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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Quarta-feira, Abril 27, 2005


Viva México!



Cancún é naturalmente linda - usando um único adjetivo, o que na verdade é injusto. Porque ao ver a cor de seu mar e toda a beleza em volta, não há como não pensar "Ok, agora me digam, que tinta é essa que jogaram na água? E quem plantou toda essa vegetação? Os animais, de onde vocês trouxeram? Os resquícios maias (que podem ser vistos perto dali, em Tulum e região), de quem foi a idéia de reproduzi-los aqui?"... É que a cidade começou, 35 anos atrás, a ser estruturada para receber os vizinhos ricos, os americanos... Pouco a pouco, toda a verdade desse balneário mexicano foi maquiada e artificialmente estruturada para recebê-los e, claro, encher os cofres nacionais. (O México está na lista dos países que mais recebem turistas no mundo - acho que perde da Espanha, que ocupa o topo da lista, e de mais alguns poucos, se isso.) Em Cancún, se percebe que debaixo dos sombreros está um povo amável, sim, mas muito mais que isso: ciente de que essa é a sua realidade, oferecer sua riqueza autêntica para quem tem dólares no bolso.

Aí me perguntam se eu gostei de Cancún... Si, por supuesto! Pra começar porque Cancún, apesar da máscara americanizada que lhe puseram, é México, um país alegre e criativo em estado puro. A bandeira de tamanho espetacular espetada na Zona Hotelera e em menor escala em todos os cantos não deixa esquecer que ali não é território dos Estados Unidos. E, mesmo em meio aos néons dos restaurantes fast food que servem camarões em vez de hambúrguer, dos resorts que mais parecem uma prisão onde se pode desfrutar de suas comodidades com liberdade e dos parques "naturais" que impõem horários e snorkel a preço alto para observar o fundo do mar, mesmo diante de tantas regras descobrem-se vestígios do México original - esse sim de deixar qualquer turista sensível morrendo de amores.

Beba marguerita, tequila, mezcal, michelada. Vá ao mercadão de artesanato, muito mais feio que os shoppings luxuosos, mas onde não há ar-condicionado, respira-se ar genuíno e cultura pulsante. Não se deixe perder nos bibelôs feitos em fábrica - prefira o que vem das mãos daquelas senhoras baixinhas que usam tranças longas e roupas coloridas. Pechinche sempre, isso é hábito local e uma ótima oportunidade para puxar um papo. Desencane da piscina enooorme do hotel e entre no mar, ainda que de chinelos pra não machucar os pés nos arrecifes. Vá aos parques, é algo inevitável, mas pule os passeios muito "fake" e eleja outros mais rústicos. Coma tudo o que há em cada um daqueles potes - e dá-lhe cerveja pra enfrentar o chili! Se possível, sente-se com um nativo ou alugue o garçom pra entender e seguir o ritual - o que vai com que, o que se come primeiro, o que vem depois. Hable mucho, mucho español - treinando o ouvido é fácil, fácil... Procure um grupo de mariachis e, se não achar, pelo menos leve um CD pra casa. Xcaret, um dos muitos parques, tem um show noturno pra turista ver que pode parecer uma roubada, mas não é. A história do México é contada com cerca de 200 figurantes, música ao vivo, muita luz e cor, dos maias até as danças originárias de cada Estado - é de cair o queixo o tamanho da diversidade nessa terra. Repare que os mexicanos são muy, muy amables - até os bichos são receptivos, é incrível! Abra bem os ouvidos, os olhos, a boca. Intere-se de tudo e explore o que estiver a seu alcance, melhor ainda se com seus próprios pés...

E, se achar esse relato muito parcial, exageradamente duvidoso, pense que pode ser fruto dos efeitos de alguma substância alucinógena... Que está solta na atmosfera mexicana, devo adverti-lo.



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Segunda-feira, Abril 18, 2005


Música eletrônica para todos



Minha história com a música eletrônica começou há alguns anos e, como toda iniciante, ia às festas muito mais para encontrar pessoas do que para admirar de perto as novas sonoridades. Se o som empolgava tava tudo bem, tudo ótimo. Não me ligava se o carinha que comandava a pick-up era Fulano ou Beltrano, muito menos qual era a classificação da música que ele fazia - meu negócio era dançar.

