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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Sexta-feira, Setembro 30, 2005


Filosofando sobre o próximo passo



Quando a gente está perto de completar mais um ano de vida, começa a filosofar. O que foi feito na idade que já vai passar? O que se aprendeu e pode ser levado para o resto da vida? Quantas coisas ganham sentido e quantas outras perdem seu lugar? O que fazer com tantas respostas? Ficar mais velho, amadurecer, é ter mais dúvidas e mais certezas. É olhar as coisas com mais atenção e ao mesmo tempo treinar os olhos para que não se percam em detalhes que não importam. O que importa se alguém não te dá crédito ou não corresponde ao seu sorriso? O que valem são aqueles seres, momentos, gestos, palavras que trazem algo de bom e verdadeiro para a sua existência. Artigos indispensáveis na maleta que você carrega até o fim dos seus dias, e que, apesar de valiosos, não pesam nada, nada.

:)



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Quarta-feira, Setembro 28, 2005


Uó-rkut



Faço aqui um convite a todos os conectados do mundo: naveguem no Orkut, entrem em alguns profiles desconhecidos, acompanhem algumas conversas via scraps. Ao mesmo tempo em que é diversão na certa, daria para tirar algumas conclusões filosóficas do que se vê ali: o que é ser "cool" nos tempos de agora, o que não se faz para vender uma imagem (na maioria das vezes, irreal e equivocada) e, pior, até que ponto se apela para "descolar" novos "amigos" e novas "paqueras". Smells like a teen spirit da pior qualidade.

Fotos de poses forçadas, a la miss ou aspirante a top model, comunidades hilárias de tão babacas, conversas que levam do nada a lugar nenhum (esse povo não trabalha?), paqueras que mais parecem show de exibicionismo do que interesse mútuo de verdade... Aliás, péra lá. NADA parece de verdade, TUDO parece exibicionismo. Claro que há aqueles que usam a moderna ferramenta para networking e comunicação superficial tipo "Oi, te vejo lá mais tarde?". E está ainda mais claro que quem deixa muitas pistas quer se achado, seguido, admirado. Me admira que tantas pessoas acreditem que se pode conhecer alguém através de uma tela, sem o crivo dos olhos e sem a espontaneidade das palavras faladas...



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Sexta-feira, Setembro 23, 2005


O quê



Eu perguntei o que é poesia
ele me disse
que é sentir mais do que entender

Pois eu só sinto
e não entendo
o mundo tem mais cores com você



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Quinta-feira, Setembro 22, 2005


Fútil




Banal, frívolo, insignificante, leviano, vão. É assim que eu vejo hoje, agora, nesse momento o mundo. Ser uma florzinha, um doce de candura, uma tetéia - tudo isso é inútil. Por que ser legal? Pra que ser simpática? Quase ninguém merece isso de você. Pior: nem espera que assim aconteça. É besteira pensar que temos de agir conforme a regra para sermos aceitos. As regras que se fodam.

Tô com vontade de chutar cachorro. E olha que eu adoro animais. Cuspir na rua, catarrar no poste, atirar latas de refrigerante pela janela do carro, arremessar e ver espatifar um ovo na entrada do meu prédio. Quero ver feder a porra toda. Aliás, vou inventar um dispositivo de devolução automática e instantânea da secreção masculina na hora H. "O que que eu faço com isso?" Pá! Tó, pega de volta! Direto no meio da testa.

Sorrir pra quê? Falar coisas bonitas por quê? Vá comprar Sabrina na banca! O que eu posso oferecer, daqui por diante, é pisão no calo, verdades nuas e cruas, as mais cruéis, palavrão, muito palavrão, todo tipo de ofensa. Tô a fim de ser terrível. Do tipo que dá medo. Quero ver lágrimas caindo, baixo-astral, gente se afogando no lodo. Merda em todos os ventiladores que existem no planeta.

Não quero consolo, desculpa esfarrapada, mentirinha boba, panos quentes, perdão. Somos um bando de seres imperfeitos fazendo pose de todo-poderoso. Coitada da gente. Que pena que a gente não vai dar certo mesmo. Quem sabe na próxima encarnação? Quem me garante essa bobagem? Não vem que não tem, não me engana porque eu não gosto.

Já tão com raiva de mim? Provoquei nojo? Ou "ai, tadinha"? Que se e-x-p-l-o-d-a! Não é nada pessoal, só não mexe nem brinca comigo. E some da minha frente.

* Linhas jorradas em 22 de junho deste ano. Mas que valem pra todos aqueles momentos em que... Bom, vocês desconfiam. A propósito, eu precisava fumar meu último cigarro do maço agora pra perceber que é hora de reabastecer o meu isqueiro. Farei isso logo, já.



