obtivesse algumas respostas.
Ele sempre esteve ali, de fato. Do seu jeito, é verdade. Que outra maneira de se dedicar à amada senão dando a ela aquilo que se julga ser o melhor? Essa pequena é fogo, ele costumava pensar. Impossível não hesitar antes do próximo passo quando a direção é o coração dela.
Você parece que está nas nuvens, no seu universo paralelo, ela repetia feito um papagaio amalucado. Será que, na cabeça dele, meia dúzia de agrados distribuídos pela semana eram suficientes para satisfazê-la? Entender o que realmente fazia falta nessa relação teria virado um enigma indecifrável.
As mulheres e suas nóias... Por mais que se esforçasse, suas investidas erravam o alvo. Mesmo olhando com toda atenção do mundo pra ela, só via interrogações na testa. A boca, que tanto gostava de beijar, se mexia nervosa. E ele, que se apaixonou pelo sorriso fácil da menina, agora se perdia em palavras desconexas.
Você nunca olha nos meus olhos, se quer mesmo saber a maior das minhas queixas, ela diria de modo confessional.
Ele ficou calado, de costas. Não sabia qual poderia ser a alternativa correta pra questão do olhar.
Nem me encarar você pode?, a garota cativante de outrora deixaria escapar em tom de ameaça.
Era o que ele teria feito antes, não tivesse ela disparado suas falas carregadas de uma dor emprestada de alguma novela melodramática.
Estou falando com você, vire-se e me responda!, Mas o que é que está acontecendo conosco?, Onde é que isso vai dar, meu Deus!? seriam seus impropérios seguintes, estavam prontos para uma pronúncia árdua.
Ele foi mais rápido, colocando-se firme feito um sentinela diante dela. Permaneceram em silêncio. Antes de fitá-la, enxugou, sem que ela notasse, as lágrimas que se formavam em momentos de conflito, mas que ele jamais permitira que escorressem pelo rosto além da metade.
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4:59 PM
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Quarta-feira, Novembro 23, 2005
Pegadas na Lua
(Samuel Rosa - Humberto Effe)
A parte que me cabe
Nesse peito seu
Novamente vai se lembrar
Sua boca era silêncio
A terra queria girar
A parte que me cabe
No teu sonho ateu
Novamente quer acreditar
Em universos infinitos
Sem nenhuma luz pra te cegar
A parte que me cabe
Nesse peito seu
Novamente vai respirar
Em lugares abafados
Onde ninguém vai passar
A parte que me cabe
Nesse espelho seu
Novamente vai desejar
O que parece inatingível
Mas faz o mundo melhorar
Eu sou uma força
Jorrando palavras
Pelos canos de vitrines e ruas
Por onde você vai trafegar
Eu sou essa força
Abrindo suas gavetas
Tirando palavras que podem
Até te contar
Eu tenho uma força
Que deixa pegadas na lua
Na esquina por onde
Você também vai levitar
*Adóro!*
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1:05 PM
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Segunda-feira, Novembro 21, 2005
Entre-vistas
Uma bela entrevista pode ser feita sem microfone nem gravador. As respostas são guardadas na memória como o refrão de uma canção predileta. E o que nasceu pronto, bom, não é preciso editar. Com faro aguçado percebe-se um furo de reportagem.
Nas entrelinhas, entre as vistas, está tudo o que as palavras tentam explicar. Às vezes fala-se muito, olha-se pouco. No caso, eram ambos muito, na medida. Despidos e desprovidos de máscaras. Participação especial dos cigarros, com a fumaça... Que tentava esconder algo? Ou envolvia as partes para que se procurassem (e se achassem) ainda mais?
Ping-pong de energia, vibração, fluidos. Cenário em tons de cor-de-rosa, ora castanhos, do escuro ao claro. Noite e dia, fuso horário de dois seres e só.
Restavam tópicos a serem abordados, mas toda história boa é algo que não se deve contar de cara, ponto a ponto é que se borda. A melhor pergunta que se pode fazer a alguém é ensinar a gostar.