Lembro do meu primeiro Skol Beats - trata-se de uma das histórias clássicas que gosto de contar. Fui à antepenúltima edição realizada no Autódromo (quem foi tem saudades de quando era lá!) com o Alex, meu amigo pau pra toda obra. Tinha dois vipões na mão, que liberavam o acesso a uma área onde rolava cerveja de graça. Ficamos os dois lá, meio dançandinho, meio só olhando, mas sem dúvida se divertindo. Até que são 3 horas da madrugada - apenas o começo de uma boa balada - e meu companheiro começa a sentir movimentos estranhos dentro de sua barriga. "Pin, vamos embora, preciso sair correndo daqui e tem de ser já!" Eu desacredito: "Pelamordedeus, como assim? Dá um jeito, sei lá..." Mas, diante da cara de pavor do meu parceiro, resolvi que o melhor era mesmo abandonar a festança e partir para um local seguro de imediato. Terminamos a noite dando boas risadas na cozinha da casa da minha vó, comendo pão caseiro até dizer chega. Memorável...

No ano seguinte, lá estava eu de novo, dessa vez ligada no line-up influenciada por uma turma que manjava do assunto - a Gabi me conduzia. Tive nessa noite minha primeira experiência de "nossa, meus pés estão tão leves, e todo mundo está sorrindo... e o que é esse som, dá pra alguém explicar? etc e tal"... (Acho que quem está "me" lendo agora entende...) Conclusão: fiz jus à blusinha com duas asinhas prateadas desenhadas nas costas e fiquei dançando por horas e horas, só faltando flutuar. Pronto: havia encontrado uma nova (e incrííível) praia.

Na edição que veio depois dessa não pude ir - estava viajando a trabalho. Mas minhas amigas que foram adoraram e disseram que eu teria me divertido horrores. Não é difícil acreditar.

Ano retrasado, fui de comboio com meus mais chegados amigos, uma coisa família unida - Alex, Lu, Dani, Fe. (Lili, que tava na Bahia, ganhou brindes em sua homenagem!) Não desgrudamos um só segundo e tivemos uma das melhores noitadas ever, do tipo que todo mundo adora relembrar nas reuniões. Assistimos juntos aos DJs mais legais - nessa altura já tinha mais noção do que me agradava ou não musicalmente -, tudo graças a uma estratégia previamente traçada pelos mais inteirados da turma (gracias, garotos!). Cruzamos dezenas de vezes o Anhembi, crentes que era dia de desfile no Sambódromo - e nós, claro, no carro abre-alas! Todos estavam de Pogobol no pé e só tiramos pra entrar no carro e ir para minha casa. Isso eram 9h da manhã e o mineiro Anderson Noise fechava o festival com direito a gritinhos e aplausos. A cena que ficou marcada na memória é a do Alex saindo da festa com o Fe nas costas, de cavalinho! A gente atrás rolando de dar risada!

Aí veio o ano fatídico, a edição do trauma. Primeiro que criamos uma expectativa gigantesca, e até van alugamos pra ir do chill in pra esbórnia. O que passou: um público maior do que o esperado, uma estrutura cheia de pontos falhos, uma chuva pra atrapalhar e umas Aspirinas que nos deram - sendo que até então ninguém tava com dor de cabeça! Todo mundo se perdeu, quase perdi a bexiga de tanto ficar na fila dos banheiros - até descobrir que meu crachá de Imprensa me dava direito a invadir umas áreas que, nem preciso dizer, usei e abusei para meus devidos fins. Nem me perguntem dos DJs... Nos programamos pros melhores e até vimos a apresentação de alguns, mas não foi possível encontrar um ponto decente dentro daquelas tendas pra que a gente pudesse ouvir e curtir algo. Foi a Skol mais quadrada que já experimentei na vida.

