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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Terça-feira, Junho 28, 2005
Muito prazer!
Pulando o post logo abaixo, o outro traz uma grande carga de certa revolta. O que gerou algumas reações assustadas... Não, gente, esta autora não é uma pessoa dura ou amarga. Não o tempo inteiro, nunca na totalidade das palavras. Aliás, meu blog é minha válvula de escape. Meu terapeuta express - de graça e sem marcar hora. Por isso, não se prendam a esse papo de óculos cor-de-rosa, não esperem somente rosas, dêem um desconto pros meus desabafos. Tirem dos textos o que lhes couber, aproveitem o que lhes servir, gostem ou não gostem. Fiquem à vontade. Não escrevo pra agradar nem pra dar de bandeja a minha essência. Não esqueçam: essa que vos escreve não sou eu, são outras. Partes de mim que não me pertencem, e eu tento moldar com as letras, uma a uma, e dá no que dá. Não calculo minusciosamente o resultado do que aqui faço. Esse é o meu local de ir à forra: sou rainha, guerreira, escrava, boba-da-corte. Posso saber onde quero chegar, mas como é sempre uma incógnita. E é esse desafio que me move. Começar um texto sem saber onde vai dar. Seja ele fofo, feliz, pesado, mal humorado. O que vão pensar de mim é o que menos importa. Finjam que não me conhecem, tá? Passem batido sem me cumprimentar. Comentem, claro, se assim quiserem. Eu sei, nós todos sabemos agora: não é nada pessoal.
;)
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5:45 PM
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Entrementes
Liberto não finjo mais não amo
Descruzo desconcentro
Desfaço estratagema denuncio
Enxugo a testa na mão pequena
Presságio estalo desenraizo
Periclito brisa sem frescor
Rebento presságio flama
Descasco anseio
Desminto na cama
Ovo poema
Extraído do novo livro do meu novíssimo amigo Paulo Ludmer, Falésia. Porque um pouco de poesia nessa vida faz um bem danado...
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2:47 PM
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Segunda-feira, Junho 27, 2005
As coisas que eu preferia não
A toda cagada feita se encaixa perfeitamente a frase "Eu deveria ter escutado a minha mãe", ou meu pai, minha avó, meu tio, minha amiga e por aí vai. Igualmente, a toda asneira ouvida, vista ou vivenciada graças a terceiros corresponde a frase "Eu mereço?". "Quero sumir!" também vale. O melhor seria poder se desmaterializar sem deixar rastros.
Outro dia, fui ao sapateiro, queria pintar um sapato. Ao saber o preço, joguei, de forma simpática e educada, meu discurso sempre pronto de pechinchadora que sou. "Poxa, mas esse sapato é aberto atrás, será que não dá para fazer um descontinho?" A mocinha detrás do balcão soltou um não que mal pude ouvir de tão baixo. O sapateiro cresceu de repente, se fazendo ouvir muito claramente de lá do fundo da pequena loja: "O preço é esse. Se quiser vá pesquisar em outros lugares." Se eu respondi "vá catar coquinhos", ou virei as costas pro bocudo? Nada. Não só fiquei com cara de coxinha como deixei o sapato lá para consertar. Não me conformo até agora...
Já uma outra vez, eu tinha uns 18 anos, uma fulana deu em cima do meu namorado - que também tinha lá sua parcela de culpa, mas isso eu resolveria em casa... Perguntem se ela mexeu de novo com algum comprometido da cidade? Eu chacoalhei tanto, mas tanto, mas tanto aquela pessoa pelos braços que ela perdeu o rumo de casa. As cobras e os lagartos que eu falei pra ela devem ter feito a cabeça dela virar um Simba Safári. Justo, não? Toda ação gera uma reação; toda sacanagem pode gerar uma bofetada.
Falando em animais, quantas vezes engolimos sapos? Quantos "vá ver se estou lá na esquina" tivemos de disfarçar? A quantas bobagens, absurdos, propostas indecentes teremos de passar calados? Isso me lembra a cabine do sim ou não: quer trocar um carro zero km por um pente desdentado??? Posso soltar um palavrão na sua orelha ou finjo que não escutei? Vá propor essa barbaridade pra sua mãe, @#$%&*+§! Aceitar pacificamente? Aí está... Pra provar que somos civilizados? Pra que, ó raios!? Será uma questão de educação? Formalidade? Ou é o velho "não esquenta a cabeça!" colocado em prática, feito muleta? Justiça seja feita a quem faz injustiça.
