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Óculos. Pra uma miopia de cinema, volante e reconhecimento noturno de pessoas (nem sempre).
Também, os tais cor-de-rosa, pros dias de sol.
*...a gente nunca sabe quando o tempo vai virar, que tons tomarão o céu, tudo em volta...*
Faço o mesmo com palavras: ora em preto e branco, ora .pin.talgadas.
*Este blog pode ser visualizado em 3D. Solicite seu par azul e vermelho pelo perinzinha@gmail.com.
Desfrute da jornada! :)
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Quinta-feira, Outubro 30, 2003
A caminho do WC - um capítulo da série "Papo de firrrma"
Cena 1 - e única: Eu, indo em direção ao banheiro, passo rapidamente por trás da secretária, que está de pé na pia, localizada bem ao lado da porta do WC.
Eu - Opa, dá licença que vou fazer pipi...
(Totalmente desnecessário eu dar explicação sobre o que vou fazer ali, neste espaço tão íntimo)
Secretária - Nossa, é mesmo? Sabe que eu também tava indo agora?
Eu - Ah, é? Puxa, desculpe, quer ir primeiro?
Secretária - Não, que é isso, pode ir! Você vai fazer o que mesmo? Ah, sim, xixi, pode ir na frente, vou depois...
(O que eu vou fazer? E se é só xixi posso ir na frente quer dizer o que, que ela vai fazer cocô???)
Eu - (cara de passada, sorriso amarelo, movimento brusco de fechar a porta)
Moral da história: Evitar qualquer tipo de conversa na porta do banheiro da firrrma te livra de situações embaraçosas como ter de explicar/saber o que será feito ali dentro. Ou "Em boca fechada não entra mosca!".
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2:26 PM
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Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Recordar é viver
Já dizia a canção. Por isso, aqui vai uma matéria que fiz sobre a balada de Acapulco, no México, publicada junto com outros dois textos falando da cidade. O mais bacana dessa matéria (pra mim) foi ter aceita pela editora a minha sugestão de escrever sobre o que eu fazia depois que acabava a "labuta" - caía na noche mexicana, por supuesto! Arriba!!! :-D
É sempre Réveillon em Acapulco
O burburinho começa à tarde. Qual boate estará mais animada depois que o relógio marcar meia-noite? Famoso por sua vida noturna, o balneário mexicano ferve de opções para dançar até o dia raiar. Com direito a chuva de confetes, de balões, jatos de fumaça e até show de fogos de artifício
Que a noite de Acapulco é animada é verdade incontestável. Mas não é só isso. Além da animação, os mexicanos dão um show, literalmente, quando o assunto é balada. Espera-se cada madrugada como se fosse mais especial que a anterior, e já à tarde o burburinho começa para se descobrir qual boate estará mais agitada depois de o relógio marcar meia-noite. É aí que você conhece de onde vem a fama da "noche" acapulquenha.
Mais que a música, a ambientação das discotecas é o que faz a diferença.
Noites temáticas também dão o tom, como "mulheres de graça" e "festa da espuma", e determinam o preço a pagar pela entrada. Como em São Paulo, cobra-se consumação mínima ou couvert artístico. Em média, os gastos para uma boa balada não ultrapassam os da capital paulista.
Na Avenida Costera ou no alto de uma montanha, na Carretera Escenica, cada casa noturna investe num estilo diferente e não menos ousado. As que ficam em ponto privilegiado - caso da Enigma e da Palladium - valorizam a vista para a baía com fachadas de vidro. A primeira segue o estilo egípcio e abusa do tema com um pouco mais de cores e luzes do que um faraó poderia aprovar.
Já na Palladium, a mais alta de Acapulco, néons e outros elementos decorativos provocam efeito parecido. Em ambas, a certa altura da noite, uma cascata de fogos de artifício (do lado externo dos janelões) dá a sensação de um Réveillon fora de época.
E as surpresas não param aí. Nas duas danceterias, há chuva de confetes, de balões e jatos de fumaça fria - o público vai ao delírio. Nem pense em abandonar a pista de dança. A ordem é acompanhar a coreografia frenética dos performistas, que, em trajes futuristas, embalam seus corpos movidos pelo jogo de luz e pelo som bate-estaca.