Esse ano, ah... Pra começo de conversa não criamos nenhuma expectativa. Vamos? Vamos. Tem 3 DJs ótimos que tocam no palco aberto e começam cedo, um atrás do outro. Vamos lá pra ouvi-los, se der vontade damos o fora. Foi perfeito. Sete da noite e já estávamos lá, meia hora depois o performático Anthony Rother também estava lá, com seu aparato de cento e poucos quilos, um microfone e um megafone - dá pra imaginar? Nem preciso dizer que o cara mandou superbem, mostrando com quantos botões se faz música boa. Começamos a sentir que 'uh huh' seria a palavra-chave da noite. Depois, vem um gringo com um sorriso de orelha a orelha, o holandês Michel De Hey. Set rebolativo cheio de toques pop - e não é disso que o povo gosta? O Pogobol de novo, ai ai ai... Mylo chega com dois baixos e uma guitarra - ele e mais dois caras prontos pra arrepiar. "Drop the pressureee!" Ufa! A partir dali o que viesse era lucro. Vieram Mari Zander - única djéia da balada -, Faithless (live) e Erick Morillo. Na sequência viria Mau Mau mas nessa altura quem tava mal de cansaço era a pessoa que vos escreve agora... O saldo? Positivíssimo, não há o que questionar. A infra tava ótima, cerveja gelada a 2 reais, encontrei várias pessoas bacanas e dancei até os pés pedirem pra ficar na vertical.

O que eu acho de uma megafesta como essa é: música boa é direito fundamental de todos, não se pode negar. Vivaaa! :o)



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Quinta-feira, Abril 14, 2005


E por falar na tal noite moderna de Buenos Aires...

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Menininha blablablá



Tava com desejo de comer sanduíche de mortadela no balcão da padaria. Fui lá. Tem uma amiga que sempre brinca "Tá contrariada? Põe tua melhor roupa, fica liiinda, e come um pão com mortadela que sara!". Nunca entendi mas sempre achei ótimo. E hoje não duvido mais: olha que sara! Qualquer sentimento de contrariedade. Mas também se pode apelar pro pão com mortadela simplesmente por apelar. Acho digno.

Geralmente eu vou almoçar num quilo aqui perto. Por ser o mais honesto (boa variedade e cara de limpo), mas também por conta de outra coisa que, depois de começar a fazer minhas refeições fora de casa, comecei a reparar. Esse tal quilo que eu freqüento é o que menos tem gente falando de assuntos da firma na mesa e palitando os dentes depois de almoçar. Porque se tem duas coisas que eu acho absolutamente desnecessárias são essas daí. Ninguém é obrigado: 1. a falar/ouvir assuntos de escritório na hora em que, teoricamente, se deveria relaxar. Salvo se aquele é justamente um almoço de negócios; 2. a ter de assistir à sessão higiene bucal alheia. Se eu quisesse ver resto de comida sendo retirado da boca dos outros, teria feito Odonto. E ponto final.

Bem, e já que o clima é de "menininhas que enxergam o mundo cor-de-rosa às vezes trocam os óculos de sol pelos de grau, que é pra ver melhor certos absurdos aos quais não se pode fechar os olhos - e muito menos compactuar", vamos lá pra mais um momento "justiça seja feita"...

Quando trabalhava no Jornal da Tarde, descobri muitas matérias feitas depois que quase tudo o que eu escrevia era vendido pra outros jornais. Se eu ganhei algum centavo a mais no meu salário por isso? Nem f*. Mas, enfim, isso é discussão pra outro fórum. O fato é que, semana passada, quando estava fazendo aquele frila sobre a noite moderna de Buenos Aires, estava eu no senhor Google - aquele ser superior - quando caio numa matéria de quem? Minha, prum jornal de Joinville. Ok, eu já sabia que esse era um cliente habitual das matérias que a Agência Estado vende, mas a surpresa foi outra. Muito desagradável, pra falar a real. Tinham mudado o lead de um texto meu (algo que eu sempre soube que faziam), mas eis que na hora de editar colocaram alguém que não sabe que sujeito e verbo devem concordar. Resultado: a matéria tinha um erro horroroso de gramática, e com o meu lindo nome em cima, a "concordar" com a barbeiragem! Claro que na mesma hora escrevi um email e enviei aos principais chefes do jornal A Notícia (é esse o excelentíssimo jornal!).