Pois eu ando a fim de bancar a incendiária ultimamente. Botar fogo no meu orgulho. Jogar gasolina na razão e riscar o fósforo do meu limite - o último palito da caixa. Do mesmo jeito que eu sou obrigada a passar por certas situações, posso fazer o outro passar também, oras. Por que tem de ser meu o papel de boazinha deste filme? Outro dia, ouvi um diálogo na rua em que a conclusão era a máxima "Aqui se faz, aqui se paga". Estou a fim de cobrar as contas que me cabem.
Não sou um poço de bondade e tenho asco de gente metida a besta, folgada e/ou ignorante. E, numa boa, eu estou ótima, muito bem, obrigada, se o leitor quer saber. Eu preferia não ter de dizer tais verdades, podem crer, mas... Aqui estão elas (ou melhor, uma parte), doam a quem doer. (Eu faria o mesmo, em seus lugares, e o mundo seria um local mais habitável.)
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4:12 PM
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Quarta-feira, Junho 22, 2005
Can you feel a little love?
Dream on
Depeche Mode
As your bony fingers close around me
Long and spindly
Death becomes me
Heaven can you see what I see
Hey you pale and sickly child
You're death and living reconciled
Been walking home a crooked mile
Paying debt to karma
You party for a living
What you take won't kill you
But careful what you're giving
Can you feel a little love
Can you feel a little love
Dream on, dream on
There's no time for hesitating
Pain is ready, pain is waiting
Primed to do it's educating
Unwanted, uninvited kin
It creeps beneath your crawling skin
It lives without it lives within you
Feel the fever coming
You're shaking and twitching
You can scratch all over
But that won't stop you itching
Can you feel a little love
Can you feel a little love
Dream on, dream on
Blame it on your karmic curse
Oh shame upon the universe
It knows its lines
It's well rehearsed
It sucked you in, it dragged you down
To where there is no hallowed ground
Where holiness is never found
Paying debt to karma
You party for a living
What you take won't kill you
But careful what you're giving
Can you feel a little love
Can you feel a little love
Dream on, dream on
Can you feel a little love
Can you feel a little love
Dream on... Dream on
Dream on... Dream on
Não entendeu lhufas? Clique aqui.
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2:59 PM
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Terça-feira, Junho 21, 2005
Forasteiro(s)
A tela branca, vazia; meu corpo gelado, meus dedos duros - começo a digitar.
Tenho lido coisas soltas na Internet, sabido de vidas estranhas (e bota estranha nisso), navegado com prancha de isopor sem saber pra onde remar.
Minha cabeça é mais perguntas do que respostas, minha língua tem obedecido mais e dá lugar ao ouvido - melhor amigo não há.
Com a idade vem a sabedoria? A pose de sabe-tudo sim, ao menos, disso tenha certeza.
Tanta informação pra nada? Tanta promessa pra quê? Somos bestas. E agora a bola tá na mão da Dilma... Ou seria melhor dizer bomba? Nada a declarar.
Capuccino, edredon, livrinho, filminho, chamego, xodó. Quando? Só se for agora! Não dá...
Vontade de escrever pra esquentar os dedos, desafogar o cérebro, espalhar as idéias sem pé nem cachola pra quem quer que seja. Pouco importa quem lerá pois é pura perda de tempo achar que isso faz a diferença - o texto. Mas uma platéia é sempre bem-vinda, não se pode dispensar.
Lembro do meu avô Benvenuto toda vez que vejo aquelas placas na porta das cidades. You're welcome, viu? Pode entrar, fica à vontade, mas seja um turista civilizado. Se quiser a sua cidadania, burocracia aqui não existe, tá? (Será o paraíso? Há!) Esquece a papelada. Só reconhece firma no meu peito, estabelece residência na minha cama, aprende o meu idioma - vem com a prática, baby, fala o que der na telha, vai, sem parar. O resto você já conhece, o voto é secreto, não pode ultrapassar as regras da minha constituição, seja física ou moral. Vale a pena, o meu país. Tem casa, comida, alegria, alma lavada. O imposto é zero, não existe escravidão muito menos trabalho forçado.
E, se tudo acabar em pizza, vá lá, uma redonda não é nada mau... Só não deixa de levantar a bandeira e vibrar com o time no mundial, afinal ele bate um bolão - vai negar? Ah, tais aqui de passagem, tiraste férias, saquei... Bem, ok. Obrigada e volte sempre. (Não esquece que na fronteira sempre rola uma revista, turista é turista, é pois, normal.) O caminho cê sabe de cor.