A estrela do show chega causando impacto ainda maior. Um cavaleiro medieval, todo pintado de prateado e coberto de minilâmpadas, sobe numa plataforma no meio da boate e chama todos para dançar. Empunhando uma tocha, é o elemento que faltava para "botar fogo" em quem ainda não se rendeu ao agito.
Ponto de chiques e famosos
Aqueles que dariam de tudo para topar com uma celebridade devem arriscar a Baby'O. Chiques e famosos, que ocupam as páginas da versão mexicana da revista Caras, podem ser vistos por lá. Na mesma calçada, outro ponto popular entre os acapulquenhos mais empolgados: a Alebrije. Logo ao entrar, tudo parece maior do que o normal. Os balcões dos bares, o número de holofotes, o pé-direito, a quantidade de espelhos, o tamanho do telão, os decibéis... São necessários alguns minutos para se acostumar com tanta grandeza e pirotecnia. O resultado é divertido, sem dúvida.
Na hora de tomar seu lugar entre as mesas e os sofás - de couro amarelo, azul, verde ou vermelho -, cuidado com os gigantescos degraus. Afinal, a grandiosidade da Alebrije não estaria completa não fossem as arquibancadas.
Mesmo que você esteja no ponto mais alto, um garçom sempre estará a postos para anotar o seu pedido ou para acender o cigarro. Esse último ato, aliás, parece questão de honra entre os garçons. Experimente tirar o cigarro do maço e mal você o colocou na boca o isqueiro do funcionário já está aceso, infalível.
Enquanto isso, o ritmo reinante nas caixas de som pode ser dance, rock, disco, pop ou, como era previsível, música latina. Qualquer que seja a trilha sonora, a empolgação dos baladeiros aumenta como que acompanhando os ponteiros do relógio. E não há hora para acabar.
  
posted by .pin.
8:39 AM
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Terça-feira, Outubro 28, 2003
Tudo Parece uma Merda
Ninguém merece uma mulher no auge de sua TPM. Nem ela mesma.
Já se falou em mau-humor, excesso de sentimentalismo (incrível mas a mulher pode se superar nesse quesito quando "seu Chico" está por vir), irritabilidade, cólicas. A medicina afirma que é fácil resolver o problema, mas é tudo besteira: como considerar a questão solucionada quando a solução vem em doses cavalares (tomadas de hora em hora, de mês a mês) de remédios que, se mais ou menos "químicos", dão no mesmo? (Ou seja, em nada! Ou vamos virar dependentes eternas dessas drogas?)
N-A-D-A esconde a cara amassada de uma vítima das dores pré-menstruais que teve de acordar no meio da madrugada pra tomar seu Ponstan ou 40 gotinhas de Atroveran - e não se trata da garota-propaganda sobrancelhuda/celebridade/sonho de consumo de 10 entre 10 brasileiros Malu Mader. (Sim amigas, a realidade é ainda mais dura pra nós, pobres mortais!)
Então me ocorreu agora que só deveriam ter cólica e TPM aquelas musas de comercial de sabonete/xampu, modelos, atrizes globais, mulheres bem-sucedidas em geral. Por que já chega ter de administrar o fato de não ser nada disso!
E preciso parar agora pois uma daquelas agulhadas típicas me atingiu a barriga inchada... Bye.
Rápido descritivo do que é uma cólica menstrual (segundo a autora deste blog)
Imagine uma toalha embebida de água fervente dentro da sua barriga. Agora imagine que esta toalha está sendo torcida e retorcida com toda a força do mundo, como se cada ponta estivesse sendo puxada por um trator Caterpillar. É assim.
PS. A autora promete um post fresquinho e cor-de-rosa amanhã, pra amenizar tanta ranhetice! :-*
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5:54 PM
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Segunda-feira, Outubro 27, 2003
O mundo é feito de sexo
Querem coisa mais redundante? Um amigo me mandou essa imagem e, se não me falha a memória sempre falha, é algo com fins publicitários. Mas observem bem a "ligação" entre os personagens... That's the way it is...