Trecho da minha "carta": Gostaria de pedir que reparem tal erro, pois apesar de entender que a matéria lhes foi vendida e portanto é direito de vocês editá-la como bem entendem, é o meu nome que está assinado ali e com isso colocando minha credibilidade como profissional em jogo. Tsá?

Um editor-executivo me responde com um pedido de desculpas e com a promessa de que o mal seria reparado. Agora, cá entre nós, ninguém merece ver seu trabalho distorcido, piorado, pra www inteira ver e se assustar!

Quer ver? Clique aqui! Quinta linha da matéria "Clima europeu logo aqui ao lado".
(Vale dizer que esse lead não é meu messsmo (na boa, o meu tava melhor!) e a frase antes, como foi colocada por algum sem-noção de nada, era "A beleza e o charme de Buenos Aires é visível". Tsá???)

Esse papo todo até me deu vontade de falar um palavrão: POXA! Hahahaha... :P



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Quarta-feira, Abril 13, 2005


Muito menininha?



Hoje me peguei mais uma vez encucada com o que venho escrevendo desde sempre neste espaço. A cisma já é antiga. Às vezes, eu termino de escrever um texto e penso "Meu Deus, como você está rosa, levezinha, mole...". Mas aí eu repenso e chego à conclusão de que sim, esta sou eu. Não vou perder meu tempo escrevendo coisas pesadas e ruins, muito menos quero registrá-las aqui. Seria o mesmo que, em vez de gravar o seriado Friends (algo que eu fazia na época da faculdade!), eu gravasse fitas e fitas de Jornal Nacional. Oras, pra que eu quero isso? Sim, informação é preciso, mas vamos combinar que não estou aqui pra competir com Uóis, Aóis, Folhas e Estados! Quem quiser hardnews que procure num site de notícias decente! Eu prefiro falar dos meus sonhos de garota que gosta da idéia de ser garota, apesar do peso da idade, das minhas experiências floridas, das palavras sem nexo que vêm e que vão, dos textos quentinhos que eu recebo dos amigos... Das coisas que eu gosto. Se parece alienação ou babaquice pura e simples, eu nada posso fazer. Prefiro ser meio babaquinha mesmo de vez em quando, sabem? E é assim que vai ser!

:o) ---> E vou continuar com as minhas carinhas! Hahahaha...



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Terça-feira, Abril 12, 2005


Melhor idade



Eu sei que ando rasgando uma seda absurda pra minha profissão, mas lá vou eu de novo... Dessa vez é pra dizer que uma das coisas que eu mais adoro no que faço é a possibilidade de, a cada nova matéria, conhecer histórias, realidades, pessoas diferentes. E queria contar de uma reportagem que fiz pra edição de abril do Cultura News. Uma lição de vida.

A idéia inicial da editora era falar de residenciais para a terceira idade. Não esses asilos que a gente conhece, mas uns novos, modernosos, que mais parecem um flat bacana, cheios de conforto e opções de lazer. Fizemos isso, fui conhecer um aqui perto da Paulista, e ali começou o primeiro capítulo do meu aprendizado. Conheci 4 senhorinhas incríveis, superanimadas, antenadas com o mundo, exemplos de que o termo "melhor idade" - que vem sendo usado pra substituir o que fala em "terceira" - faz todo sentido. Passei uma manhã inteira com elas, almoçamos juntas e esticamos o papo até onde eu pude ficar ali. Terminamos falando de cinema... A mais velha do grupo - 95 anos! - me conta que não gostou muito de Closer... (Cá entre nós, um filme bem "avançadinho"!)