(Olha, a tela tá cheia!)
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5:39 PM
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Quinta-feira, Junho 16, 2005
A próxima da vez
Quase sempre há alguém na minha frente... Três ou quatro pessoas? (Não sei se a mocinha de verde acompanha o rapaz, mas parece, afinal ela está a seu lado.) De qualquer modo, paciência nunca é demais.
A música não muda nunca, tampouco agrada. (Muuuito lenta, soa antiga.) Será que só pega essa estação de rádio? Vendo pelo lado bom, pelo menos sei as letras... Posso cantarolar. Em pensamento, levanto da cadeira, não dou bola pra platéia, rebolo sem parar. Adoro quando eu sou eu comigo mesma!
Acho que o melhor é tentar abstrair, buscar distração, talvez cochilar. Hum, será que é proibido onde parei meu carro? Aliás, e aquela manobra maluca, será que serei multada? Essa revista é do ano passado?! Notícia velha não dá. Essa hora bate um soninho... Vergonha de ficar com os olhos fechados. Preciso permanecer alerta. Bah.
Upa, movimento! Me chamaram? É comigo? Não, não, não foi dessa vez... Volto pro meu pequeno retiro improvisado. Incrível como a gente se acostuma com certas situações... E tem opção melhor? O jeito é deixar rolar.
Lá fora começa uma chuva fina. Estou sem casaco, sinto o frio tomar conta do meu corpo. Putz, o trânsito já é ruim, assim é capaz que vire um caos. Sempre que esfria o tempo, cai a temperatura, o fluxo das coisas parece emperrar. Meu Deus, que horas eu vou chegar lá?
Uh, é meu nome, me chamaram! Chegou a minha vez. Ufa. Levanto, me dirijo à pessoa que tem a palavra que eu aguardo. (Satisfação antecipada, impossível negar.) Enfim um diagnóstico pro meu caso. Tem cura? O tratamento é longo, eu já imaginava... Não é doença, me explica: "Veja, esta é apenas a realidade." A vida às vezes parece uma sala de espera, onde se fica ansioso por um resultado definitivo, imediato, que vá mudar a nossa vida. Mas remédio para certos males não há.
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6:30 PM
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Quarta-feira, Junho 15, 2005
Garimpo virtual
Sou fã de carteirinha das tirinhas dos Malvados! Todo dia dou uma conferida no site, que quase diariamente renova a historinha. Os temas são atuais, e as cutucadas são precisas e têm um toque de fina ironia (adoro!). O traço meio tosco do autor dá um tom ainda mais ácido aos personagens, que apesar dos poucos riscos são mega expressivos. (Fica aqui a primeira dica deste post.)
Pois é a tirinha abaixo que provocou o meu texto de hoje.
O que eu venho dizendo há tempos? Não se pode confiar cegamente na Internet! Com todas as facilidades que a vida moderna trouxe, vieram muitos piratas e pilantras de carona pela web, gente que escreve as mais grotescas bobagens e coloca no ar coisas de autoria, gosto e relevância duvidosos. É preciso muito cuidado!!!
Mas, também não se pode deixar de destacar as boas coisas que a www oferece. Nas minhas atuais e cada vez mais freqüentes navegadas pelo universo da cultura na rede, tenho achado verdadeiras jóias para quem busca mais conhecimento e boa diversão.
Abaixo, a mais recente listinha "top" dessa moça curiosa que vos escreve.
El Poder de la Palabra - site espanhol que reúne grande acervo de literatura, arte, música, arquitetura e cinema, tudo ao mesmo tempo agora. Exemplo: você procura Woody Allen e encontra, além de uma breve biografia e da filmografia, os principais destaques de algumas trilhas sonoras de filmes do diretor. Os índices estão separados pelo alfabeto, ou por época, ou por países, e ainda por textos e prêmios. Dá para ler um trecho de alguma obra do autor, ouvir música do compositor escolhido ou ver as fotos das principais obras de um artista ou arquiteto. Na página do Oscar Niemeyer, pode-se saber até os contatos da sua fundação! Completo ou não? Ah, e o que é legal também: na home toda semana entram em destaque uma música, uma banda, um compositor, um álbum - pode-se escutar tudo - e um filme. Já virei habitué!
