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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Terça-feira, Maio 31, 2005


Dejá vù



Hoje eu "me vi" no blog de um amigo. Explico: lendo o post inicial do blog dele, recém-inaugurado, me identifiquei, vi ali uma parte de mim, quando eu era uma jornalista dando os primeirinhos passos mas com os olhos lá na frente, morrendo de pressa de acumular conhecimento, digeri-lo e devolvê-lo ao mundo em forma de palavras. Como alguns sabem, tenho outro blog, pessoal, e já tive outro, também íntimo. E percebi que, mesmo quando eu escrevia e escrevo sobre assuntos só meus, a ferramenta é a mesma, e isso, a meu ver, não deixa de ser "praticar jornalismo". Você tem um fato e um dicionário inteiro para explicá-lo aos leitores... Então mãos à obra, é isso mesmo!

Pois bem, a sensação que o blog tinindo de novinho do meu amigo me causou foi boa, ótima, gratificante para ser mais exata. Inevitável não pensar "esse é dos meus", um cara que também adora juntar palavras. E, pelo que parece, faz isso não só com gosto, mas com cuidado. Porque as pessoas acham que escrever é um troço complicado, que escritores e jornalistas inventam fórmulas mirabolantes, ficam matutando até achar a maneira mais embromada de expressar a idéia. E é justamente o contrário! Um texto bem escrito é simples, fácil de entender. Como uma boa comida é aquela preparada com cuidado e carinho (bons ingredientes são essenciais!), e que de preferência possa agradar aos mais diversos paladares e caia bem no estômago mais sensível! Escrever é como cozinhar, sim, foi isso o que eu disse. Mas parece que, enquanto a gastronomia ganha glamour, escrever tem virado preencher páginas brancas e lacunas vazias no jornal... Uma confissão: quando eu vejo um erro de português, juro, me bate um enjôo... O mesmo que bate quando sinto cheiro de comida mal-feita. Ou estragada. E matéria mal escrita? Tendenciosa? (E por aí vai...) Uuuuuurgh...

Blablablá, o que eu queria contar aqui é que estou feliz de encontrar um ser que compartilha da mesma paixão que eu, e que leva a coisa a sério. Textos bem escritos, assuntos bem pensados: fica claro um legítimo amante da boa língua portuguesa! Amém! E é pra ele, esse amigo e colega, que separei algumas "reflexões" sobre jornalismo que o mestre Alberto Dines, que em breve entrevistarei para uma matéria do Cultura News (yesss!), lança ao final de seu livro (obrigatório na área) O papel do jornal:

* O jornal não acaba, há sempre um outro no dia seguinte. O êxito ou o fracasso de uma edição terminam exatamente na edição posterior. (A gente falava lá no JT quando alguma coisa saía errado que "Tudo bem, amanhã o jornal já vai estar no fundo de alguma gaiola ou embrulhando algum peixe na feira". Piadinha mais sem graça... Hahaha!)

* A grande regalia do jornalista é poder dispensar as regalias. (O que não é tão válido quando se escreve sobre turismo, claro! Mas isenção deve ser a palavra de ordem, sempre.)

* Se todos estão olhando para o céu, dê uma olhadinha para o chão. Certamente, você encontrará assuntos que os competidores estão descurando. (Sensacional!)

* Os leigos em geral adorariam ser jornalistas, desde que não se precisasse ir à rua catar uma informação, escrevê-la rapidamente, trabalhar à noite, sábados, domingos e feriados. (Sim, eu sei bem o que é isso...)

* Jornalismo é uma atitude otimista, aberta. Aquele que prejulga ou que se ressente previamente com a informação nunca vai encontrar boa informação. Não se briga com a notícia. (Perfeito...)

