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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre). Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol. *...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...* Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas. *Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com. Desfrute da jornada! :)

Terça-feira, Junho 22, 2004


Quentinhas do Sónar São Paulo!


(Porque nóis nesse brog também é hype!)

Line-up confirmado:
Jeff Mills (EUA)
Ricardo Villalobos (ALEM/CHI)
Matthew Dear (CAN)
Matthew Herbert (UK)
Prefuse 73 (EUA)
Chicks on Speed
LCD Sound System
Laurent Garnier (FR)
Beans (EUA)
Four Tet (UK)
Carsten Nicolai (ALEM)
Mugison (ISL)
Pan Sonic (FIN)
Angel Molina (ESP)

Data: de 9 a 12 de setembro.

Locais: Sónar Dia, Instituto Tomie Ohtake; Sónar Noite, Credicard Hall.


A galera bom-ban-do neste sábado, 19 de junho, lá em Barcelona!
Deu ou não deu vontade?


Yeah yeah! 8)



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Segunda-feira, Junho 21, 2004


Educação amorosa na parada gay


[por Marco Antonio Araújo - Coluna do Macho - Revista da Folha de ontem]

(Não resisti e estou colando aqui. Na esperança de que todo mundo que ainda não concorda com o autor comece a pensar em fazê-lo.)

Fui com minha mulher à parada gay. Amei. Até senti falta de ter um filho e poder levá-lo nos ombros para conhecer esse colorido desfile de alegria e diversidade. É contagiante. Parece um enorme bloco de Carnaval, só que com música eletrônica. Tem que ser ruim da cabeça ou doente do pé para não entrar na festa.

Encontrei muitos amigos por lá, conforme já esperava. Defendo a tese de que todo macho que se preza tem de ter amigos gays. Com algumas exceções, são sensíveis, espirituosos, baladeiros e musculosos. Morro de inveja daqueles tanquinhos na barriga. Lésbicas, conheço poucas, mas desconfio por quê. Mulheres sempre dão mais trabalho...

Além de ser uma prova de segurança da própria masculinidade, conviver com homossexuais é um excelente curso de educação amorosa. Qualquer maneira de amor vale a pena: sempre gostei desse verso. Pessoas preconceituosas também devem ter dificuldade para ler, ouvir e escrever poesia.

Nunca entendi como alguém pode se escandalizar ao ver duas pessoas do mesmo sexo se beijar em público. Um beijo é sempre bonito de se ver. Andar de mãos dadas, então, é a expressão de afeto mais doce, e não pode ser privilégio de ninguém. A intolerância, sim, é uma doença escandalosa, coisa de gente sem-vergonha e safada.

É humano que todos tenhamos convicções e limites morais. Eu, por exemplo, tenho desprezo por racistas e me incomodo com namorados que nunca se acariciam. Acho obsceno espancar travestis na rua ou humilhar meninos frágeis na escola. Deve ser uma falha de caráter minha me irritar com essas mesquinharias. Tento compensar essa ignorância prestando atenção naquilo que considero inteligente, como ser feliz, assumir vocações e soltar a franga.

Toda opção tem um preço, é a lei da vida. Ao constatar que era heterossexual, decidi sê-lo da melhor forma possível e por inteiro. Enfrentei muitas dificuldades. Aos 15 anos, pensei até em desistir, quando tinha espinhas, dentes tortos e ejaculação precoce. Mas o celibato me pareceu uma perversão sexual indecente. Tomei coragem, saí do armário, mais confiante, assim que me apaixonei pela primeira vez. Valeu a pena. Quero ensinar isso aos meus filhos. E levá-los à parada gay.



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Domingo, Junho 20, 2004


Várias opções e nenhuma



São Paulo é conhecida pela agitada vida noturna mas nunca esteve tão difícil achar uma boa festa para ver o domingo chegar... Por que será que não se acha a fórmula perfeita para reunir em um só lugar música boa e gente interessante, quaisquer que sejam suas "pretensões", digamos assim?

