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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Quarta-feira, Agosto 31, 2005


Para um amigo, sobre a paixão



Tava aqui matutando sobre essa coisa de estar ou não estar apaixonado, sabe?
Acho que eu sei o que é paixão pra mim, mas isso é algo "da pessoa", você concorda. Vamos lá:

Você abre os olhos - às vezes antes mesmo de abri-los - e a pessoa já está na sua cabeça. Não é bem uma imagem, nem uma lembrança concreta. Parece que um avião passou na sua frente e, lá do céu, estica uma enorme faixa com o nome dela, essa pessoa que te acorda e te acompanha o dia todo. Isso quando você não sonhou com ela - às vezes nem lembra o sonho, mas sabe que sim, ela estava lá.
Aí quando você sorri - e os cantos da boca parecem mais dispostos a se movimentar depois do surgimento dela - não dá para não achar que é tudo por causa da pessoa.
Que sorte tê-la ao meu lado. Que incrível será a nossa história. Quantos anos, tenho certeza, isso vai durar... Muitos, vários, todos. Seja aqui, ou na Conchinchina, seja do jeito A, ou da maneira B, tudo vai dar certo pra vocês, você pensa. Então você pensa que isso é loucura, é coisa da sua cabeça - "Que viagem!" -, mas você só está fazendo o que o seu coração manda.



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Quinta-feira, Agosto 25, 2005


Vinda



Sobra pouco
ou quase nada
quando se chega tarde.
Se houve atraso
não foi demora
simplesmente
desconhecia a hora.
Essa vontade de que o tempo volte...
Ou corra.
Já não há movimento certo.
Cadê horizonte?
Garantia nenhuma.
Ainda assim
melhor ter vindo.
Sem isso
seria à toa.
Contigo
é poesia.
Onda boa.



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Terça-feira, Agosto 23, 2005


Do que se aprende quando não se fala nada



Às vezes é melhor que não se diga nada, por mais que as palavras tenham força tamanha, ainda mais se bem empregadas. O silêncio de uma boca nervosa deixa o ouvinte no vácuo quando não espera. Espera, sim, que venha a verborragia habitual, para a qual já se criaram respostas, argumentos, defesas. Tudo é tão desnecessário... Bastariam alguns minutos quietos, a cabeça limpa e desperta, e a capacidade de trocar de pele e ser aquela, que tanto intriga. Mas não esperes tradução, pois, segundo o poeta, traduzir, mesmo que se troquem umas poucas letras, resulta em alta traição.



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Sexta-feira, Agosto 19, 2005


Sedefome



Cabeçudos, salvem! Venham pra cá-pertinho com suas idéias! Conteúdo pra pôr pra dentro - oba! - deixa aquele gosto de 'manda mais' na garganta. O Tico e o Teco comemoram: - Viva, infos novas! Não parece mas, quanto mais trabalho chega, mais eles se divertem, adóóóram. Fica tão mais fácil entender aqui/o que/como/porquês depois de uma boa labuta... A caixa de comando, por sua vez, aquela que abriga uma estrutura carinhosamente chamada de massa cinzenta (*ela, a massinha, odeia esse apelido! mas não conta!*), é uma caixinha diferente das outras: tem as paredes elásticas, que vão até a China. Loucura!, duvida!?, te mete! Oras... Mas se não usar a capacidade, ela fica frouxa... Feinha, parece uma bola murcha... Dizem que, com o tempo, se não é abastecida, o que já tá lá dentro vira pó, e nada mais se aproveita... Ô dó... Em compensação, se é bem preenchida, fica tinindo, brilha feito carro zero-quilômetro! E as baterias do corpo - a parte que anda, fala, beija, viaja, pula, ri, dança, brinca, transa, faz amor, faz guerra, ora... - também são aquela coisa, sá'com'é. Carro a álcool. Experimenta ligar cedinho, num frio lascado! Não pega de primeira de jeito maneira, não acorda. É só acostumar direito, 'vamo'lá, movimenta, mexe mesmo, se joga'. O esqueleto fica esperto, que beleza!, a bateria e todo o resto respondem, não tem firula. Não falam que a máquina pega o jeito de quem a opera? *Meu pc, veja você, esse danado, é a minha cópia!* Afinal, é isso mesmo. Como se presume, é o dono quem manda e toca essa birosca-maravilhosa toda.