Corro o risco de ser over, mas vamos lá: Viva o bom jornalismo, por um país de pessoas mais bem informadas - e formadas! ;)



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Segunda-feira, Maio 30, 2005


Miscelânea



Ano passado, escrevi sobre a Parada Gay e fui duramente criticada por alguns. Okei, okei, como diz meu pai, opinião é que nem bunda, cada um tem a sua - e, por isso, eu nem deveria colocar meus bobes de preocupação de novo na cabeça. Mas, voltemos lá, pois o que vou escrever aqui é justamente o oposto do que eu havia dito lá atrás. E, que fique bem claro desde já, tratava-se de um ponto de vista sobre a (des)vantagem de se levantar bandeiras em avenidas públicas, de querer se fazer ouvir no grito, na tentativa de convencer alguém à base de tratamento de choque. Portanto, o X da questão do texto sempre foi a manifestação, e nunca a causa. Como se diria em alguma ciência exata, falava-se da forma, e não do conteúdo. Sendo mais clara: eu lançava um olhar de dúvida sobre as reais vitórias de uma passeata como essa. Assim como às vezes penso se vale a pena sair na rua com placas 'abaixo a corrupção' em vez de se informar mais sobre a política nacional e aprender a votar certo. Neste caso, no da causa homossexual, a maior barreira é o preconceito, como sabemos. O desafio é ganhar o respeito de quem está do 'lado de lá', gente que até vai à Parada, mas parece estar vendo um desfile de ETs, alguns mortos de nojo ou medo. Pois bem, minha impressão não mudou nesse sentido. Muita gente retrógrada ainda olha o que aconteceu na Paulista torcendo o nariz, achando que gay é sempre aquela pessoa pintada, travestida, no melhor dos mundos que tem um certo 'jeitinho'. E a minha dúvida era se não valia mais a pena mostrar a essas pessoas justamente o contrário: gays são pessoas que também usam camiseta e calça jeans, dão duro pra ganhar o salário, pagam impostos, têm família, amigos, sentimentos, são de carne e osso. Fazer essa gente preconceituosa ver antes e além do show da Parada - essa história de ser gay tem começo, meio e fim, e muita gente não sabe, nem quer saber, tem raiva de quem sabe! Não são só as sete cores do arco-íris nas bandeirinhas e a embalagem sexual exposta pra quem quiser ver. Gays não têm a sua 'causa', o seu 'estado', a sua 'opção' (o que seja) estampados na testa, de modo que, no meio de uma outra multidão, a de todos os dias no metrô, talvez, não se pode saber que são 'diferentes'. Aí, justamente aí, morava o meu erro. Eles são diferentes sim, oras. Assim como eu sou de você, do meu vizinho, da minha própria mãe. Hoje, já acho que a Parada tem mais é que rolar mesmo, e crescer - ser a maior do mundo a nossa já é. E eu tava lá no meio, sorrindo e dançando. Somos imperfeitos, e se somos. Todos nós, sem exceção, graças a Deus. E esse negócio de ser chamado e tratado como minoria tem que acabar. "Mais, mais, mais, mais glitter!"





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Segunda-feira, Maio 23, 2005


Cinemania



Três filmes que vi nos últimos dias, adorei e recomendo:

Verão feliz - o título original é Kikujiro
Esse é o Central do Brasil do diretor japonês Takeshi Kitano, segundo os críticos brasileiros. Um filme doce, cheio de imagens lindas e momentos sublimes, que fazem entender de onde vem o mérito do diretor de Hana-Bi (considerado uma obra-prima), Zatoichi e Dolls. Na capinha, diz que se trata de uma comédia, mas ressalto que humor de oriental é outra coisa - superválido sacar qual é e não menos válido pra quem quer rir. Mas o que me impressionou foram os enquadramentos e o modo não-convencional de conduzir a história, pinçada de toques "infantis". Outra informação da capa: o cara é um artista multimídia, que também dá pinta como ator, designer gráfico etc. Estoure pipoca e bom divertimento.