Porta Curtas - site da Petrobras com grande acervo de curtas-metragens - 286 estão disponíveis para assistir. Destaco o que encabeça a lista dos mais vistos, Ilha das Flores, do diretor gaúcho Jorge Furtado, mais premiado curta brasileiro de todos os tempos. Através da "vida" de um tomate, o curta mostra pra onde vai o lixo da cidade de Porto Alegre. O filme é de um poder de alcance sutil (quase imperceptível a princípio) e sensacional. Fora o humor inteligente impregnado. Vale a pena, tem só 13 minutinhos. Mas dá pra gastar horas nesse site...
Leia Brasil - é de uma ONG homônima e tem algumas coisas interessantes sobre literatura. O histórico de autores diversos, sugestões de leitura e entrevistas com gente variada, de Adélia Prado a Zuenir Ventura, passando por Elza Soares e Roberto Freire. Ótima fonte de pesquisa.
Boas viagens! (=";"=)
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11:47 AM
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Sexta-feira, Junho 10, 2005
Romance goela abaixo
Dois livros chegaram aqui na redação ontem. Paixões - amores e desamores que mudaram a história e Paixão Pagu - a autobiografia precoce de Patrícia Galvão. Nada mais oportuno nessa época pré-Dia dos Namorados, não? Forcei a barra? Ok, confesso que sempre odiei essa data. Mesmo quando estava namorando, me lembro muito mais dos fracassos do que das vitórias na comemoração. Porque fica aquele frenesi 'que presente eu dou?', 'onde vamos jantar?', 'puxa, cai bem no dia anterior àquela reunião punk às 7h, nem posso tomar um porre' etc, etc. E, convenhamos, é só mais uma data no seu namoro que TEM de virar especial porque não pára de aparecer propaganda com esse tema. Bem melhor quando o casal decide por sua conta os dias que marcam sua história. Ah, só pra encerrar meu desabafo, fui ao shopping almoçar e vi que não poderia ter feito escolha mais errada. Imaginam o caos provocado pelo bando de namorados atrás de mimos pros seus pares? Bah, saí correndo sem olhar pra trás. Como eu disse a um amigo, domingo darei um grande salto em minha vida. Só falta decidir se da Ponte do Limão ou do Viaduto do Chá. Ha ha ha. Brincadeira. Se eu for me jogar, que seja numa pista de dança beeem animada. Subo no palco e rebolo pra quem quiser olhar. Afinal, NÃO tenho namorado. Ufa. Odeio essa data.
Voltando pros livros... Bem, o Paixões é de uma escritora espanhola que resolveu contar os romances mais quentes entre personagens históricos. Se eu disser que, até onde li, não há final feliz, vocês acreditam? Pois tem Evita e Juan Perón, Marco Antônio e Cleópatra, John Lennon e Yoko Ono, por aí vai. Comecei lendo sobre Liz Taylor e Richard Burton, de quem tanto ouvi falar quando estive em Puerto Vallarta, México, cenário de grande parte do romance tórrido. Diz o livro que os dois, que se conheceram no set de filmagem de Cleópatra, se agarraram na primeira cena de amor de um jeito que parecia que ia rolar um curto-circuito. A partir daí, podiam gritar "Corta!" que os dois continuavam lá, no maior dos amassos. Já adorei essa história!
O outro, Paixão Pagu, é na verdade uma longa carta que ela escreveu pra seu amor, o escritor, jornalista e crítico Geraldo Ferraz, em que são reveladas facetas da sua personalidade que fazem cair por terra muitas lendas que se criaram em torno de sua figura. A ver. Comecei a ler na fila do banco mas não cheguei à tal carta. O livro tem uns adicionais: os dois filhos escrevem capítulos, também um estudioso americano. (Aliás, alguém aí me fala, o Geraldo Galvão Ferraz, segundo filho de Pagu, trabalhava no JT na minha época?) Bem, seja como for, ela é uma das maiores figuras femininas que esse país já teve. Foi ativista política, intelectual fervorosa, casou-se com Oswald de Andrade, escreveu durante quatro décadas sobre os mais variados temas. Mas o que mais me chamou a atenção (eu não sabia): ela foi presa 23 vezes, era inimiga política número 1 da ditadura Getúlio Vargas. 23 vezes? Não é pouca coisa. Tem que ser muito mulher pra uma coisa dessa. E ela era mulher pra mais até, com certeza.