Mas aí sugeri que a pauta englobasse outros serviços para os idosos, como pacotes especiais de agências de viagem. Procurei uma de ecoturismo. Pedi que me indicassem um personagem bem legal. Paulo, 75 anos, tem um jipe e já não viaja mais com os grupos da agência. Traça seus caminhos com outros jipeiros e assim conhece vários cantos do País. Mas o bom humor do Paulo (nada de chamar de senhor!) é sua marca. Seu jipe tem nome, Archimedes, e tudo que conta tem um toque de irreverência e leva ao riso. Uma figura ótima. Faço a entrevista por telefone, mas marcamos uma sessão de fotos. Viramos amigos. Como ele é vizinho do escritório, ainda recebo suas visitas... Outro dia ele me deu dois panos de prato de presente de um gurizinho que passou vendendo no café onde estávamos! E hoje ele veio aqui buscar seus exemplares... Me deu um livro, 10.000 km de Brasil. Triste é que roubaram seu Archimedes dia 21 passado... Mas o próximo veículo já tem nome... Tigrão! É ou não é o máximo?

Todo esse episódio me fez pensar em tantas coisas boas... A primeira delas: preciso ir logo dar um beijo na minha vó! ;)



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Segunda-feira, Abril 11, 2005


Quem não gosta de ser amado?



(Um texto ótimo de um escritor incrível - Luís Fernando Veríssimo - recebido hoje de um amigo querido!)

Quem não gosta de ser amado? Ser paparicado? Receber atenção especial, presentinhos e beijinhos doces? Quem não gosta de surpresinhas gostosas, beijo na boca e abraços apertados? Quem é que de livre e espontânea vontade prefere a solidão a uma boa companhia? Ora, todo mundo quer uma boa companhia e de preferência para todo o sempre.
Mas conviver com essa "boa companhia" diariamente por 3, 5, 10, 15, 25 anos é que é o difícil. No começo dos relacionamentos e até 1 ano de vida amorosa, tudo são mais ou menos flores (se o seu relacionamento tem menos de um ano e já é mais de brigas e discussões, caia fora dessa fria). Não adianta você dizer que depois de três meses apenas "encontrou o amor de sua vida", porque o amor precisa de convivência para ser devidamente testado.
Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, se amando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca que tem feito muita gente, que se julgava equilibrada, perder os parafusos e fazer muita besteira.
Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estão crescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da velocidade das informações e o medo de ficar sozinho. As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus conflitos, vícios e qualidades, e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal da alma gêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscam para o seu lado. Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas e até roubar o parceiro de alguém. É uma guerra para não ficar sozinho.
Medo, medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências, medo de encarar a vida e suas lutas. Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor), fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si mesmo, nos quartos e no seu egoísmo, a pessoa transfere toda a sua carência para o(a) parceiro(a), transfere a responsabilidade de ser feliz para uma pessoa que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, vem a realidade, o caso melado, o "fala amor" acaba e você, que apostou todas as suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e o pior: muitas vezes fica sem vontade de viver.
Pobre povo desse século da pressa! Precisamos urgentemente voltar ao costume "antigo" de "ter tempo", de dar um tempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas. Namorar é conhecer, e reconhecer. É época de pesquisas, de reconhecimento. Se as pessoas não se derem um tempo, não buscarem se conhecerem mais, logo em breve teremos milhares de consultórios lotados de "depressivos" e cemitérios cada vez mais cheios de "suicidas" cansados de si mesmos.
Faça um bem para si mesmo e para os outros, quando iniciar um relacionamento procure dar tempo para tudo: passeie muito de mãos dadas, converse mais sobre gostos e preferências, conheça a família e mostre a sua, descubra os hábitos e costumes. Parece careta demais? Que nada, isso é a realidade que pode salvar o relacionamento e muitas vidas.
Pense nisso e se gostar, passe essa mensagem para frente, e quem sabe se, juntos, não ajudamos alguém carente de amor a encontrar um motivo para ser feliz. Muita pretensão? Não, só vontade de te ver feliz. Eu acredito em você! E acredito no amor que faz bem...

Luís Fernando Veríssimo



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Sexta-feira, Abril 08, 2005


Enquanto durmo



Algo me invade
Enquanto durmo
Não sei se é só sonho
Não, não é, eu sei

Não sei se é prosa
Ou poesia
Ou se são palavras soltas
Que só a mim fazem sentido

Só sei que quando acordo
Elas ainda me povoam
E tomam de assalto
A minha loucura
O meu bom senso

O que sobra sou eu mesma
Por enquanto...