Pão e tulipas
Lindo, leve e solto, por mais clichê de propaganda de modess que isso possa parecer! Sabem aquelas histórias que no final te deixam com um sorriso no rosto? Delicioso. O italiano Silvio Soldini nos apresenta Veneza e personagens tão adoráveis quanto estranhos, numa trama ao mesmo tempo simples e surpreendente. Para ver e ficar suspirante, achando que o amor está em qualquer lugar que não sabemos, mas que um dia surge na nossa frente. Com o ator que fez esse novo do Hitler (ótimo, por sinal), Bruno Ganz - perfeito no papel do garçom que fala difícil.

A insustentável leveza do ser
Por favor, o que é o Daniel Day-Lewis nesse filme?!?! Charmoso, irresistível, apaixonante. E Juliette Binoche? Uma boneca. E os dois juntos? Lena Olin também está ótima e fecha um dos trios mais calientes do cinema. Bem que o famoso crítico Roger Ebert disse: "O mais erótico filme sério desde O Último Tango em Paris". Claro que há quem torça o nariz, já que não é tarefa fácil adaptar a obra de Milan Kundera, mas o que eu acho, mesmo sem ter lido o livro, é que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... Nem sempre literatura e cinema se misturam de forma homogênea - e tudo bem, certo? A direção é de Phillip Kaufman (Os Eleitos). Ah, e a fotografia é maravilhosa - o pano-de-fundo é Praga, preciso dizer? Outra pedida pra ir pra cama (ooops...) suspirando...


Eles...


Ele!!!



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Sexta-feira, Maio 20, 2005


Misterious ways



O caminho do paraíso, já percebi, é sinuoso. Você segue as indicações do mapa, mas às vezes se distrai com uma música no rádio, ou baixa uma neblina pesada, e de repente você perdeu aquela entrada à direita, seguiu reto, e já não sabe onde está nem onde essa estrada vai dar... Mas tem que continuar seguindo, o trajeto é longo e difícil, dizem os mais sábios que a jornada compensa, e o fato é que você não pode largar o volante, muito menos o veículo... Parar no acostamento pode ser uma boa alternativa, ou num posto, será que o pneu está furado? Imprevistos de qualquer viagem, esteja sempre preparado. Concentre-se no que há de melhor nessa rodovia: a cachoeira do amor, o lago da amizade, o recanto da família... Você não pode esquecer que estão todos lá, e se você não os viu, pegue o primeiro retorno, você logo acha.



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Quarta-feira, Maio 18, 2005


Under control



The Strokes

I don't want waste your time,
I don't want waste your time.
I just wanna say
I've got to say,
We worked hard, darling
We don't have no control
We're under control

I don't want do it your way,
I don't want do it your way.
I don't want give it to you, your way,
I don't want to know...

I don't want change your mind,
I don't want change the world.
I just want watch you go by.
I just want watch you go by.
We were young, darling
We don't have no control
We're out of control

I don't want do it your way,
I don't want do it your way.
I don't want give it to you, your way,
I don't want to know...

I don't want change your mind,
I don't want waste your time.
I just want know you're alright.
I've got know you're alright;
You are young, darling
For now, but now for long
Under control.



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Terça-feira, Maio 17, 2005


Sem fronteiras



Você percebe quem são as pessoas que realmente vieram pra ficar na sua vida quando, mesmo em continentes diferentes, um lembra do outro e sabe que amigos de verdade são escassos como os dedos e, como tais, podemos contar com eles sempre. Domingo, o Samir, que tá morando em Adelaide, Austrália, me ligou pra contar as novidades. Uma delas é que seus planos pros próximos meses incluem mudar-se para uma cidade que, segundo ele, fica pra lá daquele local que costumamos chamar de p.q.p. "Flavita, sabe onde Judas perdeu as botas? São 400 km pra frente!" Claro que anotei o nome e joguei no Google, porque meu sobrenome é curiosidade: Whyalla - "onde o deserto encontra o mar". Já ouviu falar? Pois clique e descubra do que se trata.