A balada hetero é um show de horror, pois não há segurança-armário que dê conta de acalmar os ânimos e segurar a onda da macharada depois do quinto copo de vodca com Flash Power. E por que raios as patricinhas ainda não foram enjauladas dentro dos shoppings? E, ainda, por que cargas d'água os caras acham que a melhor forma de abordar uma garota é colocando suas mãos em cima dela sem antes lhe pedir licença?

Se um local é GLS, você entende que há democracia, diversão para todos os gostos. Mas a grande verdade é que pouco têm a fazer os pobres "S", que ou se jogam e entram na dança até onde sua disposição de interagir por simpatia lhe permite ou simplesmente se divertem a ver navios deixando o corpo se entregar à ferveção da pista. Em outras palavras, aos simpatizantes só cabe mesmo simpatizar. Não que isso seja ruim, mas chega uma hora que se quer mais do que testemunhar a curtição alheia - esta, sim, de fato.

A conclusão é que nos resta não esperar muito da noite paulistana. Poucas são as baladas e as festas hoje em dia que atendem a todas as expectativas. E ficou chato não conseguir convencer a turma inteira de ir em um só lugar. Mas que lugar? Do alto da minha experiência em vida noturna - que, desculpem a falta de modéstia, não deve ser menosprezada -, balada boa, hoje, nesta cidade, é algo que não existe - ou definitivamente não fui convidada!

Pequena lista de onde não tenho me divertido - não plenamente: D-Edge, Lov.e, Manga Rosa (bah!), Lôca, raves de psytrance, festinhas de aniversário de amigos dos amigos no Espaço Octo. E todas as boates da Vila Olímpia em que não estive mas onde não preciso ir para saber que não vou gostar.

Salvem os jantarezinhos íntimos, os bate-papos animados com os amigos - que sempre caem bem -, as salas transformadas em pistinha e o DVD!



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Terça-feira, Junho 15, 2004


Curtas e finas



E-music is my life! And my job!
Já estou me descabelando para armar e fazer rolar a Coletiva Online da 2ª Edição do Nokia Trends, que trará o festival espanhol Sónar para São Paulo. O que posso adiantar é que dois nomes certos são Laurent Garnier e Jeff Mills - mas me parece que não haverá nem sombra de brazuca no line-up, uma b*! - e que os locais da balada serão o Credicard Hall e o Instituto Tomie Otake. Ah, claro, também posso garantir que, se depender do tanto que já me enturmei com o povo da assessoria, minha credencialzinha já está no jeito!

Românticos de plantão
Querem encharcar o lencinho com belíssimas - e sofridíssimas! - histórias de amor? Assistam ao filme Moça com Brinco de Pérola e à ópera Romeu e Julieta, esta em cartaz no Municipal - que já vale o programa. Ambos são pra ver, suspirar, refletir e concluir "Ufa! Não somos só eu e os mexicanos que sofremos nesse mundo de amores impossíveis!". Ambos são fortes e sutis, cruéis e lindos!

Parem de Parada
Vou repetir aqui o que já andei dizendo por aí sobre a Parada do Orgulho GLBT. Que me perdoem os defensores da causa - à qual sou absolutamente favorável -, mas como estrategistas deixam a desejar. Não é obrigando uma pessoa que vai ao Theatro às 17h a sair de casa às 15h e entupindo ruas e avenidas com um evento que mais parece carnaval fora de época que irão conseguir o respeito da nossa tão quadrada sociedade. Porque a maioria esmagadora acha que homossexual é aquele estereótipo que a gente vê na Parada, e conclui, com a festança, que gay só veio ao mundo pra badernar. Então, minha gente, é bom que se mude esse jeito de sustentar a bandeira colorida. Até porque não acho que se deva tratar o assunto como "orgulho", "Parada do Orgulho...". Como se isso fosse uma simples escolha, como se ser assim fosse uma opção comparável a do time de futebol para o qual se torce. Não vejo sentido em se dizer orgulhoso quando se pode (e se deve, na minha humilde opinião) apenas dizer SOU ASSIM. E ponto. "E que me respeitem." E que para isso - vejam que triste mundo o nosso - não se tenha de parar o trânsito e apelar ao caricato para se fazer respeitar e aceitar.