PS. Tanx, Fê! ;-)
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3:29 PM
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Sexta-feira, Outubro 24, 2003
A difícil arte de manter a classe
Tem coisa pior do que descer do salto e perder a razão? Não, eu afirmo com toda a certeza que não tem. Pois este post de hoje vem mostrar em poucas linhas que não sou uma moça de fino trato full time, como o que escrevi até agora pode sugerir. Uso muito palavrão no dia-a-dia, falo baixarias, tenho pensamentos maus e impuros e quero mandar a formalidade deste espaço pras cucuias. Pra quem chegou agora:
- Prazer, meu nome é Flávia.
Mais conhecida como Pin, Perin, Pindaíba, Pindamonhangaba, Pingucinha...
Me chamem como a imaginação de vocês quiser.
Mas lembrem-se: posso esquecer a lady que mora dentro de mim (e que na verdade vive dormindo) e mandá-los plantar batatas! Não levem nada muito a sério, porém, pois a vida não merece a cara sisuda que a gente às vezes se vê obrigado a dar - ou o faz por burrice, inexperiência, cisma mesmo. Sei lá!
Entrem e fiquem à vontade!
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4:08 PM
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Quinta-feira, Outubro 23, 2003
"Desemperiquitada" (porém feliz)
Às vezes a falta do que fazer é tanta que clico nas dicas de blogs públicos da What's Up, parte da página inicial do Blogger.com.br com dicas dos melhores. Mais engraçados, mais cheios de fotos, ilustrações e frufrus, fora a quantidade de texto, absuuurda!
Algumas dúvidas povoam a minha cabecinha de melão quando estou diante de um desses blogs "profissionais":
1. Como esses blogueiros arranjam tempo pra escrever e postar tanto? Alguém lhes paga salário, vale-refeição ou plano de saúde? (sem dúvida eles precisam, pelo menos, dos dois últimos itens, pois quem fica o dia todo na frente do computador tem fome e uma hora fica doente! Já ouviram falar dos males de se ficar horas diante do computador?)
2. A cabeça dessas pessoas muitas vezes parece brilhante. Mas será que têm namorado/a? Ou, melhor, fazem secho? E, se são tão interessantes, por que não têm mais o que fazer?
3. Por último, com toda essa concorrência, será que alguém - fora vocês, fiéis leitores que me lêem porque me amam - vai dar bola para esta tão humilde página?
Prefiro não saber as respostas!!! :-/
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6:08 PM
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Quarta-feira, Outubro 22, 2003
Pensamento do dia
"Gripe é a pior doença que se pode ter. Você não tem disposição/ânimo pra nada mas também não está doente o suficiente pra matar o trabalho e tirar o dia pra ficar na cama."
:-#
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4:17 PM
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Terça-feira, Outubro 21, 2003
Uma mente brilhante. E perdida
"Há [Ah], se todas as balas disparadas em brigas de trânsito fossem tão doces como essas.
Não perdi as esperanças de que as pessoas possam ser boas umas com as outras.
Enquanto não arranjo emprego me ajude comprando essas balinhas por apenas R$ 1,00 (um real)
aceito passe ou tickey [ticket ou tíquete]
se não puder comprar um sorriso ajuda."
Nunca compro balas ou qualquer outra coisa no sinal porque, por falta de opção diante da violência dessa cidade, tenho mantido minha janela do carro fechada.
Mas hoje fui obrigada a abaixar o volume do rádio para ler com muita atenção esta fofura que um garoto colocou no meu retrovisor. Quando vi um texto manuscrito, mais denso que de costume, em letrinha miúda, fiz questão de reparar. Comprei as balinhas de melão mas ficou uma vontade que tenho desde o JT de fazer uma matéria que falasse de "ambulantes de semáforo criativos". Tudo começou quando li outro desses textinhos que dizia algo como "Curtindo um som? Que tal uma balinha pra acompanhar?...".
Fora a maior das minhas vontades: ajudar essas pessoas pobres, crianças e jovens, principalmente. (Sem demagogia, é sério.)
Mas só o que fiz foi guardar o papelzinho pra pregar na porta da minha geladeira...
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2:53 PM
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Segunda-feira, Outubro 20, 2003
Só namore se for uma aventura
Não, não abri mão do meu lado romântico. (Sou inteira assim, na verdade!) Falo de um namoro que tenha pitadas diárias, semanais no máximo, daquele friozinho na barriga bom à beça de se sentir.
Que o seu namorado tenha uma dancinha incrivelmente non-sense, meio desengonçadinha até, pois aí, passado o susto inicial, vocês serão o casal mais animado das festas.