Saudades de Liz, de Pagu... Ainda faço minha humilde homenagem a elas. E que não me amolem mais com esse papo de amor, paixão e romance porque eu já tive a minha dose. (Até que me provem o contrário.) A única dose que eu quero até domingo é de vodca ou algo do gênero. Prosit!
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5:21 PM
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Quinta-feira, Junho 09, 2005
Esqueçam dele, p*!
Ao mesmo tempo em que vibro por estar adentrando essas novas águas do jornalismo de cinema, escrevendo curtas matérias sobre filmes, vejo que o que mais existe na face da Terra (ou pelo em terras brasileiras) é Rubens Evald Filho wannabe. Todo mundo quer dar pitaco nessa área, e o que menos falta é espaço na Internet. Fico chocada com a quantidade de textos ruins por aí. É um mar de porcarias e injustiças, pelo simples fato de que uma crítica de cinema, a ideal, não deve simplesmente julgar uma obra. Lição aprendida na aula do crítico da Folha Sérgio Rizzo. Ele disse que considera sua crítica boa quando o leitor não consegue concluir se ele, vossa-Excelência-"O"-crítico, gostou ou não do citado filme. Ou seja, não se trata de rasgar seda ou esculachar: o crítico tem de dar as ferramentas para que o leitor tire suas próprias conclusões, o que quer dizer que se deve acima de tudo embasar a idéia. Apenas.
Mas vamos ao assunto proposto no título - pára de enrolar, menina! Como este é um blog pessoal e destinado ao pequeno quase inexistente público, vou na contra-mão de tudo isso e falarei bem de um filme que a crítica fez questão de arrasar. Party Monster, com Macaulay Culkin. Sim, é ele o garotinho de Esqueceram de Mim. Pé-pé-péra! Antes de qualquer comentário de sua parte, vamos lá. Imaginem-se com 10 anos de idade virando estrela de Hollywood. Vendo sua família se despedaçar, sua vida virar coisa pública, e, tudo bem, sua conta bancária engordar até quase estourar. Michael Jackson é seu melhor amigo. E a imprensa que não te larga. Acho que ele diria "Esqueçam de mim, porca miséria!"... Ok, ok, onde quero chegar? Não deve ser fácil ser Macaulay Culkin. Agora ele assume, estava no Uol hoje, que era dono de uma certa quantia de drogas. P*! Não sei se eu teria feito diferente em seu lugar, sabem? (Isso tudo me lembra aquelas agências de "pequenos talentos" - sempre achei absurda essa história, prato feito para um perfeito trauma num ser iniciante na vida! Baaah!)
Pra completar - e é essa a razão de eu querer faz algum tempo escrever um post sobre Culkin -, sua atuação foi duramente criticada em Party Monster, bem como todo o resto do filme. Eu adorei!!!!!! Será que ando muito enganada? Ele de drag queen está um espetáculo, convence até a Bianca Exótica! Li que ele está over no papel... Gente, alguém já viu uma drag blasé? Sussa? Me poupem esses pseudo-críticos, tá? O filme é chocante, assim como a versão verídica. Tudo se baseia no livro Disco Banho de Sangue, de James St. James, que conta a trajetória de Michael Alig, que ficou famoso em meados dos anos 80 por conta de suas loucas festas regadas a muita purpurina, ecstasy e música eletrônica. Não digo mais por respeito a quem não assistiu - coisa que outros "colegas" não fazem, bah. Quem viu ou ver depois vem aqui e me conta o que achou.
Enquanto isso, vou pra casa colocar a trilha sonora bem alta e dançar no meio da sala.
Na capa do CD do filme, cérebro dilacerado
Hypando na The Face
Beijoca pra você, Macaulay! Hahahaha...
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8:23 PM
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Sexta-feira, Junho 03, 2005
Digestão sentimental
Eu podia falar da minha grande descoberta da semana, que tem a ver com essa fase de "sede literária", algo muito bacana a que tive acesso e que deve me abrir novas possibilidades nesse campo. Mas depois eu conto. Eu também podia contar que ontem eu vi o último do Woody Allen e adorei, ou falar dos outros filmes que tenho visto. Não, agora não. Eu quero falar de coisas sem nexo: sentimentos.
Não, sentimentos não fazem sentido senão para o seu dono. Isso quando se fala de um caso unilateral. Claro que um casal no auge da paixão sente parecido, quase igual... Quase. Não se pode mensurar nem explicar com exatidão algo que está dentro de você e não tem forma, cor, cheiro, pé nem cabeça. Mas até aí nenhuma novidade.