E, Samirzinho, quero dizer aqui que tenho MUITO orgulho de você. Um cara generoso, ponta firme, determinado, de um astral absurdo. Sim, você virou um homem e tanto com toda essa experiência em tão pouco tempo. Como se diz lá na minha terrinha (Pin.damonhangaba, pode ser? Hahaha...): você é um homem com H maiúsculo! Hahaha... Aposto que em Dois Córregos o povo fala a mesma coisa!

Beeeijos!



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Segunda-feira, Maio 16, 2005


Na moto com Gael



Ainda não tinha visto Diários de motocicleta, então corri pra ver esse fim de semana pois vou escrever uma matéria sobre ele. Eu gostei, sim, e teria algumas das minhas costumeiras observações para fazer aqui, mas... sabe o quê? Me basta dizer que o Gael García Bernal é um colírio, e faz valer o filme. (Dá licença... Se cala a parte crítica e assume o lado tiete!)



"Sim, a vida é uma merda mesmo.
Você tem que lutar por cada sopro de ar
E mandar a morte para o caralho."
Frase de Che Guevara em cena de Diários



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Sexta-feira, Maio 13, 2005


Nego is beautiful



Ontem, finalmente, descobri - e sei que cheguei atrasada - a música de um cara chamado Nego Moçambique. Fui a uma festa de 1 ano da revista Pista e tava lá, na frente das pick-ups, e de repente entra ele, botando pra quebrar no som e com sua performance (o sujeito canta e dança, sensacional!). Pôs a galera pra mexer e fazer 'uh huh' e outras manifestações do tipo. Paguei um pau, juro. Não é à toa que Nego esteve ano passado no Sonar, em Barcelona, e no Favela Chic, em Paris.

Mas não vou rasgar seda nem teorizar muito. Ouçam ou leiam uma entrevista com ele pra Bitsmag. As opiniões dele estão todas lá, ótimas por sinal. Ele fala do seu trabalho, do cenário musical brasileiro, do funk carioca, de preconceito... Vale a pena já, antes que seja mais tarde ainda...

É a força black, meu irmão! Eu digo: Nego is beautifullllll!



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Quinta-feira, Maio 12, 2005


Happy news, sempre



Parece mesmo que este espaço se consolidou entre seus inúmeros leitores (hehe) como um local de informação indolor, coisas pequenas, quase desimportantes - pelo menos pra quem ainda não entendeu que aqui não é o uol, nem o aol, nem nada que termine com essas duas letras! Porque tenho escrito basicamente sobre livros, filmes e viagens, de vez em quando publico algo nonsense, experiências pessoais e intransferíveis com a palavra escrita. Pois bem, é isso mesmo. Ouvi na primeira aula do curso de Jornalismo Cultural que estou fazendo que isso se chama happy news (hap.pin news? hehe), ou soft news. Adorei. Eu já disse e repito mil vezes que aqui não vamos discutir a origem do mundo ou a queda da bolsa, a não ser que seja algum acidente com uma moça desatenta!

E me lembro muito bem quando na época de faculdade uma amiga minha disse "Não, não me sentirei jornalista enquanto não for para o front, cobrir incêndio, rebelião, greve, escândalo político, tragédia... Isso sim é jornalismo de verdade!"... E eu, que já trabalhava com turismo e tinha indícios da minha vocação para a perfumaria, como se fala por aí de matérias de cultura, variedades, comportamento, só respondi: "Sei, sei. Mas quer saber? Que me deixem com o jornalismo de mentira mesmo." É isso. Estou feliz assim. Minhas sugestões de pauta vão dos prazeres de cozinhar à relação humanos X animais de estimação. E vou vivendo.