Torça para que ele seja surpreendente e aprenda como é bom não saber bem o que esperar da pessoa que se escolheu pra gostar. Não saber o que mas confiar que se trata de algo bom, essa é a fórmula.
Aliás, não existem fórmulas. Senão este seria o primeiro capítulo de um livro de auto-ajuda, ou um desses que dão 99 maneiras de se conseguir isso ou aquilo. E, já repararam, como é sempre tudo de mão beijada, sem dar direito ao autor de participação nos lucros do sucesso dos seus leitores?
Se fosse simples assim no amor, seria fácil. E é justamente por não ser que é uma delícia.
Agora anote este conselho (nem vou cobrar): se o seu namoro não tiver sua faceta engraçada, ou até patética - mas sempre adorável -, comece a pensar em mudar a estação.
No decorrer deste post, caso você tenha lembrado de alguma historinha ou piada interna, do passado ou do presente, que te fez abrir um sorriso, por mais discreto que ele seja (pois o pessoal aí da firrrma não entenderia uma coisa propaganda de dentrifício), considere-se feliz.
Amar é que é uma aventura!
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5:32 PM
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Quinta-feira, Outubro 16, 2003
Nota de pouca utilidade pública
Mas por que alguém que mora num apartamento com sacada, por menor que ela seja, a transforma em uma reles extensão da área de serviço - com os necessários porém horrorosos apetrechos domésticos posicionados ali para quem quiser ver: varal, vassoura, rodo, panos de chão. Quem duvida que isso seja possível venha tomar um café comigo na agência e mostro diversos exemplos no prédio vizinho!
Além de dar um ar "como é pequeno meu moquifo", ninguém merece cenário tão trash! Troquem tudo por uma gostosa rede ou apenas uma plantinha, ou cadastrem-se agora no link "Quero participar!" do site do Projeto Feiura da nossa tresloucada prefeita-e-mulher dona Marta!
Ai se essas varandas fossem minhas...
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4:45 PM
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Quarta-feira, Outubro 15, 2003
O português que se folder!
Não sei se é jargão mas não há nada mais verdadeiro do que a frase "Assassinaram a língua portuguesa!". Tudo teria começado com o primeiro treinamento de Telemarketing feito em terras brasileiras. Um fulano chegou numa sala de convenções qualquer de São Paulo, dezenas de jovens desempregados aspirantes a atendente esperavam ansiosos suas palavras, pegou o microfone, ajeitou o uniforme impecável com o logo da firma estampado do lado esquerdo do peito e deu seu bom dia. Em seguida viria o primeiro indício do desastre: "Bom, gente, a partir de agora vamos estar fazendo um treinamento com vocês. Vamos estar preparando nossa equipe para estar atendendo nossos clientes. Posso estar contando com o vosso empenho?"
Foi assim que começaram aquelas respostas-padrão que todo mundo já foi obrigado a engolir pelo ouvido quando liga pra um SAC ou um 0800 da vida. O pior é que você se vê sem saída. Tem de escutar todos os erros de português cometidos na maior frieza, tentar chegar a um acordo com esses seres acerebrados (sem cérebro, ok?) - já que pra falar com um superior dá um p. trampo e muitas vezes não resolve: o ser superior é superior na hierarquia mas não na inteligência. E ainda ser chamado de senhor quando você nem chegou aos 30 e se mantém solteiro. Pra resumir, "uó!", como diria um amigo.
Já cogitei abrir o site www.euodeiotlmkt.com.br.
Mas aí seria injusto com o povo de RH. Com toda certeza eles disputam o posto de povo mais cruel quando o assunto é o tratamento à nossa língua pátria! Eles têm um forte concorrente em outro item - que não o tão famoso gerundismo. Os publicitários, que mais poderiam ser chamados de baba-ovo-de-americano. Juntos, eles empreendem com garra total a americanização do nosso idioma. E se orgulham disso! Ouça um deles falando de trabalho. Ops, quer dizer, job. "O cliente acha que só porque o fee é ok pode mandar essa porcaria de briefing!" Se me dissessem isso quatro meses atrás, antes da minha inserção nesse mundo, eu retrucaria "Sua mãe também!". Mas ficaria na dúvida se a pessoa estava mesmo me xingando, pois uma coisa que esse pessoal sabe é falar com altivez, panca de milionário. Simplesmente um luxo, né Patreze?