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Terça-feira, Setembro 20, 2005


Oblablá*



*Se fosse transcrito o que pensavam, apesar das bocas sempre ativas.

-- O que você está dizendo, moça?
-- O que eu estou dizendo, macacos me mordam?!
-- Pode falar à vontade, que o teu enredo eu cato sem nem uma palavra, ou sílaba, ou letra, gata.
-- Meus santos, ele deve achar que eu sou louca...
-- Mulher louca já vi várias, tem em toda esquina. A diferença é que algumas são mais ajeitadas.
-- Ele bem que podia me calar de uma vez por todas, mas, que é isso, não era esse o meu plano infalível de tentar provar que não sou apenas mais uma.
-- Se eu mirar bem esse pescocinho ela não me escapa, ah, não... Não me escapa...
-- Ele está vindo, ele está perto... Ah... ... ... ...

Homens têm que pontuar; mulheres têm que resistir. Ambos querem a mesma coisa, mas a mulher vai pela Marginal e pega um trânsito danado, fora que saiu de casa atrasada, tentando vestir-se como uma deusa. Homens vão pelas quebradas, capricham nas curvas, aceleram a máquina. Às vezes atropelam algumas placas e chegam na moça errada (mas sempre chegam em algum lugar). Mulheres perdem tempo com um Guia 4 Rodas ultrapassado, se deixam envolver pela música romântica que lembra bailinho tocando no rádio. Melhor quando se distraem com um rock'n'roll de verdade.



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Segunda-feira, Setembro 19, 2005


Era



Volta e meia acorda exausta, de tanto sonhar. Trechos de uma conversa que não faz sentido, uma sensação que se pode jurar ter sido real, a capacidade de voar. Enquanto estava lá, nada importava. Tanto faz se isso é só um capítulo de uma história inacabada, impossível, inverossímil. Ou se é prenúncio de uma nova era. (Tão bom seria, que bom que era. Ah...)



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Quinta-feira, Setembro 15, 2005


Piatto freddo



Daria tudo por essas linhas, essa aura, esse passado fulguroso. Mas aí olho de novo, não tenho certeza de que me troco. Claro que não me substituiria, mas sabe como é, como mudar de roupa. Na nova pele eu seria mais do que sou? Óbvio que não, eu mesma respondo. Que coisa besta essa de querer nascer de novo, ou pegar carona num outro corpo...

Ai, por que foi querer explicar o que está pronto? Que sapatos são esses? Meias são importante! Mania de aparecer e parecer mais que todo mundo... Abriu os braços e não conquistou o público. Bobagem atrás de bobagem, com o tempo se aprende, ganha muito quem fala pouco. Essa é a minha vantagem: tenho mais bagagem e não estou no centro da arena, mas no camarote. Jantar dos leões...



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Terça-feira, Setembro 06, 2005


Ela vai...



Todo mundo ficará surpreso quando descobrir que ela é do Brasil. Sim! Terra de Pelé e Ronaldinho, carnaval, Amazônia. Ah, claro, belas mulheres. Geralmente morenas, quase o ano todo seminuas, sempre sensuais, até o último gole de caipirinha. Mas ela é branca feito neve, tímida à primeira vista, de poucas palavras. Faltam referências sobre essa moça de ar misterioso, é verdade...

Por que teria de ser fácil aproximar-se dela? Quem disse que ela está aí, na sua frente? Ela é mais e vai além, sem fazer barulho. Seu apelido é flor, aqui entre os conterrâneos, apesar de que não há raiz que lhe prenda os pés num pedaço de chão. Ela é uma flor aérea, daquelas que vivem no cume das árvores. Espalha suas sementes com o vento, cresce no silêncio da madrugada. Em limites urbanos, procure essa moça atrás de algum livro, na noite calada. Uma bela flor só se faz com os melhores nutrientes que há na natureza.

Ela fala inglês, faz biquinho de francês, é fã de uma boa massa. Ela vai a qualquer lugar, sobe no avião, é primeira classe, e logo está jogando seu perfume por novos ares. Ela deixa saudades por onde passa, ela é a imagem de um sorriso de paz, ela fica no coração de quem teve (tem) a sorte de viver no vaso vizinho ao dela. Porque ela nunca pára, estão lembrados? Ela tem seu espaço reservado nesta grande cidade de onde vem esse relato. Só estamos emprestando seus superpoderes e sua hipergraça para a rainha da Inglaterra. Ouvi dizer, fonte quente, que estão cansados de tanto cinza.



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