Aí que estou nesse momento imersão total no mundo da sétima arte. E, já que é assim, preciso tirar o atraso e ver o que os mestres já fizeram. Claro que Fellini está na minha lista de filmes obrigatórios, relação essa que só cresce a cada dia - preciso de uma prisão perpétua para ver e ler tudo o que quero!!! Então contarei aqui que assisti a Outubro, de Serguei Eisenstein. E deixo a 2001 falar por mim:

Terceiro longa-metragem de Eisenstein, que ele fez para comemorar os dez dias de Revolução Soviética, em 1917, durante os quais os bolchevistas derrubaram o governo Kerensky. Outra obra máxima de Eisenstein. Aqui ele usa, de forma impressionante, métodos experimentais e sofisticados de montagem, baseada no choque entre imagens para comunicar idéias abstratas, e o conceito das massas como herói. Filme obrigatório aos amantes do cinema, pleno de criatividade e forte apelo político social.



O filme é preto-e-branco, e foi feito em 1927. Não tem falas, só música em alguns momentos - a sonorização foi feita depois. Russo, ouvido e lido (porque no filme são jogadas umas palavras e frases), é uma loucura. A técnica do cara é impressionante - principalmente se pensarmos nos poucos recursos disponíveis quase 80 anos atrás. Eu pirei com duas sequências: uma da ponte elevadiça e outra da dança dos marinheiros. Conclusão? Isso sim é fazer cinema.

Ah, sim, nada a ver com nada: fui ao show do Zeca Baleiro sexta passada. Confesso que só fui atrás porque achei que descolaria uma credencial de Imprensa - e descolei. Passei a admirar ainda mais o cara, e hoje tenho certeza de que o menos legal de sua obra é justamente o que mais se ouve em FM... Mas aí é papo pra outra conversa, e não quero falar pra quem possa torcer o nariz pro meu gosto musical. Como diria nossa amiga que virou hit, tô nem aí.



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Quarta-feira, Maio 11, 2005


Trilegal



Três livros da série "Você é uma mãe pra mim, valeu!"
(Presentes de Dia das Mães)


The Hotel Book
Coleção da toda-poderosa editora alemã Taschen que reúne fotos dos mais belos hotéis do mundo, separados por continente. Minha mãe Marcia, que adora e trabalha com arquitetura e decoração, ganhou o volume da América do Sul, com fotos do brasileiro Tuca Reines.


Cats 24/7
Tem gente que, como eu, adora bichos, mas há quem tenha uma paixão específica por gatos... (Sim, eles são um charme.) Lá nos EUA tá cheio de gente assim, tanta que dois caras reuniram fotos caseiras que os donos tiraram de seus bichanos no dia 24/7 sei lá de que ano e puseram nesse livro. Dei um pra dona Ilka, uma "gatomaníaca".


Viagem gastronômica através do Brasil
Culinária brasileira apresentada através de fotos lindas, história e folclore. As receitas dos pratos mais típicos do Brasil com muita imagem e prosa. Vovó Nair mais que merecia - e a gente prova e aprova na prática depois.



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Sexta-feira, Maio 06, 2005


Pé de nabo



"Quando alguém me desaponta
Paro tudo e dou um tempo
Dali a pouco eu me dou conta
Que ninguém é cem por cento

Seja príncipe ou um sapo
Seja um bicho ou uma pessoa
Até mesmo um pé de nabo
Tem alguma coisa boa."

Trecho da música infantil Pé de nabo, da dupla Sandra Peres e Luiz Tatit, do Pé com pé.

:)



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Quinta-feira, Maio 05, 2005


Educam-me!



Adoro a sensação de prazer e leveza ao sair do cinema depois de ter visto um bom filme. Aconteceu isso ontem, vi Edukators. O diretor alemão Hans Weingartner conta a história de três jovens idealistas que formam o grupo chamado Edukators. Os educadores agem contra a burguesia sem uso de violência - a criatividade e a ousadia são suas armas. Não acho que valha a pena dizer aqui mais detalhes da trama - acredito que é muito mais legal chegar ao cinema meio sem saber qual é a do filme.