Sou saudosista, sim, comecei minha carreira de jornalista como revisora. E não podia deixar de me influenciar pelos meus colegas cinquentões e sessentões revisores do Estadão, integrantes da quase extinta classe de adoradores e defensores do bom português. Jornalistas também erram? Claro que sim! - verdade seja dita, sou prova disso. Ninguém é sabe-tudo, nem mesmo esta humilde foca que vos escreve. O que não dá pra aceitar, porém, é que façam isso por descuido, falta de interesse!
Encerro com uma súplica que faria a Verinha, o seu Dráusio e o seu Vladas urrarem de prazer:
"Brasileiros, tirais os Aurélios da gaveta!"
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6:20 PM
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Sexta-feira, Outubro 10, 2003
Simples conversas
Li em certo lugar pela manhã que "As atitudes são mais importantes do que os fatos" e decidi tentar seriamente adotar isso em minha vida. Tão simples e tão sábio. Vale praquela queda que eu tive ontem numa calçada do Itaim que quase me torceu o pé - e ralou meu braço. Fora o papelão. O importante, afinal, é que não torci meu pezinho 38/39, aprendi que sandaliões plataforma só podem ser usados mediante consulta prévia à metereologia (se ameaça chover, no way) e se alguém me viu caindo pro lado em cima do arbusto pontudo, uma mulher desse tamanho e ruiva, que se dane. Preferi me imaginar estrela de um comercial de Gelol.
Passei a ouvir música clássica ao acordar pra começar o dia mais calma, mais zen. Posso eventualmente trocar pelo CD dos "Meninos Esquecidos", sim. Há dias que merecem 24 horas de um bom rock pauleira. Tentei xingar menos motoristas que de costume no trânsito, também tentei não me irritar dentro do banco - isso sim é que é exercício pesado! Subi o elevador do trabalho com uma velha-nem-tão-velha-mas-com-rosto-de-maracujá que me participou de sua frustrante ida ao banco (viram como é um porre unânime?) e, antes que a porta se abrisse para eu sair, ela olhou bem nos meus olhos, aquela meia-luz sinistra de elevador de filme de suspense, e disse "Que ódio, que ódio, que ódio!". Mentalizei meu mantra em latim que minha vó recentemente me ensinara e pulei assim que chegou o meu andar.
Adentro a agência e, como todos os dias, vejo a graça dos modelitos ousados e coloridos da secretária. Sexta-feira, dia de faixinha azul anil no cabelo. Faladeira que só ela logo vem emplacar uma conversa. Deixei a corda solta pra ver onde a coisa ia chegar. O celular dela toca e como não se consegue o bendito sinal neste pedaço ela começa a gaguejar "alô? a... aaalô? alôôô? oooi?..." e desliga. "Era minha cunhada. Agora ela deve tentar ligar pro meu esposo, já que não conseguiu falar comigo..." Eu acompanho a cena empenhada, observando cada gesto e cada palavra.
Sabia que não iria me arrepender em dar-lhe um pouco da minha atenção - que nem vale grande coisa no mercado, convenhamos. Ela tenta ligar para o marido e só dá ocupado. Me diz que deve ser mesmo porque ele e a irmã estão conversando, como ela sabiamente previra. Segue uma frase impagável: "Minha cunhada é uma benção, quando ela pega o telefone é só Jesus!" Só hoje entendo porque as pessoas mais pobres podem ser felizes. Quando se tem fé nada é em vão.
Ela começa a contar da bronca que levou do chefe pela manhã porque o resto do povo da agência toma café e larga as xícaras pelos cantos. "E o que você disse a ele?", me adianto. "Nada, menina. Aprendi que não se responde pra chefe. Um outro que eu tive era estressado assim também. E olha que eu cuidava dos negócios e da vida pessoal dele. Ele tinha duas mulheres e uma não sabia da outra. Eu pagava as contas e resolvia os assuntos das duas. Quem segurava sempre o rojão? Quando ele esbravejava todas as outras meninas ficavam nervosas. Eu, bem quietinha. Esperava ele parar de falar e lhe oferecia um café..."
Sensacional. Eis uma mulher de atitude.
posted by .pin.
4:39 PM
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