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Quinta-feira, Abril 07, 2005


Dia de uma trabalhadora feliz



Neste dia, dedicado aos sujeitos que tanto criam - até ano passado eu nem sabia, mas hoje é dia do jornalista! -, não estou com muita imaginação pra contar coisa alguma, talvez porque tenha usado muito a cabeça ultimamente escrevendo matérias sobre meus novos focos: filmes e livros. Agora estou às voltas com Kill Bill 2... Rasgando toda a seda merecida à Tarantino pelo tamanho de seu talento. E acabei de terminar um texto sobre Cats... Odiei mais que tudo - é muito brega, chato pra chuchu e, pasmem, não há história!!! Mas quem lê o que escrevi pode jurar que amo o musical mais que tudo, isso sim! Vida de jornalista tem dessas coisas...

Agora uma marca quase histórica: deve ser o 50º texto que escrevo sobre Buenos Aires! Juro, mais um motivo pra eu amar essa cidade... Mesmo depois de tanto tempo após a última visita, ela continua me rendendo frutos! (E dá-lhe freelas!) Dessa vez falo da noite moderna - já havia escrito pra Vogue. É uma delícia reescrever um texto, viu? É a chance de você melhorar um trabalho e ainda estimular a criatividade tendo de falar a mesma coisa de um jeito diferente... Não é super?

É por essas e outras que eu tenho certeza de que acertei na minha escolha... E não há nada mais gratificante do que isso! :o)



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Quarta-feira, Abril 06, 2005


Interesse antigo, paixão nova



De repente me pego apaixonada. É paquera antiga, confesso que já dava toda bola. Uma de minhas paixões mais atuais é o cinema.

Desde que me vi obrigada a escrever sobre filmes, passei a gostar ainda mais dessa arte. Pra fazer textos bons, o olho tem de estar extremamente ajustado e a cabeça aberta, mas cheia de informações relevantes. E cinema é fácil de virar vício, porque a cada novo filme que se vê surgem indicações novas, um filme leva a um diretor, que leva a vários outros filmes, e cada um desses pode levar a outros mais por causa de seus atores, e assim vai, parecendo não ter fim. Sorte que não vai acabar mesmo!

Minha lista de filmes a assistir está enorme e só aumenta dia após dia. Preciso de um DVD (tadinho do meu VHS...) e muitas sessões pelos cinemas da cidade!

Alguns títulos que estão na mira:

Dez
Medo e delírio em Las Vegas
Noites de Cabília
Contra a parede
Bons companheiros
Os esquecidos
Jogos, trapaças e 2 canos fumegantes
Amores perros
Nove rainhas
Antes do anoitecer
Depois daquele beijo
O leopardo
Os meninos do Brasil
Pão e tulipas
Doutor Jivago
Dois perdidos numa noite suja
Não se mova
Lucia e o sexo
Liam
Trapaceiros de meia-tigela
O barato de Grace
Garotas do calendário
Era uma vez na América


Pois é, eu sei, vou ter de me enfiar boas noites e fins de semana dentro de casa... Acho ótimo e tem tudo a ver com uma nova fase. :)



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Terça-feira, Abril 05, 2005


Mantenha-se à esquerda



O medo provoca inércia. O pior medo é aquele que tira a coragem de realizar um movimento invisível para muitos: permitir ao coração que se sinta livre para sentir.

Não seria melhor ensinar ao coração, desde novinho, que ele está 100% liberado? "Pode sentir à vontade, coraçãozinho!" Porque quando somos pequenos não temos de nos controlar, esconder aquilo que sentimos. As crianças têm as respostas mais sinceras: "Não gosto desse lugar", "Você é bonito" ou um simples "Estou com fome". Elas é que sabem a melhor forma de tratar seu mais importante inquilino.

É que cuidar de um coração adulto não é tarefa fácil, sim, é verdade. Ver a realidade sem filtros nos torna mais medrosos.