Complicado é quando você está lá, com algo povoando o seu corpo, uma sensação estranha que muitas vezes nem você sabe diagnosticar. "Onde dói?" "Aqui, ó." "Mas é que tipo de dor? Pontada, ardência, agulhada das bravas, sempre ou só de vez em quando?" "Não, não é sempre, é só nos dias que começam errado, aí volta a danada da sensação. Não chega a ser dor não, doutor. É um negócio que invade e vai crescendo, crescendo, a ponto de quase estourar. Tem cura?" "Ah, toma isso aqui, 3 vezes ao dia, que vai passar." Seria perfeito... Mas é impossível. Aí, o jeito é soltar de algum modo - atenção: chutar porta e xingar no trânsito também não vai lá trazer muito resultado.
Você conta a um amigo. "Ah, pára de sentir isso, boba. Esquece que logo vai passar." Dor de dente se esquece sem remédio? Dor de cabeça? Por que com sentimento - acho exagero chamar de dor - há de ser assim? Ou algo acontece ou você explode, oras. Mais sensato seria procurar uma solução viável e razoável.
Razoável é o que, afinal? Cada um tem uma interpretação do que significa agir com sensatez. Dizer o que pensa, o que sente, o que pretende, a que veio - isso, para uma fã da verdade como eu, é que parece sensato. Porque se você não explica, ou pelo menos tenta, não há como a outra parte corresponder às suas expectativas.
Mas, existem por aí alguns inimigos da sinceridade no campo dos sentimentos. A ver:
- Em cima do salto sempre. Abrir seu coração pra qualquer um, sem certificado de garantia de merecimento do outro, é arriscado, "pouco elegante" (ou fora de moda?) e pode te fazer levar o maior fora de toda a sua vida.
- Agudos e graves. Fala uma teoria científica que, depois de algum tempo de convivência, homens não conseguem entender as mulheres porque simplesmente seus cérebros não codificam tons agudos - ou seja, a voz feminina. E vice-versa. Eu acho que já nascemos todos com essa dificuldade...
- Quem espera sempre alcança. Fala-se que iniciativa pode significar "queimar etapas", algo proibido, inadequado. O famoso "deixa rolar". Mas, que eu saiba, quem rola é pedra, e eu tenho mais o que fazer, muita pressa mesmo, pra aguardar que a bola role até meu campo de volta. Isso é paciência, xadrez ou um jogo de verdade, um pega pra capar?
Bem, bem, o que se vê aqui são velhas queixas, poucas soluções e um mar de possibilidades... Enquanto isso, vou de Engov, um antes e outro depois desse angu de sentimentos que eu almoço e janto todo dia.
E tome banho de champa!
posted by .pin.
1:40 PM
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Quarta-feira, Junho 01, 2005
Escrever é...
É curioso e até um tanto assustador como nessa vida uma coisa leva a outra. Eu diria mais: uma coisa boa leva a outras melhores. Quando você decide buscar algo em que acredita, tudo parece te levar pelos caminhos que podem te fazer chegar àquilo. É a velha máxima de que o universo conspira a nosso favor... E não custa acreditar nisso.
Eu ando nessa sede de escrever, com idéias bombando na minha cabeça. Mas chego a ficar zonza com tanta informação e, como não consigo organizar as coisas muito bem ainda nos meus arquivos do cérebro, chego a sentir uma pontada de estafa. O Tico e o Teco me cansam com tanto movimento, dá pra entender? Estresse criativo existe? Acho que acabei de descobrir que tenho isso, o que me coloca numa corrida contra o tempo, pois acho que dia após dia perco matéria-prima... Minhas mãos também ainda estão pouco treinadas para transformar palavras soltas em frases, essas, em textos. Textos que tenham sentido, que levem quem os lê a algum lugar. Um local bacana, de preferência! Mas, nunca é tarde e estou me mexendo. Mais uma vez, "vamos lá".
E, voltando ao lance de que as coisas parecem cair na nossa frente com algum sentido claro quando se está atrás de um objetivo, registro um texto a que cheguei meio por acaso, de um grande escritor espanhol, Enrique Vila-Matas. Tem tudo a ver com o que vem sendo falado nesse espaço - e que, com força ainda maior, tem povoado meus pensamentos.
Escrever é deixar de ser escritor
Vale a leitura! :)
posted by .pin.
11:59 AM
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