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2:58 PM
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Quinta-feira, Novembro 10, 2005
Olhar e mimetismo
Richard Billingham
Não somos idênticos às imagens do espelho e nunca poderemos nos situar inteiramente em seu lugar, da mesma forma que nunca poderemos entrar inteiramente no lugar de outra pessoa. Isto poderia parecer um ponto trivial, mas constitui um dos aspectos fundamentais do sofrimento humano. Poderíamos citar aqui os muitos e diferentes problemas que as pessoas experimentam no relacionamento com a imagem do corpo, assim como a insatisfação que persegue aqueles que estão obsessivamente empenhados em adquirir os objetos materiais possuídos por outros. Uma conseqüência da identificação com outrem é, em última instância, que o que queremos é definido pelo que eles querem.
(...) As imagens nos moldam, nos transfixam, nos cativam e alienam.
* Trecho de O roubo da Mona Lisa - o que a arte nos impede de ver, de Darian Leader, que analisa a arte através da psicanálise sem ser maçante. E não tem nada a ver com os códigos Da Vinci da vida! (ufa!)
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6:14 PM
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Terça-feira, Novembro 01, 2005
Hay salvación?
Luke e Tantra: a solução não parece fácil... (Hahahahaha...)
Preciso confessar: ando super auto-ajuda ultimamente... Mas nããão! Não comprei nem um livro sequer do Roberto Shinyashiki (charlatão #$%&*+!) ou coisa que o valha. Porque ainda tenho bom-senso e entendo que, se é "auto", não há bibliografia (não seguindo essa temática) que vá me socorrer. Acho que qualquer ser pensante e provido de um mínino de sensibilidade há que descobrir por sua própria conta que a maior ajuda que podemos buscar é a dos nossos sentidos, que podem captar o que existe de melhor no mundo (e pior, será preciso também) e montar as respostas. As peças do quebra-cabeça estão espalhadas por aí, a nós cabe juntá-las.
Esse ano me invadiu com sentimentos e dúvidas que nunca tive. Não sei se é a idade (o bendito retorno de Saturno, que ainda não entendi de onde vem), ou a situação do planeta. E aí não é papo astrológico. É que 2005 está sendo marcado por inúmeras catástrofes sem precedentes. Nunca ouvi falar, pelo menos que me lembre, em tantos tsunamis, terremotos, furacões. A guerra segue o seu curso, como é de se esperar. Não há quem me convença de que o ser humano vá melhorar e que vamos viver um dia num lugar sem violência, sem disputa pelo poder, sem corrupção. Tudo inerente ao ser humano, no que ele tem de mais selvagem. Uma luta pela sobrevivência como a dos animais, mas com requintes ainda maiores de crueldade. Um dia veremos (ou verão) na TV como quem assiste ao Discovery Channel...
Mas eu contava da fase de notar mais problemas em volta do meu umbigo. As mazelas alheias me tocam mais, na mesma proporção em que venho tentando aumentar minha capacidade de tirar apenas o que vale a pena disso tudo. Pra mim, uma ofensa tem mais peso, hoje, na mesma medida em que um sorriso possui um valor incalculável, que vai além da diversão, de ser feliz, como eu sempre achei, mas é quase uma questão de continuar vivo. Sou pessimista: somos o que resta da nossa espécie. Sou pessimista mesmo? Uma senhora que trabalha no shopping anotando pedidos e retirando bandejas na praça de alimentação me chama a atenção. Sua disposição e sua determinação me comovem. No mesmo shopping, uma japonesa nos seus 30 e poucos anos come uma batata assada e sorri sem motivo. Os cantos da boca são naturalmente esticados e demonstram felicidade, e ponto. "Em sinal de agradecimento à vida", imagino.
Pois a fórmula é simples, todos nós sabemos. Quando um vazio preenche o peito, um nó se instala na garganta e os olhos brigam com lágrimas que teimam em se formar, o único jeito é ser simples. E sentir-se satisfeito por aquilo de mais básico que se tem. E lembrar-se de que esses livros de auto-ajuda deviam ir para o lixo, junto com seus autores, que vendem algo que já é nosso - eles só tentam colocar uma embalagem mais atraente.
Ah, sim, não vamos nos esquecer de ter fé nos bons exemplares de gente que ainda existem! Prometo não voltar tão cedo ao assunto! (A não ser que seja por convite de um editor grande, pra ganhar $$$!) *Cada um que se ajude!*
posted by .pin.
2:13 PM
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