Aí vão as minhas impressões... Os três - Jan (Daniel Brühl, que também atuou em Adeus, Lênin), Peter (Stipe Erceg) e Jule (Julia Jentsch) são fofos e lindos, e mantêm uma relação de matar de inveja boa. O enredo é interessante, as idéias expressadas durante o desenrolar da história são sutilmente despertadoras - a meu ver a maior pretensão não é convencer alguém politicamente - e o mais bacana: rola uma química perfeita entre a parte engajada e a parte "romance e fantasia". Ah, sim, a fotografia é estonteante, com uma visão exata do que é o meu paraíso. A trilha sonora, uma delícia, faz deixar a sala de cinema cantarolando... "Aleluuuiiiaaa... Aleluuuiiiaaa..." Ou melhor, Hallelujah, regravação de Jeff Buckley da música de Leonard Cohen. (Eu, Gabo e Alex parecíamos saídos de um culto entoando juntos esse refrão! Hahahaha...)

Em tempo: Edukators entrou na seleção oficial de Cannes em 2004. Site oficial do filme, clique aqui.


Os três bonitinhos...

--> Quem estiver em Sampa e correr pra ver dá tempo: hoje é o último dia de exibição no Gemini, na Paulista. Ou espere o DVD... Fica a dica! :)



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Quarta-feira, Maio 04, 2005


Paixão ao primeiro livro



Em mais um desses acasos da vida cheguei ao escritor argentino Manuel Puig. Li The Buenos Aires Affair porque me deparei com a resenha e achei instigante, pela descrição do estilo do autor e pelo título - BA sempre remete a boas lembranças... Comprei, li em três pegadas na minha viagem do feriado. Terminei apaixonada, chocada, empolgada. Era o que eu precisava neste momento em minha vida, nessa fase de 'será que posso escrever algo que preste um dia?', 'será que minhas loucuras fazem sentido no papel?' e, finalmente: 'será que interessam a mais alguém além de mim mesma?'. Manuel Puig me deu todas as respostas - parece milagre daqueles que pastores prometem, é fato! Aleluia!

Puig escreveu vários sucessos, entre eles O beijo da mulher aranha, que ganhou a tela do cinema com Sonia Braga no papel-título. Já estou com esse e mais Boquinhas pintadas na minha cabeceira, quero devorá-los com gosto, várias e várias vezes. As temáticas de Puig e sua forma sem classificação de escrever me tocam profundamente. Me deixam cheia de interrogações, exclamações e reticências na cabeça. Puig brinca com as palavras, não respeita regras. Começo, meio e final? Às vezes simplesmente abre mão disso. Em Buenos Aires Affair, ele escreve cada capítulo de um jeito diferente. Começa frases pela metade. Confunde o leitor misturando fatos com pensamentos e viagens psicológicas muito loucas. Dá um chute no óbvio e na mesmice. E, no fim, tudo faz sentido.

Me encantou saber um pouco da sua vida atribulada. Ele começou achando que seu negócio era cinema, descobriu anos depois que era literatura. Nisso, já tinha rodado meio mundo - morou em Paris, Estocolmo, e quando escreveu seu primeiro romance, A traição de Rita Rayworth, trabalhava como recepcionista poliglota da Air France em Nova York. Antes, foi lavador de pratos e professor de línguas. Passou seus últimos dias no México. Sua obra reflete tamanha intensidade. Trata-se de um cara superculto e profundo. Puig cita cenas de filmes clássicos e autores diversos em seus livros. Dá banho.

E eu, em apenas um livro, já digo com todas as letras que sou sua fã. Depois volto pra contar mais do que tenho lido dele. Ou melhor, querem saber? Corram pra alguma livraria e aí voltem vocês pra dizer se me entendem.



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Segunda-feira, Maio 02, 2005


Ambíguo



O dia está ensolarado
Mas com o céu aberto e claro
Os olhos, quase fechados
Fica difícil enxergar

Não é noite de Lua cheia
Mas como o céu está estrelado
As constelações, lado a lado
Fica fácil localizar

Dois corpos, uma dança
Não ocupam o mesmo espaço
Os pés descompassados
Foi bom te conhecer, voilà.



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