O coração aperta no meio do dia, não escolhe o lugar, e lá vai o dono sufocá-lo antes que seja passada a instrução "Chore!" aos olhos. Não são permitidas lágrimas em locais públicos.

O coração fica feliz e quase solta à boca a ordem "Sorria! Beije!"... Não, não! Por um triz evitou-se uma cena, uma pessoa atacando a outra em plena rua clara. "Ainda é cedo, coração, comporte-se!"

De novo ele, o coração, sente admiração, desejo, carinho, e encaminha o mandado aos braços "Envolva, abrace, aperte!"... Pare! O que é isso? Já pensou o que o outro pode pensar de você? Por acaso você é um coração tarado? Ou está carente?

É por isso que ao coração foi destinado um espacinho pouco privilegiado, apenas o lado esquerdo. No centro do corpo, ele poderia achar que é ele quem está no comando e pôr tudo a perder num mundo de prisioneiros.



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Domingo, Abril 03, 2005


Avenida da Saudade



A cabeça e o coração, como todos sabem, têm o mesmo endereço. Moram no mesmo prédio, são vizinhos de porta, mas como são muito diferentes, vivem em conflito.
O coração gosta de dar festas; a cabeça vira e mexe reclama do barulho.
O coração não quer saber se é dia de limpeza: está sol e ele quer usar a piscina. "Que se foda essa cabeça, não entende do que é bom, não sabe o que é aproveitar a vida."
A cabeça vive lembrando o coração das regras. Cola avisos no elevador e manda advertências se o coração sai da linha.
O coração foge que nem o diabo da cruz das reuniões de condomínio.
A cabeça é o síndico, necessário à ordem, ao bom funcionamento desse lugar chamado corpo.
O coração é o melhor inquilino.



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Sexta-feira, Abril 01, 2005


Lista do nunca faça para mulheres



Olha, não quero que pensem que sou de ficar apontando os erros dos caras como se nós mulheres fossemos um exemplo de bom comportamento, sabe? Também temos os nossos defeitos e damos as nossas escorregadas! O detalhe é que temos de saber nos manter em cima de nossos saltos... Mulher descontrol ninguém merece e é um perigo pra humanidade!!! Por isso, listarei algumas atitudes insuportáveis que toda companheira aqui já tomou (ou pelo menos conhece) mas talvez não tenha detectado... (Porque é só uma questão de tempo até que nossas fichas caiam! Hahahaha...)

° Dizer sim quando quer dizer não, ou vice-versa, e ainda querer ser entendida Sim, é isso mesmo, mulher tem essa mania. E acho eu - me corrijam se estiver errada! - que se trata de uma mania tipicamente feminina. Somos mestras em falar codificado e depois reclamar porque os moços - seres muito mais simples, no bom sentido da palavra - não conseguem captar a nossa mensagem. E todo mundo sabe que mulheres adoram fazer manha, ficar de nhenhenhém pra conseguir algo, quando poderiam apenas dizer "É isso, é aquilo, é assim, é assado"... Agindo assim, diminuem as chances de conseguirem atingir o alvo. E dão margem pros homens fazerem aquela cara de quem não está entendendo nada - mas, acreditem, eles entendem tudo! Só não deixam que a gente saiba disso quando não lhes é conveniente! (É sério, um amigo admitiu pra mim!) Hahahahaha...

° Alimentar (nem que seja por inércia) a lenda de que mulher não é amiga de mulher Desde pequena eu ouço essa história - e não entendo muito menos gosto. E dia desses ouvi de novo um rapaz falando... Mas, que raios, por que tem de ser assim se não é verdade? Eu, pelo menos, acho que posso contar/confiar nas minhas melhores amigas - e vice-versa, claro. Se existe mulher traiçoeira no mundo eu quero crer que é um caso de desvio de personalidade. Então, se me perguntam sobre isso eu respondo: você está andando com as mulheres erradas! Vamos pôr um ponto final nessa conversa furada!

E deixa eu parar aqui pois já estou me achando chata! Hahahahaha... ;)



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