É isso aí, pe-pessoal! ;)



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Quarta-feira, Junho 09, 2004


Pin and the cities
::Buenos Aires::



Começo esta série falando da cidade que, dentre as que conheço, mais me atrai em todo o mundo. A capital da Argentina é chique e ponto. E tem um quê de latinidade que lhe cai bem, faz toda a diferença. Pode ser mesmo que seja a Paris da América, mas acá nossos hermanos têm o tango. Quem já ouviu e viu o legítimo tango sabe a carga de emoção que ele possui. E ao visitar a Argentina, entende o efeito que isso causa no jeito de ser deste povo.

E tem, além da beleza das paisagens locais, a elegância dos porteños. Não é só no modo de vestir - de uma autenticidade sem igual - que eles se destacam, mas no trato, fino trato. Um pouco de nove horas não faz mal a ninguém - pelo contrário, acho digno!

E por falar em nove, tem a Avenida 9 de Julio, a mais larga do mundo, linda, com o Teatro Colón e o Obelisco, dois símbolos argentinos. E a Recoleta, com suas lojas de grife, o Alvear, os cafés, o Cemitério, a feirinha de artesanato... Palermo é um bairro tão interessante quanto as divisões que lhe foram criadas: Viejo, SoHo, Hollywood. Os novos designers - sejam de moda, sejam de arquitetura ou arte - estão todos por estas bandas. E é neste pedaço que você encontra as lojas mais modernas e mais bacanas, e baladinhas idem. Um chuchu de lugar.

Puerto Madero, pra quem tem Santos, causa inveja. Aqueles restaurantes ladeados, de frente pra enormes guindastes, e a Ponte de la Mujer. A novidade ali é o Hilton, imponente. O centro, assim como a cidade toda, tem a presença francesa na arquitetura, mas talvez com uma boa dose a mais de respeito do que dispensamos aqui aos nossos prédios históricos. Não se esqueçam de que este é um povo cheio de nostalgia!

Mas cai a noite e não há frio que espante os porteños das ruas. Eles caminham em bandos, lotam os bares e boates e dão um show de empolgação. Pra ver, ser visto e passar bem, recomendo o Gran Bar Danzón e o Milión. Pra dançar feito louco que acabou de fugir do hospício - vocês concordariam comigo, aquilo é um caldeirão dos infernos de agitação! - o nome é Pacha.

O Malba é o melhor presente que Bs As poderia ter ganho nos últimos tempos. E que delícia é ver Di Cavalcanti e Portinari em suas paredes?! Pra quem for para lá nos próximos dias, recomendo as exposições do subsolo, todos jovens artistas do país. A criatividade ali exposta me faz pensar: não há crise que não faça crescer.

Viva!





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Quarta-feira, Junho 02, 2004


Volta por cima
(pois adoooro dar minhas voltinhas...)



Gente, seguinte: não aguento mais falar sozinha. Mas não é esse o ponto. "Num güento" mais minha falta de tempo que resulta em falta de idéias que dá nessa falta de textos neste bat local. Porque ganhar o pão tá cada vez mais difícil, e pra encher a barriga e pagar as contas a gente se vê obrigado a abrir mão da imaginação...

Então tive um insight criativo: me lembrei de algo sobre o qual AMO escrever, mas não escrevo mais por falta de tempo e porque este que já foi meu ganha-pão virou sobremesa - regalia a que só se tem direito quando é dia de festa ou o regime permite!

Pois bem, aguardem... Voltarei semana que vem com o primeiro capítulo de uma série de histórias vividas por mim nos mais curiosos cantos deste País e do mundo!

E fica o convite: ofereço a vocês um rolê por várias cidades na minha garupa (ooops!), quem vai querer?!

Até breve e bon voyage pra gente!





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