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Quarta-feira, Agosto 17, 2005


De novo e nada



Tô burro-quando-foge, aquela coisa indefinida, nem isso nem aquilo, nada versus nada. Quase deletei esse meu blog público, não sei mais se sou cor-de-rosa, muito menos pública, e não tenho nada pra falar e ao mesmo tempo um milhão de coisas. Mas não quero panfletar, falar prum público anônimo, errante-navegante-sem-sair-de-casa, gente que talvez não entenda nem as vírgulas aqui colocadas... Tô a fim de ficar calada, ouvidos tampados e olhos míopes sem auxílio de lentes corretivas. Guardar esses óculos de otimismo pros momentos que são só meus, e não mostrar a cara nessas horas. Só quem vai me enxergar é quem está perto, atento, conectado. Pelas ondas reais, de fato, não-tecnológicas. Navegar é preciso, mas isso lá são horas? Sai já da frente dessa tela. Tá, eu sei que ela é que testemunha tuas conclusões mentais mais ilógicas... Você quer que eu diga? Ela não dá respostas. E tem alternativa.

Estou incompreensível e ótima com o espelho. Jóia.

*Mudar de template é algo que vai ficar pra próxima. Merd.!*



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Terça-feira, Agosto 16, 2005


Poucas, boas e novas



Este não será mais um espaço "cor-de-rosa". Eu lá sou rósea? (Leia-se purinha, ingenuazinha, e tudo mais que acabe dessa form'inha', bah.) Minha cor de infância era verde-água, meu quarto de adolescente, amarelo e cinza - pois é... Se este é um local público, a primeira impressão que causa é a porta para novas histórias. Vamos começar direito então, abrir as portas certas, oras.

"Ver a vida sob óculos cor-de-rosa." Que coisa mais auto-ajuda é essa?! Ok, até sou otimista, mas esperem me pegar numa pá-virada das brabas. Na boa, sou daquelas que se enquadram no "...uma boiada pra não sair da briga". Tem muuuita coisa que me torra!

Ponto final nessa retórica. Estou enjoada dessa combinação de tons pastéis em volta das minhas letras, pombas! Se for pastel, me vê um de palmito, beleza? (Ha ha ha.)

Aguardem - em suas cadeiras - por reformas!

:) --> E as carinhas, permanecerão? Tãn, tãn, tãn, tãn... Dãr.

* Este post NÃO é fruto de uma fase de tensão pré-porcaria nenhuma.



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Quinta-feira, Agosto 11, 2005


Isso não é um pedido



Não espero que se realize
Nada de concreto
Coleção de incertezas
Junte a isso mais um deslize

Pedido tem por favor
Não, obrigada
Obrigação de nada
Liberdade, meu amor

Já é tarde
Você não sabe
Nem eu, nem ninguém
Que pedir é mais além



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Sexta-feira, Agosto 05, 2005


Peça



Às vezes eu não me escuto, não me vejo, não me recordo de quem eu era, e ainda sou. Eu mesma. Ontem eu era pequena, escondida debaixo dos sonhos que eu criei sem a permissão da minha cabeça. Que, apesar de saber que não é por aí, não é bem assim, não é desse jeito que se faz, me permite guardar essas memórias falsas, de momentos que eu nunca vivi. E nem viverei, eu sei.

Eu invento uma realidade que eu sei ser descabida para o meu perfil.

Dou prioridade à personagem de uma artista que não fui eu que escalei pro elenco. Que pessoa é essa no meu roteiro? A minha participação nas minhas histórias não condiz com o script que eu tenho em mãos. Quem falou que essa sou eu? Ops, a mocinha? Eu não sou mocinha, nem bandida, eu não sei, não, não sei. Eu sou aquele tipo de figura que aparece às vezes, de relance. Confunde o espectador, intriga a platéia - "tsc, tsc, isso não é nada bom..." Coerência, por favor, cadê? Descobri: eu não sou atriz principal. Meu desempenho valeu a coadjuvante. Uma das. Eu atuo mal? Tenho talento! Falta empenho, eu sei, talvez. Com certeza. Inspiração... Transpiração... Ensaio eu dispenso. Vai dar tudo certo, eu decorei essas falas que eu nunca li, está tudo em mim. Merda! Luz, câmera, ação. Oxalá que, com o abrir dessas cortinas, eu faça o meu melhor. Eu sei, nasci sabendo. É só eu ser eu mesma. Eu dirijo a minha peça.

As peças que a vida prega...



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